Arquitetura sustentável: casa na Indonésia usa PET reciclado e telhado verde
Segundo estudo publicado na revista Nature, conduzido por uma equipe de cientistas da Universidade de Leeds, em 2020, foram descartadas 52,1 milhões de toneladas de plástico no planeta, quantidade suficiente para cobrir a cidade de Londres e seus arredores com uma camada de um metro de espessura de resíduos plásticos. Em paralelo, a pesquisa também revelou que a produção anual global de plásticos ultrapassa 400 milhões de toneladas. Entre os países que mais produzem plástico, a Índia destaca-se em primeiro lugar, seguida da Nigéria e da Indonésia.
É evidente, portanto, a necessidade de esforços que diminuam os números alarmantes de resíduos plásticos, havendo uma busca por iniciativas sustentáveis e de reciclagem. É nesse sentido que surge esta residência, localizada em um loteamento residencial na cidade de Banten, na Indonésia, cujas áreas de circulação que contornam a edificação são protegidas por painéis trançados móveis, feitos de rattan de PET reciclado.
Projetada pelo escritório K-Thengono Design Studio, do arquiteto Kelvin Thengono, a residência quebra as linhas entre sustentabilidade e arquitetura, ao mesmo tempo que é moldada por uma estratégia de composição volumétrica que equilibra abertura e privacidade.
Arquitetura em volumes privilegia ambientes reservados e bem conectados com a área externa
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Localizado em um terreno de esquina, o projeto tem volumes cuidadosamente ajustados para valorizar as vistas externas, mantendo, ao mesmo tempo, um ambiente doméstico mais privativo.
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A construção tem início com um volume em formato de L, no térreo, que foi destinado às áreas sociais, delimitando uma área externa mais reservada nos fundos do lote, que se torna o principal foco visual desse pavimento. A disposição, por sua vez, cria uma transição gradual entre a rua e o interior mais privado, permitindo que os espaços de convivência permaneçam conectados ao ambiente externo.
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Acima dele, um volume superior maior abriga o programa íntimo, estabelecendo uma hierarquia espacial clara entre as áreas de convivência e os ambientes mais reservados.Selecione suas newsletters
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Na fachada frontal, o volume se projeta para baixo, criando uma conexão vertical entre o térreo e o pavimento superior. Nos fundos, por sua vez, ele se eleva, permitindo que a arquitetura se abra para o céu e prolongue a sequência de espaços ao ar livre. No segundo pavimento, a circulação é organizada em torno de um cinema interno, destinado à exibição de filmes, que dá acesso à piscina na cobertura.
Dessa forma, a circulação deixa de ser apenas um meio de conectar os ambientes e passa a integrar a própria experiência de percorrer e vivenciar a casa. Ademais, essa manipulação dos volumes possibilita uma sequência fluida entre os ambientes.
Arquitetura de residência também foca em conexão com a natureza e práticas sustentáveis
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A construção, cuja fachada é construída em concreto com textura de bambu, é coroada por uma cobertura verde ajardinada, que, além de acrescentar outra camada de paisagem à residência, integra a natureza ao projeto arquitetônico.
A estratégia de circulação em camadas também favorece a ventilação cruzada e permite que a luz natural penetre profundamente na casa, reduzindo a necessidade de soluções artificiais e poluentes. Ainda, as áreas de circulação que contornam a edificação são protegidas por painéis trançados móveis, feitos de rattan de PET reciclado, que permitem a passagem do ar, filtram a luz e preservam a privacidade dos moradores.
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Os painéis também servem como uma camada ambiental flexível, podendo ser ajustados conforme as condições variáveis ao longo do dia.
O resultado é uma residência que alia movimento, integração com a natureza e sustentabilidade por meio de soluções arquitetônicas que reduzem a dependência de recursos artificiais. O uso de painéis de PET reciclado e a presença de uma cobertura verde reforçam a preocupação ambiental do projeto, enquanto a organização dos volumes conecta os espaços internos às áreas externas, promovendo uma relação mais próxima entre arquitetura, paisagem e bem-estar.
expresso.arq com informações de Adriana Marruffo


