Arranha-céu de 33 andares na Austrália parece uma árvore gigante

À primeira vista, o Upper House parece uma árvore monumental que encontrou espaço para crescer em meio à paisagem urbana. Na fachada, formas curvas se projetam como raízes, enquanto uma grande pérgola de madeira coroa o edifício como uma copa aberta para o céu. A inspiração não é apenas uma impressão visual: assinado pelo Koichi Takada Architects, o arranha-céu residencial de 33 andares, localizado em South Brisbane, na Austrália, toma como referência a Moreton Bay Fig (Ficus macrophylla), espécie nativa conhecida por seu expressivo sistema de raízes.

Bloodlines Weaving String and Water, da artista Waanyi Judy Watson — Foto: Mark Nilon
Bloodlines Weaving String and Water, da artista Waanyi Judy Watson — Foto: Mark Nilon

Concluído em outubro de 2023, o projeto reúne 188 apartamentos e propõe aproximar natureza, arquitetura e vida em comunidade. Essa relação aparece de maneira especialmente marcante na base do prédio: as linhas sinuosas da arquitetura evocam as raízes de sustentação da figueira e dialogam com a obra Bloodlines Weaving String and Water, da artista Waanyi Judy Watson. Com cinco pavimentos de altura, o trabalho ocupa a fachada em painéis metálicos perfurados, dobrados e retroiluminados, trazendo referências às rotas, memórias e práticas culturais dos povos originários australianos. À noite, a iluminação acentua seus desenhos e transforma a superfície do edifício, conectando a construção contemporânea à história do território onde está implantada.

Mais detalhes da fachada sinuosa do Upper House — Foto: Tom Ferguson
Mais detalhes da fachada sinuosa do Upper House — Foto: Tom Ferguson
Detalhes do topo do edifício, que lembra a copa de uma  — Foto: Mark Nilon
Detalhes do topo do edifício, que lembra a copa de uma — Foto: Mark Nilon

No topo, a ideia de uma arquitetura inspirada pela natureza ganha uma dimensão mais literal. Dois pavimentos são ocupados pelo Upper Club, conjunto de espaços de convivência e bem-estar envolvido por vegetação tropical. Piscina de borda infinita, spa, saunas, academia e estúdio de yoga dividem espaço com áreas de trabalho, lounge bar, cinema, sala de jantar privativa e adega coletiva. Ao todo, o edifício oferece 1.000 m² de amenidades pensadas não apenas para uso individual, mas para estimular encontros entre os moradores, em contraponto à experiência muitas vezes isolada associada à vida em grandes torres residenciais.

Uma piscina de borda infinita faz parte das comodidades do edifício — Foto: Scott Burrows
Uma piscina de borda infinita faz parte das comodidades do edifício — Foto: Scott Burrows
A vegetação é composta por 3.544 plantas de espécies nativas e tropicais — Foto: Mark Nilon
A vegetação é composta por 3.544 plantas de espécies nativas e tropicais — Foto: Mark Nilon

A vegetação também desempenha uma função ambiental. O paisagismo reúne 3.544 plantas de espécies nativas e tropicais selecionadas para se adaptar ao clima subtropical de Brisbane, formando um pequeno ecossistema que contribui para o isolamento térmico do edifício. Um reservatório de 40 mil litros aproveita a água da chuva para irrigar todas as plantas, enquanto um sistema solar de 30 kW e estratégias para reduzir o consumo de água integram as soluções sustentáveis. Nos apartamentos, todoscompostos por varandas, a orientação e o desenho escalonado das sacadas ajudam a equilibrar entrada de luz e sombreamento de acordo com as condições climáticas locais.

Mais detalhes dos interiores do projeto, assinado por Koichi Takada Architects — Foto: Mark Nilon
Mais detalhes dos interiores do projeto, assinado por Koichi Takada Architects — Foto: Mark Nilon

Com o Upper House, o Koichi Takada Architects e a incorporadora Aria Property Group buscam propor outra leitura para a verticalização das cidades: em vez de afastar os moradores da paisagem e uns dos outros, a torre tenta criar novas formas de conexão. A abordagem já rendeu reconhecimento internacional ao projeto, vencedor de diferentes premiações em 2024, incluindo o CTBUH Award of Excellence na categoria de edifícios entre 100 e 199 metros e o prêmio de Arquitetura Sustentável do Australian Institute of Architects em Queensland.

 Spa, saunas e academia dividem espaço com áreas de trabalho, lounge bar, cinema, sala de jantar privativa e adega coletiva — Foto: Scott Burrows
Spa, saunas e academia dividem espaço com áreas de trabalho, lounge bar, cinema, sala de jantar privativa e adega coletiva — Foto: Scott Burrows
O edifício é composto por188 apartamentos — Foto: Mark Nilon
O edifício é composto por188 apartamentos — Foto: Mark Nilon
Estúdio de yoga e outras comodidades fazem parte do edifício — Foto: Mark Nilon
Estúdio de yoga e outras comodidades fazem parte do edifício — Foto: Mark Nilon

“O estilo de vida em edifícios altos tornou-se distante e desconectado — da comunidade, da natureza e uns dos outros. Com o Upper House, buscamos desafiar essa realidade e estabelecer um novo modelo de vida vertical, pautado pela conexão”, , afirma Koichi Takada.

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