Mapa revela arquitetura feita por mulheres em Nova York e propõe novos roteiros na cidade
Durante décadas, a história da arquitetura foi contada a partir de uma perspectiva limitada, que frequentemente deixou à margem a contribuição de mulheres em projetos decisivos para a construção das cidades. O Built by Women Map 2026, lançado pela Beverly Willis Architecture Foundation, parte justamente dessa lacuna para propor uma nova leitura da cidade de Nova York. A publicação reúne mais de 50 obras distribuídas pelos cinco distritos e evidencia a atuação feminina em diferentes frentes do ambiente construído, da escala urbana ao detalhe arquitetônico.
O recorte revela uma presença consistente em projetos de grande impacto. Estão no mapa edifícios como o 30 Hudson Yards, que integra uma das maiores operações imobiliárias recentes da cidade, o The Forum at Columbia University, concebido como espaço de encontro acadêmico, e o Louis Armstrong Center, dedicado à preservação da memória do músico no Queens. Também aparecem iniciativas de infraestrutura e planejamento, como a requalificação da orla do East River e o novo terminal do aeroporto JFK, evidenciando o papel de mulheres em decisões que moldam fluxos, usos e dinâmicas urbanas.
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Ao reunir esses projetos em um único suporte, o mapa permite perceber continuidades que, isoladamente, passariam despercebidas. Ele revela, por exemplo, como arquitetas, engenheiras e urbanistas têm ocupado posições estratégicas em escritórios internacionais, liderado equipes multidisciplinares e participado de projetos que redefinem áreas inteiras da cidade. Mais do que exceções, esses trabalhos indicam uma presença estruturante, ainda que nem sempre reconhecida com a mesma visibilidade que seus pares masculinos.
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O desenho do mapa acompanha essa intenção de tornar legível o que antes estava disperso. Desenvolvido com o estúdio Once–Future Office, o material aposta em uma organização clara e em uma linguagem gráfica que facilita a navegação entre bairros e tipologias. A versão impressa, pensada para ser dobrada e transportada, retoma a ideia de guia urbano, enquanto a versão digital amplia o acesso e sugere percursos possíveis pela cidade.
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Mais do que orientar visitas, o Built by Women funciona como um registro público. Ele insere esses projetos em uma narrativa acessível e contínua, criando um repertório que pode ser consultado, ensinado e ampliado. Ao fazer isso, contribui para reposicionar o lugar das mulheres na arquitetura não como exceção ou nota de rodapé, mas como parte central da história e do presente das cidades.
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A iniciativa reforça uma constatação que, embora evidente para quem atua no setor, ainda precisa ser reiterada fora dele: mulheres sempre estiveram envolvidas na construção do ambiente urbano. O que muda agora é a forma como essa participação é documentada e compartilhada — com mais precisão, mais alcance e, sobretudo, mais reconhecimento.
expresso.arq com informações de Casa Vogue


