Livro reúne curiosidades da arquitetura colonial em cidades históricas do Brasil
A arquitetura colonial não precisa ser inacessível. Foi justamente da busca por disseminar o conhecimento sobre as cidades históricas brasileiras que surgiu o e-book Arquitetura das Cidades Históricas – Um guia prático, de Karine de Almeida, arquiteta, urbanista e professora no Centro Universitário de Viçosa, em Minas Gerais.
“O guia nasceu justamente dessa vontade de aproximar as pessoas da arquitetura histórica sem utilizar uma linguagem excessivamente técnica. Muitas vezes, a arquitetura é apresentada de forma distante, quase inacessível para quem não é da área”, ela comenta.
Publicada de forma independente, a obra reúne curiosidades, termos construtivos, aspectos urbanos e histórias de municípios brasileiros construídos entre os séculos 16 e 19. Está disponível por R$ 39,99 na plataforma Hotmart.
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O começo de tudo
O vínculo da autora com o patrimônio histórico e com a capacidade da arquitetura de narrar a sociedade, os modos de vida e a formação das cidades brasileiras já fazia parte de sua trajetória antes do lançamento do livro. “Há algo muito fascinante na arquitetura colonial, porque ela não é apenas estética: comunica relações sociais, econômicas, religiosas e até comportamentais da época”, comenta Karine.
Esse interesse começou ainda na graduação, mas se intensificou a partir de sua atuação como professora da disciplina de Arquitetura Brasileira no curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Viçosa. Desde 2024, ela passou a reunir curiosidades e aspectos que pesquisava e utilizava em sala de aula para alimentar sua página no Instagram: @arqturista.brasil.
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Com o tempo, o projeto ganhou ainda mais dimensão pedagógica. Nesse contexto, a arquiteta também criou as “confusões arquitetônicas da Dona Flor”, uma personagem canina inspirada em sua própria cachorra. A mascote aparece em momentos específicos das aulas — e também no livro digital — para explicar, de forma leve e didática, conceitos da arquitetura colonial.
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O desenvolvimento do livro
Grande parte da pesquisa foi realizada em Minas Gerais, especialmente em Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João del-Rei e Diamantina. Apesar desse recorte geográfico, o guia dialoga com referências de outros municípios brasileiros, evidenciando a recorrência de elementos arquitetônicos que, ainda que reinterpretados, mantêm sua essência no contexto regional.
A curadoria do conteúdo nasceu de uma pergunta essencial: o que faz alguém enxergar uma cidade histórica de outra forma? A curiosidade e a conexão com o leitor também orientaram o processo. Janelas, beirais, sobrados, igrejas, soluções construtivas e formas de organização urbana, presentes no cotidiano das cidades, passaram a ser vistos por Karine como pontos de partida para discussões mais amplas. “A ideia sempre foi fazer com que as pessoas caminhassem compreendendo e percebendo a arquitetura ao seu redor”, ela ressalta.
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Além dos textos, a arquiteta foi responsável pela concepção visual e diagramação da obra. A proposta foi reforçar a sensação de caminhar pelas cidades, e por isso, ela optou usou fotografias e elementos gráficos que reforçassem a sensação de descoberta contínua.
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Os segredos da arquitetura colonial
Para a autora, um dos pontos mais relevantes da publicação é a percepção de que muitos elementos hoje vistos apenas como ornamentais nasceram de necessidades concretas. “As janelas coloniais revelam questões ligadas à privacidade, ventilação e controle social. Os sobrados comunicavam poder econômico. A organização das ruas dialogava com estratégias de defesa e adaptação ao relevo”, exemplifica a arquiteta.
Mesmo detalhes aparentemente sutis, como o desenho dos beirais, possuem funções construtivas específicas e ajudam a compreender a lógica de ocupação e adaptação do território brasileiro durante o período colonial.
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Outro ponto que chama atenção é a forma como essas cidades se transformaram ao longo do tempo, preservando, ainda assim, uma identidade. “Trata-se de um resultado de processos de preservação e tombamento, que ajudaram a manter esse patrimônio como um registro vivo da história urbana brasileira”, comenta Karine.
Novos olhares
O projeto segue em expansão, com planos para novas edições e desdobramentos em diferentes formatos. Em maio de 2026, Karine lançou Três Joias de Ouro Preto: um guia prático, e também manifestou a intenção de desenvolver materiais dedicados a tipologias específicas da arquitetura brasileira.
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A arquitetura religiosa, por exemplo, está entre os próximos focos. “O objetivo é continuar aproximando as pessoas da arquitetura brasileira, mostrando que patrimônio não deve ser visto apenas como algo distante, mas como parte da nossa identidade e do nosso dia a dia”.
expresso.arq com informações de Carolina Borin com Nathalia Fabro


