O que a CASACOR São Paulo 2026 revela sobre o futuro das casas
E se a maior tendência da casa hoje fosse desacelerar? É a partir dessa reflexão que a CASACOR São Paulo 2026 ocupa novamente o Parque da Água Branca, na zona oeste da capital paulista. Sob o tema Mente e Coração, a mostra propõe uma pausa em meio ao excesso de estímulos da vida contemporânea, reunindo arquitetura, design, paisagismo e arte em ambientes que exploram bem-estar, memória, natureza e relações humanas.
Ao todo, a edição apresenta 70 espaços distribuídos por mais de 10 mil m², entre casas, lofts, jardins, instalações artísticas e áreas de convivência. Em sua segunda passagem pelo parque, a mostra reforça a integração com a paisagem e amplia sua conexão com o espaço público: cerca de 40% do percurso permanece aberto, permitindo que visitantes e frequentadores do parque compartilhem parte da experiência.
A proposta de desaceleração já se manifesta na chegada. A fachada de muxarabis assinada por José Luiz Favaro e Yuri Matsui Ramos funciona como uma transição entre a cidade e a mostra. Os recortes orgânicos filtram a luz natural e dialogam com as sombras da vegetação, criando uma atmosfera contemplativa desde os primeiros passos.
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Entre os ambientes que melhor traduzem o tema desta edição está o espaço criado por Paulo Azevedo. Instalado no hall de entrada de um dos casarões históricos, o projeto aposta em uma atmosfera quase onírica. Tons profundos de azul envolvem o visitante enquanto uma tenda ocupa o centro da composição. A proposta investiga a casa como território de memória e acolhimento, utilizando tecidos, iluminação suave e formas orgânicas para construir uma experiência intimista.
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A ideia da morada como refúgio também aparece na Casa Magma Portinari, assinada pelo escritório Suite. Com 215 m², o projeto interpreta o lar como espaço de regeneração. Uma grande parede curva organiza a circulação e revela os ambientes gradualmente, enquanto materiais como pedra, madeira, terra e cerâmica surgem em tons quentes e texturas táteis. A iluminação filtrada contribui para uma atmosfera de serenidade e contemplação.
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Já Guilherme e Dado Castello Branco apresentam um apartamento de 265 m² marcado pela elegância cosmopolita. O living integrado reúne arte, livros, música e mobiliário de linhas contemporâneas em um ambiente banhado por luz natural. Entre os destaques está o lavabo revestido em tecido listrado bordô, que introduz um contraponto dramático à neutralidade predominante dos demais espaços.
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O fazer manual brasileiro ganha protagonismo na Casa Simonetto – Tributo a Janete Costa, de Gabriel Fernandes. A homenagem à arquiteta e designer pernambucana se materializa em um living dominado por uma grande estante em pau-ferro, equipada com gavetas entalhadas artesanalmente pelo artesão Nelinho, de Tiradentes, Minas Gerais. Obras do acervo de Janete Costa, tecidos produzidos em tear manual e uma lareira central reforçam a narrativa sobre memória, identidade cultural e valorização dos saberes tradicionais.
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Com sua conhecida linguagem, Léo Shehtman apresenta a Casa Pulsante, um loft de 84 m² marcado pela presença da marcenaria em tom marsala. A paleta intensa cria uma atmosfera dramática e introspectiva, equilibrada por áreas mais iluminadas e materiais naturais. A cozinha, instalada em um nicho revestido de cerâmica, assume caráter cenográfico e reforça a teatralidade característica dos projetos do arquiteto.
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A memória afetiva também orienta o Lounge Mi Corazón, criado por Michele Wharton. Inspirado nas casas latino-americanas dos anos 1980, o ambiente reúne tapetes persas, porcelanas, artesanato panamenho e objetos carregados de significado pessoal. O resultado é uma composição que celebra heranças culturais e explora a casa como extensão das emoções e das histórias familiares.
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Em Casa Coral Celeiro Alvorada, Nildo José transforma a arquitetura em suporte para a lembrança. Inspirado na memória de seu pai, o projeto ocupa 213 m² e apresenta um living com pé-direito duplo, uma estante repleta de livros e fotografias familiares e uma escada helicoidal roxa que conduz ao mezanino. Elementos ligados ao universo rural aparecem em esculturas e detalhes incorporados ao mobiliário e aos revestimentos, enquanto tons terrosos reforçam a atmosfera acolhedora.
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Entre os espaços mais delicados da mostra está o Estúdio Semibreve, de Clara Nahas. Inspirado no universo da música e na trajetória da mãe da arquiteta, pianista, o projeto elimina a televisão e coloca a conversa, a escuta e a contemplação no centro da vida doméstica. Uma vitrola ocupa posição de destaque no ambiente, enquanto um volume cilíndrico revestido de cerâmica bordô organiza a planta. Objetos pessoais e referências afetivas ajudam a construir uma atmosfera intimista e sensível.
Mais do que apresentar tendências estéticas, a CASACOR São Paulo 2026 propõe uma reflexão sobre os modos de habitar contemporâneos. Em um cenário marcado pela aceleração, pela hiperconectividade e pela presença crescente da inteligência artificial, a mostra sugere um retorno àquilo que é essencial: o tempo, a memória, o afeto e as conexões humanas.
A CASACOR São Paulo 2026 abre ao público em 2 de junho e segue em cartaz até 9 de agosto, no Parque da Água Branca.
CASACOR 2026: “Mente e Coração”
Onde: Parque da Água Branca – Rua Dona Ana Pimental, 37
Quando: 2 de junho a 9 de agosto. De terça a domingo, incluindo feriados, das 11h às 22h
Ingresso: A partir de 80,50
Mais informações no site oficial
expresso.arq com informações de Rafael Belém


