Do solo travel ao wellness: as tendências de viagem para 2027

Planejar a próxima viagem envolve uma série de decisões: qual destino combina com a estação, quais experiências valem a pena e o que está em alta no turismo? Segundo o Relatório de Tendências de Viagem 2027 da Hilton, realizado em parceria com a Morning Consult, os viajantes estão deixando de perseguir a experiência perfeita para priorizar o crescimento pessoal, a flexibilidade e as descobertas ao longo do caminho.

O levantamento também aponta uma busca por viagens que permitam reconexão, novas perspectivas e melhor aproveitamento do tempo fora de casa. Nesse cenário, o wellness amplia seu alcance no turismo, indo além das práticas tradicionais de autocuidado para incluir experiências ligadas à natureza, ao descanso e às relações humanas.

O relatório foi elaborado a partir de uma pesquisa global com mais de 14 mil viajantes de 14 países. A seguir, conheça cinco tendências que devem influenciar a maneira de viajar em 2027.

1. Viagens pensadas para si mesmo

Neste ano, os viajantes abandonam a necessidade de planejar a 'viagem perfeita' que, por vezes, era idealizada para os outros — Foto: Devin Dygert/Pexels
Neste ano, os viajantes abandonam a necessidade de planejar a ‘viagem perfeita’ que, por vezes, era idealizada para os outros — Foto: Devin Dygert/Pexels

Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados sentem pressão para fazer durante as férias aquilo que acreditam que deveriam fazer, mesmo quando essas atividades não correspondem aos próprios desejos. Outros 24% procuram atender às expectativas do grupo e agradar às pessoas com quem viajam.

O movimento para 2027 aponta, portanto, para uma mudança de perspectiva: em vez de organizar roteiros em busca de uma viagem considerada perfeita pelos outros — ou de experiências que rendam boas imagens nas redes sociais —, os viajantes tendem a dar mais espaço às próprias preferências.

2. Apreciar a própria companhia, sem abrir mão das conexões

31% dos entrevistados já realizam viagens solo para encontrar amigos ou familiares no destino — Foto: Kirill Lazarev/Pexels
31% dos entrevistados já realizam viagens solo para encontrar amigos ou familiares no destino — Foto: Kirill Lazarev/Pexels

Viajar sozinho não significa necessariamente passar todo o tempo sem companhia. De acordo com o levantamento, 31% dos entrevistados já fazem viagens solo para encontrar amigos ou familiares no destino, combinando autonomia com momentos de convivência.

A tendência também aparece nos dados da Motto by Hilton: mais da metade das reservas globais realizadas pela marca no último ano foi feita por hóspedes que viajavam sozinhos. O dado reforça o interesse por experiências que permitem explorar um destino no próprio ritmo, sem abrir mão das relações pessoais.

3. O valor das recomendações humanas

Os viajantes também depositam grande confiança nas equipes dos hotéis — Foto: Vlada Karpovich/Pexels
Os viajantes também depositam grande confiança nas equipes dos hotéis — Foto: Vlada Karpovich/Pexels

Com o uso cada vez mais frequente de ferramentas de inteligência artificial no planejamento de roteiros, as recomendações pessoais ganham relevância. Segundo o relatório, um em cada cinco viajantes sem filhos considera a própria mãe sua fonte mais confiável de aconselhamento sobre viagens.Selecione suas newsletters

As equipes dos hotéis também ocupam um lugar importante nesse processo: 70% dos entrevistados confiam nos profissionais da hotelaria para obter orientações sobre destinos e experiências.

Os programas de fidelidade, por sua vez, influenciam a maneira como os viajantes avaliam recomendações. Metade afirma confiar mais nas indicações de pessoas com status nesses programas do que nas de quem não possui esse reconhecimento. Além disso, 29% admitem sentir inveja de amigos com status superior ao seu.

4. Viagens como oportunidade de transformação

42% dos viajantes afirmando que uma viagem os ajudou a descobrir novos interesses ou paixões — Foto: Quang Nguyen Vinh/Pexels
42% dos viajantes afirmando que uma viagem os ajudou a descobrir novos interesses ou paixões — Foto: Quang Nguyen Vinh/Pexels

Mais do que uma pausa na rotina, viajar pode abrir espaço para novos interesses e descobertas pessoais. De acordo com a pesquisa, 42% dos entrevistados afirmam que uma viagem já os ajudou a descobrir novas paixões ou atividades de interesse.

As diferenças entre gerações também aparecem nos resultados. Viajantes da geração Z têm quase duas vezes mais probabilidade do que os baby boomers de querer voltar para casa com um novo hobby ou interesse que possam continuar desenvolvendo depois das férias.

A tendência aponta para experiências que deixam marcas para além do período da viagem, seja por meio de novas habilidades, seja pela descoberta de outras formas de aproveitar o tempo.

4. Wellness no centro da viagem

Em 2027, os viajantes combinarão o digital e o analógico para promover o bem-estar — Foto: Letícia Alvares/Pexels
Em 2027, os viajantes combinarão o digital e o analógico para promover o bem-estar — Foto: Letícia Alvares/Pexels

Roteiros repletos de compromissos e atrações dão lugar, ao menos em parte, a viagens que também contemplam descanso e bem-estar. Para 2027, o relatório identifica o interesse por experiências que combinam recursos digitais e atividades analógicas, favorecendo a recuperação física e mental e a conexão com o ambiente ao redor.

Entre os entrevistados, 65% buscam ativamente experiências que ajudem a acalmar o corpo e a regular o sistema nervoso. Além disso, 76% afirmam que viajar permite recarregar as energias físicas e mentais de maneiras difíceis de reproduzir em casa.

O contato com a natureza também se destaca: 79% consideram o ar fresco e a proximidade com ambientes naturais essenciais para relaxar durante as viagens, enquanto 54% dizem passar mais tempo imersos na natureza quando estão viajando do que em casa.

As experiências ligadas à água aparecem entre as opções de bem-estar em alta. Mais de seis em cada dez entrevistados (61%) afirmam ter maior disposição para experimentar atividades como banhos de imersão em água fria e piscinas terapêuticas durante uma viagem. Para 60%, essas vivências são ainda mais atraentes quando compartilhadas com outras pessoas.

6. Viagens curtas, experiências intensas

Para os brasileiros, viagens curtas são aquelas com menos de dois dias, enquanto os viajantes dos Estados Unidos consideram de três a quatro dias — Foto: Jędrzej Koralewski/Pexels
Para os brasileiros, viagens curtas são aquelas com menos de dois dias, enquanto os viajantes dos Estados Unidos consideram de três a quatro dias — Foto: Jędrzej Koralewski/Pexels

Em vez de esperar pelas condições ideais para tirar férias prolongadas, parte dos viajantes tem optado por escapadas mais curtas e frequentes, que se encaixam com maior facilidade na rotina profissional. A duração considerada curta, porém, varia conforme o país: para os brasileiros, são viagens com menos de dois dias; entre os entrevistados dos Estados Unidos, o período costuma ser de três a quatro dias.

Globalmente, 24% dos participantes planejam aumentar o número de viagens curtas em 2027. A preferência por aproveitar cada momento também aparece nos resultados: 67% gostam de organizar roteiros que permitam vivenciar muitas experiências em pouco tempo, e mais da metade (57%) aprecia visitar várias cidades durante uma única viagem.

A programação intensa, no entanto, pode vir acompanhada de uma sensação de que é preciso aproveitar cada minuto. Segundo o levantamento, 55% dos viajantes sentem que desperdiçaram um dia de férias quando não planejam nenhuma atividade. O dado revela um contraste entre a busca por flexibilidade e o desejo de preencher o tempo com experiências, um equilíbrio que deve continuar moldando as viagens nos próximos anos.

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