Concreto aparente: vantagens, cuidados e como usar na arquitetura
O concreto aparente nada mais é do que o próprio concreto da estrutura da construção — presente em pilares, vigas, paredes estruturais e lajes — deixado à mostra, sem receber outro revestimento.
Uma vez exposto, o material revela o próprio processo construtivo da edificação, segundo a arquiteta Cecília Lemos: “Para mim, é um material muito verdadeiro, porque ele não tenta esconder o que é”.
“Em vez de receber chapisco, reboco e pintura, o ‘esqueleto’ do edifício fica exposto, assumindo sua cor, textura e as marcas do seu processo de construção como um forte partido estético”, explica Fernando Forte, sócio do escritório FGMF.
Segundo a arquiteta Grazzieli Gomes Rocha, sócia-diretora do escritório aflalo/gasperini arquitetos, o concreto aparente passa a integrar a identidade estética do edifício, evidenciando a materialidade, a técnica construtiva e o processo executivo. “Ele é a expressão da peça estrutural bruta que se toma partido para ficar exposta na arquitetura”, diz.
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Entre as principais vantagens do concreto aparente estão a alta durabilidade, a economia de revestimentos, a baixa necessidade de manutenção e a estética atemporal, que confere personalidade arquitetônica ao projeto. “Ter a estrutura exposta/aparente é um partido arquitetônico válido e contemporâneo”, indica Grazzieli.
Por outro lado, a solução exige mão de obra cuidadosa e especializada e um rigoroso controle entre projeto e construção. “As formas têm um custo elevado e ele não aceita erros, já que é muito difícil consertar falhas de concretagem de forma imperceptível”, fala Fernando. “O concreto aparente também pode deixar o ambiente frio se não for bem combinado com outros materiais”, lembra Cecília.
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Como é feito o concreto aparente
O concreto é feito a partir da mistura tradicional de cimento, areia, brita e água, mas deixá-lo aparente exige muito mais cuidado na execução. “A forma onde o concreto será moldado precisa ser muito bem pensada, porque tudo fica registrado, a textura da madeira, as emendas, os furos e as pequenas imperfeições”, explica Cecília.
Segundo Fernando, a “mágica” acontece na escolha das formas, que podem ser feitas de ripas de madeira, tábuas rugosas ou chapas lisas de compensado plastificado, pois são elas que “carimbarão” o desenho final na estrutura. “O concreto aparente também exige uma vibração rigorosa durante o lançamento nas formas para evitar as ‘bicheiras’, que são falhas no preenchimento”, detalha.
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O detalhamento adequado evita, ainda, manchas provocadas pelo escoamento da água. “A execução exige um elevado nível de planejamento e controle. Como não haverá revestimento para corrigir imperfeições, cada etapa deve ser executada com precisão para garantir uniformidade de textura, cor e acabamento”, alerta Cecília.
Como é moldado in loco, o concreto aparente deve ser previsto desde a concepção do projeto. “A execução é a própria concretagem de pilares, vigas, lajes ou paredes, exigindo mão de obra altamente qualificada e um projeto de formas detalhado”, pontua Fernando.
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Onde e quando usar concreto aparente
O concreto aparente pode ser usado em fachadas, pilares, vigas, lajes de teto — dispensando o uso de forros — e paredes, valorizando a arquitetura da edificação. “O momento ideal de usá-lo é quando queremos expressar a ‘verdade estrutural’ da obra, criando um pano de fundo neutro, sólido e atemporal para a vida que vai acontecer ali dentro”, explica Fernando.
Para Grazzieli, sua aplicação é especialmente indicada em projetos que valorizam soluções construtivas minimalistas, duráveis e atemporais.
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“A partir dessa decisão, diversas linguagens e texturas podem ser alcançadas com o emprego de técnicas simples, como utilizar sarrafos de madeira para um resultado ripado, a técnicas bem elaboradas, como concreto pigmentado na concreteira para ter uma grelha estrutural ‘colorida aparente”, continua a arquiteta.
Cecília destaca o uso interno do concreto aparente em bancadas, escadas, lareiras, áreas gourmet e banheiros. “Ele funciona quando queremos trazer força, textura e uma sensação mais natural ao espaço. Também gosto quando ele aparece em contraste com madeira, palha, arte, tecidos e cores mais quentes”, opina.
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Extremamente versátil, o concreto aparente pode ser aplicado em projetos que valorizam a atemporalidade e a durabilidade dos materiais ao longo do tempo.
“Ele é a alma da arquitetura modernista, brutalista e contemporânea. Adoramos equilibrar o peso e a frieza urbana do concreto contrastando-o com materiais quentes, como painéis de madeira natural e pedras rústicas, e volumes imersos no paisagismo tropical”, conta Fernando.
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Além de projetos contemporâneos, Cecília diz que o material também combina com casas de praia, casas de campo e interiores mais brasileiros, naturais e afetivos. “Para mim, ele fica ainda mais interessante quando entra em diálogo com arte popular, madeira, pedra, cor e memória. É um material bruto, mas que pode ser extremamente acolhedor quando usado com sensibilidade”, avalia.
“A principal dica é equilibrar. O concreto sozinho pode ficar duro demais. Eu gosto de misturar com madeira, fibras naturais, obras de arte, iluminação quente e elementos afetivos. É isso que faz o concreto sair do aspecto frio e ganhar alma”, ela complementa.
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Dicas para expor o concreto aparente
De acordo com Cecília, o principal cuidado ao optar por expor o material em sua forma bruta é compreender que o concreto aparente não deve ser encarado apenas como uma escolha estética.
“Seu sucesso depende de um projeto integrado entre arquitetura, estrutura e execução. Também é importante especificar corretamente as formas, prever as juntas e definir o acabamento desejado antes do início da obra”, orienta.
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Lembre-se de prever, antes da concretagem, todas as tubulações elétricas e hidráulicas embutidas, pois rasgar o concreto depois destrói o acabamento. “Por fim: aceite a natureza do material; manchas leves e pequenas irregularidades são a identidade dele, não defeitos”, pondera Fernando.
Cuidados e manutenção do concreto aparente
Assim que a estrutura de concreto aparente é desenformada e curada, o principal cuidado passa a ser a proteção contra infiltrações, manchas e fuligem. Para isso, podem ser aplicados tratamentos de superfície, como hidrofugantes, que não alteram a cor, ou vernizes foscos e acetinados, que ajudam a selar a porosidade do material.
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A proteção da superfície é especialmente importante em áreas expostas à umidade, como banheiros e espaços externos, ou de muito uso. “Também é preciso entender que ele tem variações naturais. Não é um material perfeito, e justamente por isso ele é tão bonito”, comenta Cecília.
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Quando corretamente executado, o concreto aparente demanda pouca manutenção. “Sua durabilidade é uma das principais características que justificam sua utilização. No caso de fachadas e áreas expostas a intempéries, demanda avaliação visual periódica para verificação de patologias”, pontua Grazzieli.
No dia a dia, os cuidados se resumem a lavagens periódicas com água e sabão neutro ou, no caso de fachadas, ao uso moderado de máquina de alta pressão. Também é recomendável reaplicar o hidrofugante ou verniz a cada 3 a 5 anos, dependendo da exposição à chuva e ao sol, e evitar produtos abrasivos ou muito químicos.
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“Em bancadas e áreas molhadas, vale revisar a proteção de tempos em tempos para evitar manchas e infiltrações”, sugere Cecília.
Diferença entre concreto aparente e cimento queimado
Apesar da aparência semelhante, o concreto aparente e o cimento queimado são materiais diferentes — e comumente confundidos. O primeiro é o próprio elemento maciço e estrutural da edificação, composto por pedra, areia, cimento e aço.
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Já o segundo é apenas um acabamento superficial, feito de uma fina camada de argamassa de cimento, areia e água, que pode ser aplicado sobre um piso ou parede para dar aspecto estético.
“O concreto tem mais presença, peso e verdade construtiva; o cimento queimado é mais uma camada de revestimento”, analisa Cecília.
expresso.arq com informações de Ana Sachs


