Fireplace no jardim: como criar áreas de convivência com lareiras externas

Com a busca por áreas externas mais confortáveis, elementos como fire pits, fogos de chão e fireplaces têm ganhado espaço em projetos de paisagismo e lazer. Além de proporcionar conforto térmico, essas estruturas funcionam como pontos de encontro e ajudam a prolongar o uso do jardim durante o outono e o inverno.

Segundo o paisagista e biólogo Júlio Sousa, o fogo exerce um papel importante na composição visual. “Além de aquecer o ambiente, atua como um ponto focal na paisagem, criando uma atmosfera acolhedora que incentiva as pessoas a se reunirem para conversar, relaxar ou contemplar”, afirma.

O que é um fireplace?

Embora fireplace seja a tradução em inglês para lareira, o termo passou a ser usado no mercado brasileiro para os modelos contemporâneos, geralmente lineares, embutidos e sem chaminés. Essas versões costumam funcionar a gás ou bioetanol e podem ser instaladas em paredes, móveis ou estruturas integradas à área externa.

A principal diferença em relação às lareiras tradicionais está na instalação. Enquanto as convencionais exigem chaminé para a saída da fumaça, os fireplaces modernos dispensam essa estrutura e apresentam visual minimalista.

Todos os quartos dão acesso para o jardim. Na varanda, o fogo de chão garimpado em antiquário foi posicionado junto a poltronas de acervo da família. Almofadas de Cintia Villela. Cestos da Íris Garden — Foto: Anita Soares/Divulgação | Projeto do escritório Fossati Arquitetura
Todos os quartos dão acesso para o jardim. Na varanda, o fogo de chão garimpado em antiquário foi posicionado junto a poltronas de acervo da família. Almofadas de Cintia Villela. Cestos da Íris Garden — Foto: Anita Soares/Divulgação | Projeto do escritório Fossati Arquitetura

Fire pit, fogo de chão, lareira ou fireplace?

Embora muitas vezes sejam tratados como sinônimos, fogo de chão, fire pit, lareira e fireplace possuem características distintas. Entenda a seguir!

  • Fogo de chão: é a versão mais simples e rústica, normalmente executada diretamente no solo ou em uma cava cercada por pedras ou tijolos.
  • Fire pit: é uma estrutura projetada para conter o fogo de forma controlada, podendo ser fixa ou portátil e fabricada em materiais como aço, concreto e pedra.
  • Fireplace: tornou-se um termo associado às versões contemporâneas da lareira, geralmente lineares, embutidas e abastecidas por gás ou bioetanol.
  • Lareiras: são construções verticais equipadas com chaminé, enquanto os fireplaces modernos costumam ser lineares e movidos a gás ou bioetanol.
Com vista para o lago, o fireplace é rodeado por um gramado e por ipês-rosas que foram preservados — Foto: Júlia Tótoli/Divulgação | Paisagismo de Depieri Paisagismo
Com vista para o lago, o fireplace é rodeado por um gramado e por ipês-rosas que foram preservados — Foto: Júlia Tótoli/Divulgação | Paisagismo de Depieri Paisagismo

Para o paisagista e botânico Alexandre Galhego, a popularização desses modelos está relacionada à maior flexibilidade de instalação. “No paisagismo brasileiro, o termo fireplace passou a designar as lareiras externas integradas a varandas, pergolados ou áreas gourmet”, reforça.

Como escolher o modelo ideal

A presença do fogo influencia diretamente a forma como as pessoas ocupam a área externa. Em muitos projetos, se transforma no centro da composição, orientando a disposição dos móveis, da iluminação e até da vegetação.

Entre os caminhos que percorrem o jardim de forma orgânica, um espaço de contemplação se destaca com as poltronas Astúrias, de Carlos Motta, e fire pit do acervo dos moradores — Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Sabella Arquitetura | Paisagismo de Treliz Paisagismo
Entre os caminhos que percorrem o jardim de forma orgânica, um espaço de contemplação se destaca com as poltronas Astúrias, de Carlos Motta, e fire pit do acervo dos moradores — Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Sabella Arquitetura | Paisagismo de Treliz Paisagismo

“O fire pit ou a lareira funcionam como eixo de composição, e não como uma peça isolada. Os assentos, o piso e o paisagismo devem convergir para esse ponto”, diz Alexandre.

Por isso, layouts circulares ou em formato de U costumam ser os mais utilizados. Bancos de madeira, cadeiras para áreas externas, sofás e pufes ajudam a criar uma atmosfera acolhedora ao redor da chama. O entorno ainda pode ser demarcado com pedriscos, seixos, concreto ou dormentes de madeira, reforçando a sensação de permanência.

Próximo ao fogo de chão, pinanga-de-coroa, helicônia, pleomele, guaimbê e liríope. Ao fundo, a árvore ixora preservada — Foto: Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do escritório Voa Arquitetura | Paisagismo de Bia Abreu
Próximo ao fogo de chão, pinanga-de-coroa, helicônia, pleomele, guaimbê e liríope. Ao fundo, a árvore ixora preservada — Foto: Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do escritório Voa Arquitetura | Paisagismo de Bia Abreu

Além do aspecto funcional, o fogo contribui para a leitura visual do jardim após o pôr do sol. “Em muitos casos, é o elemento que estende o uso da área externa para depois do anoitecer”, destaca Alexandre.

Qual lareira externa escolher?

A definição do sistema depende principalmente do tamanho da área disponível, do orçamento e da frequência de uso.

Próximo ao fogo de chão, costela-de-adão, guaimbê e trapoeraba. Placas de quartzito da RFP Pisos e Revestimentos — Foto: JP Image/Divulgação | Paisagismo de Catê Poli
Próximo ao fogo de chão, costela-de-adão, guaimbê e trapoeraba. Placas de quartzito da RFP Pisos e Revestimentos — Foto: JP Image/Divulgação | Paisagismo de Catê Poli

Para jardins amplos e propriedades rurais, o fogo de chão costuma ser uma alternativa compatível com propostas rústicas e informais. Já os fire pits aparecem como uma solução versátil, disponível em modelos portáteis ou fixos e capaz de se adaptar a espaços de diferentes dimensões.

Os fireplaces, por outro lado, exigem maior integração com a arquitetura da residência. Costumam ser instalados em varandas, áreas gourmet, pergolados e ambientes semi cobertos, onde podem ser utilizados com frequência ao longo do ano.

O sofá curvo "abraça" o fire pit, da Construflama, todos revestidos de granito Álamo Navona, da Granos, com instalação da Hiper Pedras, material aplicado também no piso. O paisagismo tem projeto de Catê Poli, com implantação de Mônica Costa e execução da Dutra Paisagismo. Ducha de piso da Acqua Design — Foto: Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do escritório Conectarq | Paisagismo de Catê Poli, implantado por Mônica Costa e execução da Dutra Paisagismo
O sofá curvo “abraça” o fire pit, da Construflama, todos revestidos de granito Álamo Navona, da Granos, com instalação da Hiper Pedras, material aplicado também no piso. O paisagismo tem projeto de Catê Poli, com implantação de Mônica Costa e execução da Dutra Paisagismo. Ducha de piso da Acqua Design — Foto: Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do escritório Conectarq | Paisagismo de Catê Poli, implantado por Mônica Costa e execução da Dutra Paisagismo

Segundo Júlio, também é importante considerar a infraestrutura necessária. “Lareiras e fireplaces exigem planejamento arquitetônico e, muitas vezes, sistemas como tubulação de gás ou pontos específicos de instalação”, pontua.

Outro tópico importante é que a segurança deve orientar todo o projeto. Fire pits e fogos de chão devem ser instalados em áreas abertas, afastados de vegetação seca, copas baixas e materiais inflamáveis. Já fireplaces e lareiras costumam funcionar melhor próximos à casa, integrados a muros, varandas ou pergolados.

Próximo à jabuticabeira, fogo de chão idealizado pelo SP Arquitetos com tocha interna da Construflama e seixos Campos do Jordão. Bancos da Bali Móveis Rústicos. Ao fundo, sapatinho-de-judia em vaso conduzido por malha metálica — Foto: Leandro Moraes/Divulgação | Projeto do escritório SP Arquitetos | Paisagismo de Clariça Lima
Próximo à jabuticabeira, fogo de chão idealizado pelo SP Arquitetos com tocha interna da Construflama e seixos Campos do Jordão. Bancos da Bali Móveis Rústicos. Ao fundo, sapatinho-de-judia em vaso conduzido por malha metálica — Foto: Leandro Moraes/Divulgação | Projeto do escritório SP Arquitetos | Paisagismo de Clariça Lima

Mais um aspecto importante é a direção predominante dos ventos: a análise desse fator evita desconfortos futuros. “É fundamental observar a rosa dos ventos do terreno para que a fumaça não seja direcionada para dentro da residência ou para o rosto”, explica Júlio.

Além disso, plantas muito próximas ao foco de calor podem sofrer danos ou representar riscos, especialmente em estruturas abastecidas com lenha.

Ao redor do fire pit, poltronas da Minotti criam um ambiente aconchegante no jardim — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do escritório TWO Arquitetura
Ao redor do fire pit, poltronas da Minotti criam um ambiente aconchegante no jardim — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do escritório TWO Arquitetura

Manutenção da lareira externa

Nos modelos a lenha, como fogos de chão e alguns fire pits, a principal recomendação é remover as cinzas após o uso e manter a área protegida da umidade. Estruturas metálicas também podem exigir cobertura quando permanecem expostas à chuva.

As lareiras tradicionais demandam limpeza periódica da chaminé para evitar o acúmulo de fuligem. Já os fireplaces abastecidos por gás ou bioetanol apresentam manutenção mais simples, normalmente limitada à limpeza das superfícies e à revisão das conexões de segurança.

No quintal do imóvel, o paisagista Alexandre Furcolin criou uma praça com fireplace para que os moradores aproveitem o jardim mesmo nos dias frios  — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Projeto de arquitetura do escritório Padovani Arquitetos | Paisagismo de Alexandre Furcolin
No quintal do imóvel, o paisagista Alexandre Furcolin criou uma praça com fireplace para que os moradores aproveitem o jardim mesmo nos dias frios — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Projeto de arquitetura do escritório Padovani Arquitetos | Paisagismo de Alexandre Furcolin

No caso das lareiras ecológicas, Alexandre alerta para os cuidados durante o abastecimento. “Nunca se deve reabastecer o reservatório com a chama acesa ou enquanto o equipamento ainda estiver quente.”

Sustentabilidade da fonte de energia

O impacto ambiental dessas estruturas está diretamente ligado ao combustível utilizado. Modelos abastecidos com lenha produzem fumaça e emissões, embora o uso de lenha certificada ou briquetes ecológicos ajude a reduzir esse impacto. Já os fireplaces movidos a bioetanol utilizam combustível de origem renovável e apresentam uma queima mais limpa.

O fireplace foi planejado com apoios para copos escondidos na madeira. Execução da Construtora Greenwood — Foto: João Vitor Sarturi/Divulgação | Projeto da arquiteta Gabriela Casagrande
O fireplace foi planejado com apoios para copos escondidos na madeira. Execução da Construtora Greenwood — Foto: João Vitor Sarturi/Divulgação | Projeto da arquiteta Gabriela Casagrande

“Para um projeto que busca menor impacto ambiental, os modelos a bioetanol e a gás costumam ser as alternativas mais eficientes, pois não geram fuligem nem resíduos sólidos”, coloca Júlio.

Além do combustível, a durabilidade dos materiais influencia a sustentabilidade do projeto. Estruturas executadas em pedra natural, aço corten, concreto ou inox tendem a apresentar vida útil longa, reduzindo a necessidade de substituições ao longo do tempo.

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, por favor verifique se o captcha está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.