Rancho Neverland: a excêntrica casa onde Michael Jackson viveu
Com o lançamento de Michael, filme biográfico de Michael Jackson (1958-2009), interpretado por seu sobrinho Jaafar Jackson, a personalidade excêntrica do rei do pop voltou a se destacar. Na produção, porém, um elemento importante ficou de fora das telas: o Rancho Neverland, propriedade no condado de Santa Bárbara, na Califórnia, nos Estados Unidos, onde o artista morou entre 1988 e 2005, e que serviu de cenário para a criação de sucessos como Black or White.
Para além da música, Michael cultivava fascínio pelas personagens da Walt Disney Company, especialmente Peter Pan. Daí surgiu o nome Neverland, inspirado na Terra do Nunca. O cantor transformou o local em um parque de diversões completo, com roda-gigante, carrossel, montanha-russa, cinema e até um zoológico próprio.
Conheça o Rancho Neverland
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Michael conheceu a propriedade em 1983, durante as gravações do clipe Say Say Say, faixa ao lado de Paul Mccartney. Na época, o rancho se chamava Sycamore Valley Ranch e pertencia ao promotor imobiliário William Bone. A casa principal, concluída em 1982, foi concebida como uma mansão de campo, cercada por jardins, ponte de pedra e um lago de quatro acres com cascata.
Em março de 1988, no auge da carreira após o álbum Bad, Michael adquiriu a propriedade por valores estimados entre US$ 20 e 30 milhões e a rebatizou de Neverland.
A partir daí, iniciou uma transformação radical. Inspirado nos parques da Disney, adaptou os 2.700 acres com atrações, fliperama, cinema e um zoológico com animais exóticos.
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A residência principal tinha 1.170 m², com seis quartos, nove banheiros, três casas de hóspedes e uma suíte master com loft privativo. Entre os itens de luxo, estavam lareira, despensa de mordomo, hidromassagem, sauna e vista para as montanhas da região de Los Angeles.
O rancho também contava com seu próprio sistema ferroviário interno, com locomotiva a vapor batizada de Katherine, em homenagem à sua mãe. Por isso, o espaço requeria de uma rede extensa de funcionários, responsáveis pela manutenção, segurança, operação das atrações e cuidado dos animais.
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Neverland era constantemente ocupada por convidados, especialmente crianças. Michael recebia grupos vindos de hospitais, instituições de caridade e famílias convidadas. Ainda, o rancho foi palco de eventos importantes, como o casamento entre Elizabeth Taylor e Larry Fortensky, em 1991.Selecione suas newsletters
As polêmicas por trás do Rancho Neverland
Em 1993, porém, a propriedade foi atravessada pelas denúncias de abuso sexual infantil que culminaram em julgamento, em 2005. Em 2003, a residência chegou a ser vasculhada por policiais em conexão a um processo de abuso sexual contra um menor.
Apesar de não ter sido condenado, o artista deixou a residência em 2005, afirmando que já não se sentia mais em casa. O artista nunca mais retornou à propriedade. Em paralelo, o rancho enfrentou dificuldades financeiras, risco de leilão e reestruturações de controle.
Em 2008, a propriedade quase foi leiloada por dívidas milionárias, sendo preservada após acordos com investidores
Neverland após a morte de Michael Jackson
Após a morte de Michael, em 2009, parte das atrações do rancho começaram a ser vendidas ou alugadas separadamente para parques pelos Estados Unidos. Já o zoológico foi desativado.
Em 2016, a Colony NorthStar e o espólio de Jackson anunciaram o imóvel para venda, com o objetivo de atingir até US$ 100 milhões. O rancho passou anos no mercado, com valores que caiam progressivamente diante da dificuldade de venda, deixando a propriedade ‘desativada’ e sem conservação.
Foi apenas em 2020, 11 anos após o falecimento do artista, que o bilionário Ron Burke, amigo da família Jackson, adquiriu o imóvel por US$ 22 milhões como oportunidade de negócios. Porém, se manteve fechada e sem conservação.
Em 2024, a propriedade passou por uma reforma para a cinebiografia de Michael Jackson, revitalizando a residência, as paisagens e, inclusive, algumas das atrações do parque. Ao não aparecer no longa, acredita-se que o rancho será utilizado para a segunda parte da cinebiografia, que até agora não foi confirmada.
expresso.arq com informações de Adriana Marruffo


