Esta casa foi elevada 7 metros do chão para enfrentar enchentes e furacões
Tom Kundig aprendeu lições sobre resiliência antes mesmo de conhecer a palavra. Quando criança, viu muitas construções industriais e agrícolas na zona rural do Noroeste Pacífico abandonadas, porém ainda de pé — suas colunas de aço resistindo intactas às condições rigorosas do inverno. Essa experiência mostrou-se valiosa quando ele foi convidado a projetar uma casa para uma família jovem em um terreno no litoral do Mississippi, sujeito a inundações severas.
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Os clientes, Joel e Jill Kavanaugh, haviam se apaixonado por um terreno que fazia divisa com a área de preservação Gulf Islands National Seashore, em Ocean Springs, Mississippi. A propriedade de cerca de 4.000 metros quadrados tinha vista para o Davis Bayou, com o Golfo do México visível ao longe. Esse era o cenário de fundo; em primeiro plano, havia cerca de uma dúzia de carvalhos-da-virgínia centenários, cobertos por musgo-espanhol.
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Como diz Joel, ele e Jill já possuíam a pintura; agora, queriam a moldura. E queriam que essa moldura fosse obra de Tom Kundig, cujas casas de estilo robusto eles admiravam em revistas há anos.
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Kundig aceitou o trabalho e viajou para o Mississippi para conhecer a propriedade, que, em seus pontos mais altos, eleva-se apenas um metro e meio acima do nível do mar. O bom senso e as normas governamentais indicavam que Kundig deveria elevar a casa cerca de sete metros em relação ao solo — “acima até mesmo dos mosquitos”, brinca ele. Fiel ao seu estilo, Kundig não apoiaria a casa em frágeis pilares de madeira, mas sim em robustas colunas de aço. “Queríamos abraçar as condições singulares do local, e não camuflá-las”, diz.
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A casa em si seria revestida com chapas de aço Corten, pré-envelhecidas pelo fabricante sediado em Kansas City. O telhado e outras superfícies expostas também seriam metálicos. Além disso, as janelas teriam resistência suficiente para suportar ventos constantes de 140 milhas por hora (aprox. 225 km/h), com rajadas de até 200 milhas por hora (aprox. 320 km/h) — uma exigência para “zonas de furacões de alta velocidade”, a menos que o vidro possa ser protegido por persianas externas.
No entanto, apesar de Kundig recorrer a materiais industriais, a casa transmitiria uma atmosfera acolhedora e doméstica. Seus elementos mais marcantes são uma escada em zigue-zague, com um patamar que funciona como mirante, e uma varanda telada espaçosa o bastante para que a família Kavanaugh passasse grande parte do tempo nela. Tetos de madeira, visíveis do nível do solo, complementam o revestimento avermelhado de aço Corten.
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Kundig é um dos muitos arquitetos que projetam casas capazes de resistir a eventos climáticos extremos — bem como a incêndios —, fenômenos que se tornaram particularmente severos neste período de mudanças climáticas. Ele também é um dos muitos arquitetos que provam que casas resilientes não precisam parecer bunkers. Kundig, cofundador da Olson Kundig Architects em 1986, afirma: “As pessoas nos procuram em busca de casas que exijam pouca manutenção, mas que elas esperam que durem por gerações”. E, como se verifica, acrescenta ele, “essas mesmas casas tendem a ser resistentes às grandes forças da natureza”.
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Por isso, Kundig afirma que “praticamente todas” as suas casas podem ser consideradas resilientes. Elas ocupam locais impressionantes (e desafiadores) na Europa, Ásia, África e nas Américas do Norte e do Sul. Ele ainda não fincou sua bandeira na Antártida. “Falar em resiliência…”, reflete ele. “Seria um lugar fascinante para construir.” E quanto à Lua ou a Marte? Esses lugares não o atraem da mesma forma: “Acho que já temos desafios suficientes aqui na Terra”, diz Kundig.
expresso.arq com informações de Fred A Bernstein


