Imóveis compactos concentram 70% dos lançamentos em São Paulo
Os imóveis de 30 m² a 45 m² concentraram 70% dos lançamentos residenciais da cidade de São Paulo em junho de 2026. Segundo levantamento do Secovi-SP, 8.777 unidades dessa faixa chegaram ao mercado no mês.
O segmento também respondeu por 64% das vendas, com 5.985 unidades comercializadas. A velocidade de vendas sobre oferta (VSO) atingiu 11,1%, o maior índice entre as metragens analisadas.
Segmento movimenta R$ 1,9 bilhão
As vendas de unidades entre 30 m² e 45 m² geraram R$ 1,9 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV). O montante correspondeu a 46% dos R$ 4,2 bilhões movimentados pelo mercado residencial paulistano em junho.
Com base no volume vendido, o tíquete médio ficou próximo de R$ 317 mil por imóvel. A faixa de R$ 275 mil a R$ 400 mil concentrou 49% das vendas na capital, com 4.527 unidades.
Os imóveis abaixo de R$ 275 mil tiveram VSO de 12,7%, a maior entre as faixas de preço. Já as unidades com menos de 30 m² representaram 17% dos lançamentos e 26% das vendas, com 2.137 e 2.405 imóveis, respectivamente.
MCMV orienta o desenho dos projetos
O desempenho dos compactos acompanha as novas condições do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Desde abril de 2026, imóveis de até R$ 400 mil podem ser financiados na Faixa 3 em todo o país.
Em junho, as faixas do programa responderam por 81% dos lançamentos em São Paulo, com 10.181 unidades, e por 75% das vendas, com 6.957 imóveis. Os dados ajudam a explicar a estratégia das incorporadoras de reduzir metragens para manter os preços dentro dos limites de financiamento mais procurados.
Para Ely Wertheim, CEO do Secovi-SP, a demanda tende a se concentrar em unidades de 40 m² a 60 m², em vez de apartamentos extremamente pequenos.
Segundo ele, o formato atende investidores e compradores no início da vida residencial, que buscam menor tíquete e boa liquidez. “Além disso, são ideais para pessoas que estão começando suas vidas. Os compactos se adaptam ao ciclo natural do comportamento do consumidor”, afirmou à Exame.
Interior paulista acompanha a tendência
No primeiro trimestre de 2026, imóveis de até 45 m² representaram 58% dos lançamentos, 45% das vendas e 38% do estoque nas 41 cidades paulistas analisadas pelo Secovi-SP.
Nessas cidades, o MCMV respondeu por 59% dos lançamentos e 58% das vendas. As contratações com recursos do FGTS passaram de 36,2 mil unidades em 2022 para 63,1 mil nos 11 primeiros meses de 2025.
“Existia aquela ideia de que quem mora fora da capital não queria apartamento porque tinha espaço para morar em casa, mas isso mudou. Os jovens do interior querem uma vida mais moderna, com as conveniências de um condomínio, como academia, convivência e comunidade. O apartamento, mesmo menor, passou a carregar uma proposta de qualidade de vida”, avalia Wertheim.
Mercado paulistano vende 9,3 mil unidades
No conjunto do mercado, São Paulo vendeu 9.308 imóveis residenciais em junho. Nos 12 meses encerrados naquele mês, foram 114 mil unidades e R$ 59,7 bilhões em VGV, enquanto os lançamentos somaram 143,7 mil unidades.
A Zona Leste liderou os lançamentos, com 36% do total. A Zona Sul concentrou 30% das vendas e 33% do VGV, equivalente a R$ 1,4 bilhão. O Centro teve a maior VSO da cidade, de 10,8%.
expresso.arq com informações de Marcela Guimarães


