Esqueça os corredores: esta escola transforma a natureza em sala de aula
A arquitetura escolar é um dos pilares fundamentais para o desempenho e o bem-estar de alunos e professores. Ainda assim, muitas instituições seguem um modelo padronizado: edifícios pouco flexíveis, enclausurados e incapazes de estabelecer uma relação com o território ao seu redor. A The Garzón School, em Punta del Este, no Uruguai, propõe justamente o contrário. O projeto parte de uma visão de educação em que a arquitetura deixa de ser apenas o pano de fundo da aprendizagem para se tornar uma força ativa na maneira como as crianças pensam, se movimentam, colaboram, refletem e se conectam com o mundo.
O entorno como parte da jornada educacional
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Projetada pelo Rosan Bosch Studio, escritório de arquitetura sediado em Copenhague, na Dinamarca, a escola nasce de um questionamento sobre a educação contemporânea: de que tipo de ambiente as crianças precisam em uma era cada vez mais marcada pelas telas, pela inteligência artificial e pela aceleração digital? À medida que a tecnologia transforma o acesso ao conhecimento e a relação de crianças e jovens com o mundo, o projeto reafirma a importância do espaço físico, das experiências sensoriais, das conexões humanas e do contato direto com a natureza.
A The Garzón School não rejeita a tecnologia. Em vez disso, oferece um contraponto oportuno. Para a instituição, as crianças precisam de ambientes onde possam tocar diferentes materiais, observar as mudanças das estações, mover-se livremente, testar ideias, colaborar presencialmente e construir uma relação significativa com o mundo natural.
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Implantada em uma área de 380 mil m² — equivalente a cerca de 53 campos de futebol —, a escola está cercada por florestas de eucalipto, campos e um lago, que passam a integrar o próprio processo de aprendizagem. Sob o princípio “a escola é o parque, e o parque é a escola”, o projeto dissolve a fronteira convencional entre salas de aula e paisagem. Aqui, a natureza não funciona como cenário nem como destino ocasional, mas como parte integrante da experiência educativa.
O campus convida as crianças a aprender em ambientes internos, externos e também nos espaços de transição entre eles. Caminhos, praças, vegetação, estruturas de madeira e áreas abertas formam um conjunto que estimula a curiosidade, o movimento e a descoberta ao longo do dia.
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Em vez de depender de salas de aula fixas e corredores rígidos, a escola adota uma organização espacial flexível, capaz de acomodar diferentes formas de ensinar, aprender e ocupar o espaço.
Por dentro da arquitetura da The Garzón School
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Todo o campus foi construído com madeira proveniente de fontes sustentáveis e recebeu acabamento com a tradicional técnica japonesa Shou Sugi Ban, que consiste na carbonização da superfície da madeira. Além de aumentar sua durabilidade e resistência, o método confere aos edifícios uma identidade arquitetônica marcante, de forte apelo tátil e visual. A escolha dos materiais reforça o compromisso do Rosan Bosch Studio com uma arquitetura de baixo impacto ambiental e profundamente conectada ao lugar.Selecione suas newsletters
A vegetação nativa e as praças de tijolos, inspiradas na arquitetura tradicional uruguaia, inserem a escola em seu contexto cultural e ecológico. O resultado é uma instituição contemporânea, mas profundamente enraizada na paisagem onde está implantada.
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No centro do projeto está a convicção do Rosan Bosch Studio de que os ambientes educacionais devem apoiar todas as dimensões do desenvolvimento infantil. Por isso, o campus é organizado em torno de seis Learning Worlds (“Mundos da Aprendizagem”): Mountain Top, Cave, Campfire, Watering Hole, Hands-on e Movement. Cada tipologia espacial foi concebida para estimular uma forma específica de aprender.
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O Mountain Top reúne espaços voltados para apresentações, performances e momentos de comunicação coletiva. A Cave abriga ambientes mais reservados, destinados à concentração, ao recolhimento e à reflexão. Já o Campfire favorece a contação de histórias, o diálogo e a escuta compartilhada, enquanto o Watering Hole incentiva encontros espontâneos, trocas informais e a aprendizagem entre os próprios alunos.
Os espaços Hands-on são dedicados à experimentação, à criação e à resolução prática de problemas. Já as áreas de Movement reconhecem o papel essencial da atividade física, do brincar e da aprendizagem corporal no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.
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O modelo reflete um entendimento cada vez mais presente na arquitetura educacional: nem todas as crianças aprendem da mesma maneira, e os espaços podem ampliar — ou limitar — as possibilidades de ensino. Ao oferecer diferentes atmosferas e configurações espaciais, a escola permite que alunos e professores transitem entre distintos ritmos e formas de aprendizagem. Não por acaso, o próprio projeto se define como uma paisagem pedagógica, em que cada decisão arquitetônica influencia a maneira como as crianças constroem conhecimento, se relacionam entre si e interagem com o ambiente.
Mais do que abrigar atividades escolares, a arquitetura estimula a autonomia sem abrir mão do senso de comunidade. Ela cria momentos de abrigo e abertura, de quietude e movimento, de introspecção e convivência.
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Ao colocar a natureza, a materialidade e a diversidade espacial no centro da experiência educativa, a The Garzón School demonstra como a arquitetura pode contribuir para formar crianças mais curiosas, confiantes e conectadas com o mundo que as cerca.
expresso.arq com informações de Adriana Marruffo


