O que está por trás da construção dos maiores edifícios do mundo
Com previsão de conclusão em 2028, o edifício que pretende bater o recorde de arranha-céu mais alto do mundo já está em construção na Arábia Saudita. Trata-se da Jeddah Tower, que terá mais de 1.000 metros de altura e 130 andares, superando com folga o atual recordista, o Burj Khalifa, em Dubai, com 828 metros.
Arranha-céus como esses chamam atenção pela engenharia e pelo design tecnológico; e seguem em expansão ao redor do mundo. Somente nas Américas, havia mais de 4,7 mil edifícios altos concluídos em 2025 — um crescimento de 41% em relação a 2015, segundo o Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano (CTBUH).
“Para o senso comum, a construção de edifícios altos é um dos símbolos do avanço da tecnologia na engenharia civil e na arquitetura, sendo muitos desses empreendimentos considerados marcos urbanos, que expressam inovação, capacidade de planejamento complexo e a busca por mais eficiência na ocupação do espaço nas grandes cidades”, analisa Viviane Rubio, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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Apesar do aumento no número de edifícios altos, construções de grandes magnitudes exigem cuidados extras no seu processo construtivo. Aqui, contamos algumas curiosidades sobre como os arranha-céus ganham vida.
Demanda financeira
Antes do projeto sair do papel é necessário ter um cronograma financeiro bem definido. A Jeddah Tower, por exemplo, teve suas obras iniciadas em 2013, mas paralisadas entre 2018 e 2024. A paralisação teria acontecido devido à falta de liderança e financiamento após um escândalo de corrupção. Sem dinheiro, a obra não avançava.
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“O custo cresce de forma não linear com a altura. O verdadeiro limite hoje não é a física, mas a equação entre viabilidade econômica e segurança operacional”, aponta Pedro Lyra, coordenador do curso de engenharia civil do Instituto Mauá de Tecnologia.
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O preço estimado para colocar de pé o arranha-céu da Arábia Saudita é de US$ 1,2 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 6 bilhões, segundo o site da Thornton Tomasetti, empresa de engenharia responsável pelo projeto ao lado dos arquitetos Adrian Smith + Gordon Hill.
A fundação
A fundação de uma obra é sua parte estrutural localizada abaixo do solo. É ela que garante a estabilidade e a segurança de um edifício. Um prédio com mais de 100 metros precisa de uma fundação bem feita para que se mantenha de pé.
“As fundações sustentarão não só o peso próprio da edificação, mas também a carga excedente do mobiliário, o peso e a circulação das pessoas”, conta a professora.
Mais do que a altura da construção, essa etapa leva em consideração o tipo de solo do local. “Em geral, o solo é composto por camadas e, para a definição do tipo de fundação, é necessário encontrar a parte mais resistente”, diz Viviane.
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Quanto mais próxima de cursos d’água estiver a construção, menor tende a ser a resistência do solo e maior o nível de umidade no terreno. Nesses casos, é necessário aprofundar as fundações até atingir camadas mais firmes. Em obras menores e de baixa altura, instaladas sobre solos moles, também podem ser adotadas fundações rasas.
No caso da Jeddah Tower, a fundação tem 5 metros de espessura, apoiada sobre 270 estacas escavadas de 1,8 metro de diâmetro, que alcançam profundidades de até 105 metros.
Resistência ao vento
Um dos principais desafios enfrentados pelos prédios mais altos do mundo é a incidência do vento. “Em um prédio convencional, a estrutura principal resiste basicamente ao peso vertical e ao vento. Em um arranha-céu, o projeto é dominado pelas forças horizontais – vento e sismo”, compara Pedro.
Uma das estratégias para contornar essa dificuldade está na escolha por bordas arredondadas. “Plantas que variam de andar em andar e recortes aerodinâmicos no topo ajudam a reduzir o efeito do vento e evitar a formação de vórtices regulares”, pontua.
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Internamente, a aposta está nos amortecedores de massa sintonizada, grandes blocos ou tanques de água de centenas de toneladas, suspensos nos andares mais altos, que oscilam em sentido contrário ao edifício, absorvendo a energia do movimento.
Materiais de alto desempenho
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Em geral, o material mais utilizado é o concreto armado. O metal também pode ser utilizado para a estrutura, como no caso do W Tower Itapema, que está sendo construído no município de Itapema, SC.
Segundo Pedro, a evolução tecnológica dos materiais viabiliza edifícios cada vez mais altos. “Os materiais também evoluíram: concretos de altíssimo desempenho, com resistência 3 a 4 vezes maior que o convencional”, complementa.
Medidas de sustentabilidade
A construção civil é responsável por 32% do consumo da energia global e 34% das emissões globais de CO₂, segundo o Global Status Report for Buildings and Construction 2024/2025.
Em edifícios de grande altura, esse impacto tende a ser ainda maior devido ao volume de materiais e à demanda energética. Alguns projetos já vêm adotando soluções sustentáveis, como sistemas de reaproveitamento de água das chuvas ou que regulam automaticamente o funcionamento de iluminação e ar-condicionado.
“Há também uma tendência crescente de usar madeira estrutural de alto desempenho, como a madeira laminada cruzada e a madeira laminada colada, em edifícios altos, o que reduz a pegada de carbono em comparação ao concreto e ao aço convencionais”, destaca Pedro.
Planejamento em casos de emergência
“A evacuação em emergências é um problema sério: em uma torre de 100 andares, escadas convencionais são insuficientes”, aponta Pedro.
Para isso, os arranha-céus propõem uma evacuação em camadas. As escadas de emergência são pressurizadas, o que significa que o ar é insuflado para impedir a entrada de fumaça.
Edifícios com mais de 40 andares costumam contar com “andares de refúgio”, que possuem estrutura corta-fogo reforçada, onde os ocupantes podem aguardar resgate se não conseguirem descer de uma vez só.
“A evolução mais recente é a integração de gêmeos digitais – modelos virtuais em tempo real do edifício – que permitem que equipes de emergência saibam exatamente onde estão as pessoas e qual caminho está comprometido”, diz Pedro.
expresso.arq com informações de Bianca Camatta


