Viagem fashionista: parceria entre LVMH e Belmond eleva a hospitalidade com moda, arte e cultura
Imagens recheadas de arte, moda, beleza e cultura se espalham pelos feeds dos hotéis, residências e trens da Belmond. A razão? Desde sua incorporação ao grupo LVMH em 2019, a empresa tem recebido uma injeção de estilo via designers, artistas, fotógrafos e diretores criativos em sintonia direta com as maisons do maior conglomerado de luxo do planeta. Um elenco de peso – que ganhou fôlego extra nos últimos tempos.
Note-se o caso da Villa San Michele, antigo mosteiro franciscano do séc. 15 a poucos quilômetros de Florença, que acaba de reabrir com o primeiro spa de sua história, operado pela Guerlain. Ou o do hotel Mount Nelson, na Cidade do Cabo, que recentemente ganhou uma suíte assinada pelo estilista sul-africano Thebe Magugu, primeiro projeto de interiores de uma das vozes mais referenciadas do circuito internacional da moda hoje. Ou ainda a notícia que vem de Veneza, onde Peter Marino, arquiteto nova-iorquino autor das boutiques Dior, Chanel e Louis Vuitton mais fotografadas do mundo, comanda pelos próximos anos a renovação do Hotel Cipriani. A lista continua.
Luxo multiplicado
Quando o LVMH anunciou a compra da Belmond por 3,2 bilhões de dólares em dezembro de 2018, o grupo conduziu a marca a uma nova fase, pontuada pela integração entre moda, beleza e experiência, aoassumi-la em abril do ano seguinte. O maior conglomerado de luxo do mundo – com Louis Vuitton, Dior, Tiffany & Co., Moët Hennessy entre suas 75 maisons – já atuava no ramo da hospitalidade com seus Cheval Blanc, atualmente presentes em Courchevel, Paris, Saint-Tropez, Maldivas e Seychelles, onde a sinergia dos nomes do LVMH flui a olhos vistos: Spa Dior integrado à estrutura desde o primeiro dia, serviço calibrado na mesma frequência das boutiques, a experiência tratada como uma extensão das grifes.
O que faltava ao grupo era outra coisa: propriedades recheadas de charme e histórias prontas para serem contadas, com pedigree e geografia impossíveis de replicar. O Cipriani, em Veneza desde 1958. O agora centenário Copacabana Palace, defronte ao Atlântico. A Villa San Michele, acima de Florença. O Mount Nelson, cor-de-rosa, sob a Table Mountain.
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Com o LVMH, vieram a visão e o poder de trazer as propriedades ao cenário contemporâneo, com a relevância e o glamour que evocam atualmente. Sete anos depois, o encontro entre os dois universos não para de remodelar ícones da hospitalidade em 47 endereços de 28 países – entre hotéis, trens, lodges e os Les Bateaux Belmond –, assinados por grandes nomes e arrematados por experiências absolutamente diversas e luxuosas.
Florença e Veneza
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Quando se fala de aproveitar a vida, a Itália está sempre na wishlist de todo mundo. Não à toa, muitas das ações mais destacáveis do grupo LVMH acontecem no país. Nas colinas de Fiesole, a Villa San Michele reinaugurou no mês passado após 18 meses fechada. Luigi Fragola, arquiteto florentino especializado em hospitalidade de luxo, assina o redesenho completo: 39 quartos e suítes refeitos com têxteis toscanos, cerâmica artesanal, mármore e terracota, cada espaço construído em sintonia com a tradição artística e artesanal florentina. Três suítes especiais orientam o storytelling: a Limonaia, insta lada na antiga orangerie, com jardim privativo e piscina aquecida; a Grand Tour, no espaço que foi residência de Napoleão Bonaparte; e a Botanica, celebração dos jardins históricos.
Capítulo à parte, os jardins de 9,7 mil m² foram repensados por Luca Ghezzi com espécies renascentistas – íris centenárias, rosas trepadeiras, cítricos em vasos como os cultivados pelos Médici – e canteiros de ervas usados pelos restaurantes da Villa. No novo Spa Guerlain, entra-se por outro jardim, secreto, com murais pintados à mão pela artista Elena Carozzi. Lá dentro, três salas de ônix, marchetaria de palha e rituais concebidos com base naqueles dos monges que habitaram o mosteiro, e na paisagem da Toscana. A americana J.J. Martin, fundadora da La DoubleJ, cuja clientela vai de editores de moda a colecionadores de arte, assume o programa cultural da propriedade, oferecendo experiências ligadas a energia, movimento e expressão criativa.
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Já em Veneza, Peter Marino, que além de arquiteto é colecionador de arte e presidente da Venetian Heritage Foundation, alguém que conhece o local como poucos, avança na renovação do Hotel Cipriani, trabalhando a partir de três eras da cidade: a grandeza da Velha Veneza, a Dolce Vita dos anos 1950 e 60, e o espírito da arte contemporânea. Já entregou lobby e 13 suítes redesenhadas, entre elas as masters Serenissima e Laguna, com salões privados e vista panorâmica. Em junho, abre o primeiro Spa Dior da cidade e, em seguida, os jardins e terraços recebem o Il Bacaro Dior – bar inaugural da maison na Itália, com vista para o Bacino de San Marco e mobiliário de bambu com reinterpretações de toile de jouy –, além da pop-up Dior Riviera, com mobiliário tecido pelos artesãos da Bonacina.
Sicília e Portofino
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Mais ao sul, o Grand Hotel Timeo, primeiro de Taormina, aberto em 1873 pela família La Floresta, conhecido por receber D.H. Lawrence quando escrevia Lady Chatterley’s Lover e as estrelas hollywoodianas Elizabeth Taylor, Cary Grant e Audrey Hepburn, apresentou ano passado a Villa Timeo, residência histórica com 21 acomodações reimaginadas pela designer de interiores Laura Gonzalez, com base numa arqueologia regional: pedra branca dos teatros gregos, cerâmica maiolica pintada à mão, tapeçarias do artista Alessandro Florio com a Rubelli. O hotel é mais um com Spa Dior.
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Como é o Splendido, em Portofino, que também reabriu em 2025 redecorado pelo sueco radicado em Londres Martin Brudnizki, conhecido por interiores de cores, estampas e texturas densas, capazes de reinterpretar referências clássicas. Brudnizki reconfigurou o edifício histórico com artesanato da Ligúria, acabamentos em midollino weave, da tradição do ratã de Chiavari e cerâmica de Albissola. O Splendido estreou ainda a Villa Beatrice, palazzo a 5 minutos do hotel com afrescos originais e acesso direto ao mar.
Cidade do Cabo
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O espírito fashionista do grupo LVMH também se faz sentir no continente africano, mais especificamente no Mount Nelson. O hotel da Belmond na Cidade do Cabo recebe a estreia do estilista sul-africano Thebe Magugu como designer de interiores, assinando a Thebe Magugu Suite. Segundo a empresa, trata-se de um dúplex afromodernista desenvolvido com o StudioLandt, marcado por itens como um pendente inspirado no chapéu Basotho, cadeiras feitas à mão que evocam cerâmica tradicional, papel de parede que traça as paisagens sul-africanas com verdes profundos, índigo e ocres quentes e pisos de granilite. Os chás servidos ali, com notas de baunilha e leite condensado a ervas indígenas como impepho e buchu, foram desenvolvidos pelo tea sommelier Craig Cupido, e cada blend preserva uma história cultural na xícara.
Logo ao lado, a Magugu House funciona como loja, galeria e plataforma cultural, com exposições trimestrais, sessões de cinema e conversas em formato de salão. A primeira mostra, By Our Own Hands, reúne obras de Zanele Muholi, fotógrafa e ativista visual cujo trabalho sobre identidade negra e queer é referência internacional, e Zizipho Poswa, ceramista autora de peças que chegam às coleções de museus em cinco continentes.
Nos trilhos e na água
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Diferencial do grupo que tem dado o que falar, os trens da Belmond atravessam um momento bastante autoral. Um dos vagões do British Pullman, chamado Cygnus, foi concebido pelo cineasta Wes Anderson, de Viagem a Darjeeling e O Grande Hotel Budapeste, a partir de seu olhar retrô, sua paleta pastel e sua obsessão pelo detalhe, que tornaram sua estética imediatamente reconhecível em qualquer tela. Como se não bastasse, desde fevereiro o trem viaja com outra novidade, o vagão Celia, criado por Baz Luhrmann e Catherine Martin dentro de um carro original de 1932. Luhrmann é o diretor de Moulin Rouge e de O Grande Gatsby, e Catherine ganhou quatro Oscars por esses títulos.
Mas se o seu encanto for viajar sobre as águas, a Belmond inaugura este mês na Borgonha o bateau Marguerite, um barco, ou melhor, uma “villa flutuante” de quatro suítes com gastronomia assinada por Dominique Crenn. A bordo, uma curadoria de vinhos e champanhes reúne rótulos do grupo LVMH, como Dom Pérignon, Krug e Ruinart, para serem apreciados em itinerários pelos rios franceses.
Londres chama, Rio é o próximo
No momento em que esta edição da Casa Vogue fechava, a Louis Vuitton anunciava a abertura de um “hotel temporário” na capital britânica, sinalizando, de outra maneira ainda, que as grifes do grupo hoje olham muito mais para o lifestyle do que pura e simplesmente para a moda. A pop-up não é um hotel onde se possa ficar propriamente, mas tem um café, um bar e algumas salas inspiradas em bolsas icônicas da marca. Trata-se de uma nova experiência imersiva no universo da maison, que promete atrair muita gente até 21 de junho.
E, para quem pensa que o Brasil fica de fora da lista, ledo engano. No Rio de Janeiro, o Copacabana Palace prepara, para novembro, a Pool Wing, nova ala com suítes, boutique e espaços de bem-estar voltados para a piscina mais famosa da cidade. A história continua…
expresso.arq com informações de Juliana A Saad


