Ralos e encanamentos: manutenção simples para evitar odores
O mau cheiro nem sempre é sinal de sujeira – e, na maioria das vezes, também não exige grandes obras para ser resolvido. Pequenos descuidos na manutenção e no uso diário estão por trás de boa parte dos problemas em encanamentos domésticos, do odor persistente aos entupimentos silenciosos que se acumulam ao longo do tempo.
Entre limpeza regular, uso correto e alguns pontos-chave da instalação hidráulica, entender o básico pode ser o suficiente para evitar dores de cabeça e gastos desnecessários.
“Na prática de obra e em inspeções técnicas, o mau cheiro em ralos quase sempre está ligado ao retorno de gases da rede de esgoto para o ambiente interno. Isso acontece quando há alguma falha na vedação do sistema”, explica Fabio Teruo, engenheiro civil e conselheiro da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Crea-SP.
Segundo ele, as causas mais comuns são a perda do fecho hídrico (por evaporação ou sucção), acúmulo de matéria orgânica em decomposição, obstruções parciais e, principalmente, falhas de execução – como ausência de ventilação adequada ou instalação incorreta dos dispositivos hidráulicos.
Antes da manutenção, a prevenção
Oculto, mas essencial, há um elemento que funciona como uma barreira física entre a rede de esgoto e o ambiente: o fecho hídrico. Trata-se de um sistema que acumula um pequeno volume de água, impedindo que o cheiro da rede de esgoto retorne.
“Na maioria das vezes, cerca de 90%, o problema está no uso incorreto ou na ausência do sifão adequado ou do ralo sifonado. Muitas pessoas nem sabem por que ele existe. O ralo sifonado serve exatamente para que, entre a saída da rede e o ponto de escoamento, fique um pequeno volume de água acumulado, impedindo que o odor da rede de esgoto retorne”, explica Danilo Desmachio, conhecido como O Empreiteiro.
Fabio complementa: “Sem esse ‘selo’ [fecho hídrico], o sistema perde sua função sanitária básica. Por isso, quando bem instalado e preservado, o sifão resolve grande parte dos problemas de odores”.
Infraestrutura também importa
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Além disso, na infraestrutura hidráulica, o uso de respiros na rede principal de esgoto ajuda a evitar odores. Essas derivações da tubulação conduzem os gases para fora, geralmente acima do telhado, e são muito comuns em prédios.
Hoje, muitos imóveis já contam com sistemas de encanamento e ralos mais modernos. Mas o que fazer quando o problema ocorre em edificações mais antigas?
Manutenção simples para evitar odores
A limpeza é parte importante da manutenção – mas não é a única responsável por evitar odores. Algumas medidas simples já fazem bastante diferença no dia a dia:
- manter o uso periódico dos ralos para preservar o fecho hídrico, já que, em ambientes pouco usados, a água pode evaporar com o tempo;
- evitar o descarte de gordura e resíduos sólidos na rede;
- verificar periodicamente sifões e conexões.
Para Danilo, a manutenção preventiva dos ralos deve ser feita, idealmente, de forma quinzenal, podendo chegar, no máximo, a cada 30 dias.
“Hoje, muitos ralos modernos já contam com dispositivos que evitam o acúmulo de cabelo e sujeira. No caso de residências mais antigas, a recomendação é simples: remover a tampa do ralo e fazer a higienização regularmente. Isso ajuda a prevenir não só entupimentos, que podem levar anos para acontecer, mas também o acúmulo de bactérias e outros problemas de higiene”, afirma.
Já na parte da limpeza, João Pedro Fidelis Lucio, responsável técnico da Maria Brasileira, rede de limpeza residencial e empresarial, recomenda que a manutenção também seja contínua.
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O ideal é realizar uma higienização leve semanal, com remoção de resíduos visíveis, lavagem com água e uso de um produto específico, além de uma limpeza mais profunda a cada 15 dias ou, no máximo, mensalmente, dependendo da intensidade de uso.
“Essa limpeza mais completa inclui retirar a tampa do ralo, escovar as laterais internas com escova apropriada e aplicar um produto adequado para dissolver gordura e eliminar odores. Em áreas como a cozinha, onde há maior acúmulo de gordura, a frequência precisa ser maior”, explica.
Além disso, o uso de telas protetoras ajuda a evitar a entrada de resíduos sólidos, reduzindo significativamente o risco de entupimentos e odores.
Erros mais comuns que favorecem o retorno de odores
O engenheiro civil aponta alguns problemas recorrentes em obras e reformas:
- ausência ou uso inadequado do sifão;
- falta de ventilação da tubulação;
- inclinação incorreta das tubulações;
- conexões mal vedadas;
- uso de ralos secos em locais inadequados;
- dimensionamento incorreto da rede.
“Outro ponto importante é avaliar a condição da rede existente. Muitas vezes, a reforma troca apenas o acabamento e parte do encanamento, mas a rede principal já está comprometida. Por isso, antes de iniciar a obra, é fundamental fazer testes de escoamento em toda a rede – tanto de banheiro quanto de cozinha – para identificar possíveis problemas”, complementa Danilo.
Além das falhas construtivas e de projeto, há também erros de manutenção e uso. Segundo João Pedro, um dos mais comuns é realizar apenas uma higienização superficial, focando na parte visível do ralo e ignorando o interior do encanamento, onde se acumulam resíduos orgânicos, gordura, cabelos e biofilme.
“Outro equívoco frequente é jogar água ou desinfetante por cima sem remover a sujeira física antes, o que acaba mascarando o odor temporariamente, mas não resolve a causa. Também é comum o uso de produtos inadequados ou em quantidade insuficiente, além da mistura de substâncias caseiras que não têm ação efetiva na quebra de gordura ou matéria orgânica”, aponta.
Misturas caseiras funcionam para tirar odores de ralos?
Apesar de populares, essas misturas não têm eficácia garantida e não substituem produtos desenvolvidos especificamente para limpeza de encanamentos.
“A combinação desses ingredientes dá uma falsa sensação de limpeza, sem resolver o problema de forma estrutural. Outro ponto importante é o risco: essas misturinhas podem liberar gases, causar reações inesperadas e até provocar intoxicações em humanos e pets, especialmente em ambientes fechados. O mercado oferece soluções seguras, testadas e com formulação adequada para cada tipo de limpeza, que garantem eficiência sem colocar a saúde em risco”, alerta João Pedro.
Diferença na limpeza do ralo da cozinha, do banheiro e da área de serviço
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Apesar de terem a mesma função, o tipo de resíduo que cada ralo recebe é diferente – e isso exige cuidados específicos.
No banheiro, o principal acúmulo é de cabelos, resíduos de sabonete e produtos de higiene. A limpeza deve focar na remoção mecânica desses materiais, seguida da aplicação de desinfetante.
Na cozinha, o maior desafio é a gordura, que se solidifica nas paredes do encanamento. Nesse caso, são indicados produtos com maior poder desengordurante e o uso de água morna, com cuidado para não danificar a tubulação.
Já na área de serviço, o acúmulo envolve fiapos de tecido, resíduos de sabão e sujeira mais pesada, o que pede uma limpeza mais frequente e produtos que ajudem a dissolver esses resíduos.
“Em todos os casos, o processo correto envolve retirar a tampa, remover a sujeira visível, escovar as laterais internas e aplicar o produto adequado, respeitando o tempo de ação”, orienta.
Quando o problema exige um profissional?
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Quando o odor é persistente, ocorre em vários pontos da edificação ou surge após o uso de outros aparelhos sanitários, é sinal de alerta.
“A atuação de um profissional registrado garante que a intervenção siga as normas técnicas vigentes. Além disso, somente profissionais habilitados podem emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que formaliza a responsabilidade pelo serviço e oferece segurança jurídica e técnica ao contratante”, afirma Fabio.
Antes disso, algumas medidas podem ser tentadas em casos leves: remover resíduos visíveis, usar um desentupidor de borracha ou aplicar produtos específicos, sempre seguindo as instruções do fabricante.
“O que deve ser evitado são soluções improvisadas ou o uso excessivo de força, que podem agravar o problema ou danificar o encanamento. Se o fluxo não normalizar após essas tentativas, o ideal é buscar um profissional para evitar danos maiores”, finaliza.
expresso.arq com informações de Alex Alcantara


