O que é muxarabi? Descubra de uma vez por todas e confira dicas para ter em casa
Clássico elemento arquitetônico, o muxarabi atravessa gerações, mantendo sua relevância ao ser reinterpretado em diferentes épocas e estilos, podendo ser aplicado em diversos ambientes e móveis, como fachadas, armários, divisórias e portas.
Mas, afinal, o que é muxarabi? Tecnicamente, é uma trama de ripas de madeira entrelaçadas. Suas funções principais são: permitir ventilação constante, filtrar a entrada de luz e garantir privacidade.
Diferente do cobogó, o muxarabi funciona como um painel de marcenaria, tendo uma trama mais fina e delicada.
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A origem do muxarabi
O elemento surgiu na arquitetura islâmica medieval, consolidando-se por volta do século 12 em regiões como Egito e Iraque. A palavra tem origem no termo árabe mashrabiya, derivada de sharab (beber, em português), “pois originalmente as treliças eram projetadas para abrigar e resfriar a água”, conta a arquiteta e historiadora Silvia Aline Rodrigues de Rodrigues. Esse efeito era obtido pela evaporação causada pela passagem do vento pelos potes de barro onde o líquido era armazenado.
Ao longo dos anos, essa solução de controle térmico evoluiu para janelas e varandas, garantindo privacidade e proteção solar, tornando-se fundamental na cultura árabe.
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A técnica chegou ao Brasil por meio da colonização portuguesa, herdada após séculos de ocupação moura na Península Ibérica. No período colonial, rótulas e gelosias — janelas inspiradas no muxarabi — foram amplamente utilizadas para enfrentar o calor tropical e preservar a privacidade das famílias.
Com a chegada do Modernismo, o muxarabi passou por adaptações estéticas e funcionais. Arquitetos como Lúcio Costa (1902–1998) transformaram o visual rebuscado do período colonial em um elemento geométrico e racional. Nesse momento, deixou de ser apenas um detalhe nas janelas para ocupar fachadas inteiras, trazendo maior ventilação e leveza aos edifícios modernos.
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Onde aplicar o muxarabi?
Atualmente, o elemento é amplamente aplicado em fachadas, varandas, áreas de transição e jardins de inverno, por exemplo. “Funciona muito bem quando há sol direto e necessidade de filtragem, sem abdicar da ventilação”, diz a arquiteta Nicolle Nogueira.
Além da funcionalidade, pode ser utilizado para criar efeitos de luz e sombra, acrescentando beleza artística aos projetos.
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Apesar de belo e funcional, o muxarabi apresenta um custo elevado de execução, por exigir um trabalho minucioso de marcenaria, além de demandar manutenção constante. Em áreas externas, o acúmulo de poeira nas tramas requer limpeza frequente e tratamentos periódicos na madeira para protegê-la da ação do tempo.
Ao projetar, o tamanho e o formato da trama são essenciais, pois definem a intensidade da circulação de ar: desenhos abertos favorecem a ventilação contínua, enquanto padrões densos filtram o vento e reduzem sua velocidade. “A sombra ‘rendada’ contribui para manter as superfícies internas mais frescas em comparação com panos de vidro”, destaca Silvia.
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Materiais para o muxarabi
O muxarabi pode ser executado em diferentes materiais, como metal, concreto e polímeros. No entanto, a madeira permanece como a opção mais tradicional, conferindo caráter atemporal e adaptando-se a diversos contextos arquitetônicos.
“Mesmo exigindo manutenção a longo prazo, trata-se de um material natural que permite restauração”, pontua a arquiteta Mariane Rios. Além disso, a madeira retém menos calor e oferece maior valor tátil, enriquecendo o conjunto arquitetônico.
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Enquanto isso, os metais, como alumínio ou aço, oferecem precisão, menor necessidade de manutenção, maior durabilidade e permitem vãos mais amplos. Porém, podem irradiar calor quando expostos diretamente ao sol.
Já as versões em concreto ou polímeros facilitam a manutenção e conferem uma estética industrial, embora percam a leveza visual. Os polímeros, por sua vez, ampliam as possibilidades de desenho e reduzem custos, mas exigem atenção quanto ao envelhecimento e à exposição prolongada.
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Como cuidar do muxarabi
Alguns erros de projeto, como ignorar a orientação solar ou não prever a dilatação dos materiais, podem ser evitados com planejamento adequado, reduzindo a necessidade de ajustes futuros.
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Em áreas externas, é essencial escolher acabamentos resistentes às intempéries. Outro aspecto crítico é a fixação e o escoamento da água, que devem ser bem calculados para evitar danos aos materiais.
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A limpeza e manutenção precisam ser frequentes: o uso de aspirador com bico fino ou ar comprimido deve ser repetido ocasionalmente para evitar acúmulo de sujeira, facilitando a higienização pesada. Quando o material permitir, é importante também limpar as cavidades com pano úmido periodicamente.
expresso.arq com informações de Fernando Abreu com Nathalia Fabro


