Qual foi o valor do metro quadrado na construção civil em 2022?

O preço médio do metro quadrado da construção civil no mês de novembro chegou a 1.677,96 reais, segundo os dados mais recentes divulgados pelo SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil).  

Do total do valor nacional da construção por metro quadrado, 1.000,47 reais são relativos aos materiais. Já a parcela da mão de obra no montante é de 677,49 reais.

Em comparação com o mês de outubro, o Índice Nacional do SINAPI subiu 0,15 ponto porcentual, apontando estabilidade.

Ainda assim, no acumulado em 12 meses, a taxa é de 11,38%.

Como referência, em janeiro de 2022, o preço do metro quadrado da construção era de 1.525,48 reais, conforme o indicador desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A EVOLUÇÃO DOS CUSTOS DA CONSTRUÇÃO

Para o gerente do SINAPI, Augusto Oliveira, a pesquisa aponta que os preços do metro quadrado da construção civil estão se aproximando dos praticados no período pré-pandemia.

Ele também observa uma desaceleração comprovada pelas quedas contínuas nos indicadores dos acumulados nos 12 meses.

Os acumulados no ano foram: 9,94% (materiais) e 12,09% (mão de obra). 

Já os acumulados em doze meses ficaram em 10,78% (materiais) e 12,26% (mão de obra), respectivamente.  

Para efeito de comparação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou alta de 0,41% em novembro.

A inflação acumulada no ano chega a 5,13% e, nos últimos 12 meses, a 5,90%.

PREÇO DO METRO QUADRADO DA CONSTRUÇÃO CIVIL POR REGIÃO

Sob influência do reajuste previsto em convenção no Distrito Federal, a Região Centro-Oeste apresentou a maior variação regional em novembro de 2022, chegando a 0,54%.

As demais regiões apresentaram os seguintes resultados:

Norte: 0,50%
Nordeste: – 0,05%
Sudeste: 0,01%
Sul: 0,33%

Em novembro, os preços por metro quadrado da construção, por região, ficaram da seguinte forma:

Norte: R$ 1.686,47
Nordeste: R$ 1.561,13
Sudeste: R$ 1.736,53
Sul: R$ 1.756,20
Centro-Oeste: R$ 1.719,10

Entre as unidades da federação, o Distrito Federal foi a que apresentou a maior alta no custo de construção no período (1,97%).

Isso se explica, principalmente, pelo reajuste previsto em convenção coletiva para a mão de obra.

“Mesmo com a redução na parcela dos materiais, o Distrito Federal foi o destaque devido ao acordo coletivo. Em todos os estados, o custo da mão de obra tem se mantido estável, com alteração apenas quando ocorre dissídios, alguns com impactos imediatos e outros mais tardios”, ressalta Augusto Oliveira.

SINAPI – setembro de 2022

Áreas GeográficasCustos médios R$/m²Variações percentuais
MensalNo ano12 meses
BRASIL1 677,960,1510,8111,38
REGIÃO NORTE1686,470,5011,9512,85
Rondônia1745,380,1216,5016,73
Acre1803,240,1711,7412,97
Amazonas1660,850,6313,9415,19
Roraima1776,800,6512,9313,63
Pará1669,740,699,8210,41
Amapá1598,480,2611,9813,23
Tocantins1733,05-0,1713,7315,56
REGIÃO NORDESTE1561,130,0510,0610,79
Maranhão1574,110,119,7711,26
Piauí1508,12-0,228,929,64
Ceará1547,460,4010,9011,26
Rio Grande do Norte1533,35-0,0616,2316,68
Paraíba1584,170,0310,4310,94
Pernambuco1547,170,2811,9112,52
Alagoas1506,59-0,2310,8011,53
Sergipe1472,260,039,179,78
Bahia1599,67-0,207,708,44
REGIÃO SUDESTE1736,53-0,0110,4310,78
Minas Gerais1616,97-0,0910,3110,37
Espírito Santo1548,490,0010,0211,48
Rio de Janeiro1838,57-0,119,7510,21
São Paulo1782,700,0710,8311,23
REGIÃO SUL1756,200,3310,1310,71
Paraná1729,590,259,9510,65
Santa Catarina1896,050,4110,7410,88
Rio Grande do Sul1666,100,389,6910,56
REGIÃO CENTRO-OESTE17190,100,5414,3615,06
Mato Grosso do Sul1669,630,0912,0012,77
Mato Grosso1771,160,0920,5621,02
Goiás1672,270,1712,5913,25
Distrito Federal1748,751,9710,4311,39
SINAPI – Preço médio do metro quadrado da construção nos últimos 12 meses (em reais)


Dezembro de 2021 – R$1514,52
Maio de 2022 – R$1601,76
Setembro de 2022 – R$1669,19
Novembro de 2022 – R$1677,96

POR QUE O PREÇO DO METRO QUADRADO DA CONSTRUÇÃO É TÃO IMPORTANTE?

Produção conjunta do IBGE e da Caixa Econômica Federal, o SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) foi criado em 1969.

O objetivo era a produção de informações de custos e índices de forma sistematizada, com abrangência nacional, para apoiar a elaboração e a avaliação de orçamentos, como também o acompanhamento de custos.

Hoje, o SINAPI é a principal tabela de referência para composições e preços de serviços e atividades de obras públicas e privadas no Brasil.

As séries mensais de custos e índices de custos referem-se ao valor do metro quadrado de uma construção no canteiro de obras.

Elas não contemplam as despesas com projetos em geral, licenças, seguros, instalações provisórias, depreciações dos equipamentos, compra de terreno, administração, financiamento e aquisição de equipamentos.

As estatísticas do SINAPI são fundamentais na programação de investimentos, sobretudo para o setor público.

Os preços e custos auxiliam na elaboração, análise e avaliação de orçamentos, enquanto os índices possibilitam a atualização dos valores das despesas nos contratos e orçamentos.

O CUSTO DA CONSTRUÇÃO E A INFLAÇÃO SETORIAL

Além do SINAPI, calculado e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), outro importante indicador de custos do setor é o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Assim como o custo por metro quadrado do IBGE, o INCC-M acompanha a evolução dos preços de materiais, serviços e mão de obra destinados à construção de residências. Ele é calculado em sete capitais — Brasília, Recife, São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Os dados de 2022 do SINAPI e do INCC mostram que o custo para se construir permanece em patamar elevado, embora a trajetória de alta registrada desde junho de 2020 esteja enfraquecendo.

Desde o início da pandemia de Covid-19 em 2020, o INCC acumula elevações, gerando preocupações entre construtoras e incorporadoras sobre o custo das obras e o preço de venda dos imóveis.

Em novembro de 2022, o INCC-M subiu 0,14%, percentual superior ao apurado no mês anterior, quando variou 0,04%.

Com este resultado, o INCC acumula alta de 9,11% no ano e 9,44% em 12 meses.

O INCC-M é pesquisado entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

Em relação aos materiais, as maiores altas durante 2022 foram de:

Material para pintura — 16,27%
Material à base de minerais não metálicos — 15,05%
Pedras ornamentais para construção — 13,36%
Equipamentos para transporte de pessoas — 13,11%
Revestimentos, louças e pisos — 12,66

TENDÊNCIAS PARA OS CUSTOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

A diminuição recente no ritmo de elevação dos preços foi influenciada especialmente pela redução no custo com materiais e equipamentos.

Segundo o INCC-M, a taxa correspondente a Materiais e Equipamentos caiu 0,35% em novembro, após queda de 0,32% no mês anterior.

Dois dos quatro subgrupos componentes apresentaram decréscimo em suas taxas de variação, destacando-se materiais para estrutura, cuja taxa passou de -0,78% para -0,98%.

“Após registrar altas elevadas desde junho de 2020, estamos tendo maior estabilidade nos custos com materiais de construção”, afirma a economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos.

“Porém, o custo da construção está se estabilizando em patamar extremamente alto, considerando que, no período de 2020 a outubro de 2022, a inflação no custo da construção atingiu 60%, enquanto a inflação oficial do país ficou em torno de 22%”, continua a economista.

Diante desse cenário, torna-se ainda mais importante que construtoras e incorporadoras busquem boas negociações e trabalhem com processos enxutos, sem desperdícios.

Além disso, tendem a obter mais vantagens as empresas que mantêm parcerias estratégicas com fornecedores e conseguem negociar em grande volume.

expresso.arq sobre artigo de Juliana Nakamura

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