Concreto magro e argamassas são materiais distintos em composição e usos

Apesar de terem o cimento em sua composição, o concreto magro e as argamassas são materiais com características técnicas e usos distintos.

“As propriedades desses materiais não podem ser definidas e apresentadas como únicas, por conta das várias possibilidades de produção, principalmente das argamassas”, aponta o doutor em Estruturas, Paulo de Souza Tavares Miranda, diretor Técnico da Paulo Filho Engenharia e Consultoria Estrutural.

“De uma forma geral, o concreto magro possui baixa trabalhabilidade devido à sua composição pouco argamassada e baixa resistência mecânica, resultante de seu baixo consumo de cimento. As argamassas devem ter boa trabalhabilidade e apresentar boa condição de aderência. Suas resistências mecânicas variam consideravelmente em função do tipo e uso específico”, complementa.

O pesquisador Rafael Francisco Cardoso dos Santos, do Laboratório de Materiais para Produtos de Construção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ressalta que o concreto magro não tem função estrutural. Portanto, não tem armadura de aço em seu interior.

“Apresenta resistência mais baixa que os concretos convencionais e, consequentemente, maior porosidade e permeabilidade à água, o que resulta em concreto com menor durabilidade”, ensina.

“Este tipo de concreto, por ser não-estrutural, não tem seu controle baseado no conceito de resistência/FcK”, menciona Santos, lembrando que o material tem composição similar aos concretos convencionais: cimento Portland, areia, brita e água.

Porém, em proporções diferentes, composto por traços mais pobres de cimento com relação aos agregados, geralmente da ordem de 1:10 – o equivalente ao consumo de cerca 120 kg de cimento Portland /m³ de concreto.

USOS DO CONCRETO MAGRO E DAS ARGAMASSAS

De acordo com Miranda, as funções das argamassas são muito diversificadas, sendo as mais comuns o aumento de aderência com o substrato, a regularização de superfícies, o assentamento de tijolos e a colagem de revestimentos.

O concreto magro, por sua vez, se destina, principalmente, ao preparo de valas de fundações, tornando as superfícies planas e criando uma certa proteção contra a umidade do solo.

“E, também, evita que o elemento de concreto estrutural tenha contato com agentes químicos do solo”, complementa Santos, acrescentando que, com essa função, o concreto magro garante melhor qualidade de execução e durabilidade do elemento estrutural.

O material é empregado como solução em etapas da obra, principalmente em pisos submetidos a pequenas cargas, no preenchimento, nivelamento ou como base de pavimento.

“Em muitas obras de terra, é utilizado para facilitar o andamento das atividades, de forma mais limpa e sem interrupções por efeitos de chuvas, como berma e vias de acesso em barragens de terra, por exemplo. Em alguns casos, é removido conforme o andamento do cronograma das obras”, afirma Santos.

“Em termos de aplicação, concreto magro e argamassas não se complementam”, frisam os profissionais.

CUIDADOS NA ESPECIFICAÇÃO E UTILIZAÇÃO

De acordo com Paulo Miranda, é preciso adotar alguns cuidados na especificação das argamassas, em função do tipo e aplicação.

“Nas argamassas de aderência (chapisco) e base (emboço), por exemplo, a atenção deve se voltar para a a aderência e a resistência. Já nas argamassas de acabamento (reboco), destacam-se a homogeneidade e a plasticidade”, indica.

Para Rafael Santos, a especificação de qualquer concreto depende muito do projeto a ser executado e das funções estratégicas concebidas para este material.

No caso do concreto magro não é diferente.

“Apesar de não ter função estrutural, ele por diversas vezes faz a função de regularizar terreno e de dar suporte ou proteção mecânica a elementos estruturais. Ainda que não seja um concreto de resistência elevada, ele precisa ter integridade e homogeneidade para exercer as suas funções. Portanto, como todo concreto, deve ser dosado e misturado de maneira a garantir a obtenção de um material com as propriedades pré-definidas em projeto”, alerta.

Além da falta de controle de quantidade de materiais durante a mistura, um erro comum é não executar a base de concreto magro com espessura suficiente para dar integridade à camada de concreto.

“E, assim, provocar fraturas que podem resultar em falhas no elemento que este concreto irá proteger ou dar regularização e sustentação”, explica.

Miranda ressalta que, em geral, concretos e argamassas possuem como erros de especificação a utilização de agregados inadequados em natureza e/ou proporção.

“E, como erros de uso, a não obediência aos tempos de cura e a falta de controle de produção”, finaliza.

expresso.arq com informações de e-Construmarket

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