10 escadas icônicas de edifícios brasileiros históricos para conhecer
Além de conectar pavimentos, as escadas passaram a assumir um papel central na experiência espacial dos edifícios, principalmente a partir do modernismo. Entre as décadas de 1950 e 1960, arquitetos como Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi e Paulo Mendes da Rocha transformaram esse elemento em gestos escultóricos capazes de construir uma forte identidade arquitetônica.
“Em projetos emblemáticos, ela aparece não apenas como ligação entre níveis, mas como elemento de presença: desenha vazios, articula espaços públicos e privados, reforça a monumentalidade ou cria situações de encontro e permanência”, destaca Bibiana Wittmann Lanzarin, docente do curso técnico de Design de Interiores no Senac.
A partir dos anos 1970, a ampliação de centros culturais, instituições educacionais e conjuntos habitacionais favorecem a consolidação da escada como protagonista de diferentes construções pelo Brasil. Confira 14 exemplos assinados por arquitetos e designers renomados!
1. Edifício Eurípedes Simões de Paula (1961) — Eduardo Corona
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/b/u/TWUU9aSUSbCKj7WJVlUg/nova-montagens-site-1400-15-.jpg)
No edifício vinculado à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), no bairro do Butantã, arquiteto gaúcho Eduardo Corona (1921–2001) explorou a circulação vertical como elemento organizador dos fluxos acadêmicos e coletivos. Formado pela Escola Nacional de Belas Artes (Enba), ele idealizou o projeto em 1961.
A construção é um exemplar da arquitetura moderna paulista, marcada pela exposição dos elementos estruturais sem revestimento, que recebem pintura diretamente sobre o concreto ou permanecem em sua aparência natural. No centro da edificação, o acesso se dá por rampas de concreto revestidas com piso cerâmico, enquanto à esquerda a escada helicoidal se destaca pela pintura em vermelho.
2. Residência Fernando Millan (1970) — Paulo Mendes da Rocha
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/N/n/X772IKRImkyxlxcpC2Bg/1-colecao-sobrepor-foto-andre-klotz-1-1-1.jpg)
Na Residência Fernando Millan, também conhecida como Casa Leme, o arquiteto modernista capixaba Paulo Mendes da Rocha (1928–2021) transformou a escada espiral em uma síntese da linguagem brutalista do imóvel, o qual foi implantado em terreno inclinado no Jardim Guedala, em São Paulo.
Feita de concreto aparente, a escada organiza os percursos internos e concentra forte presença plástica. “Funciona quase como uma escultura habitável dentro do espaço”, ressalta Bibiana.
3. Edifício Santa Elisa (1928) — Arnaldo Maia Lello
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/d/e/s2t5pAR6C1A02lqBwhoA/nova-montagens-site-1400-16-.jpg)
Projetado em 1928 pelo arquiteto paulista Arnaldo Maia Lello (1904–1974), em parceria com o arquiteto Francisco Camillo, o Edifício Santa Elisa marca um momento importante da verticalização paulistana e da introdução de linguagens modernas associadas ao estilo art déco. Foi um dos primeiros prédios da cidade a adotar essa estética.
A escada não possui a dramaticidade escultórica do modernismo posterior, mas revela uma sofisticação ornamental e uma elegância espacial. Entre os materiais empregados, tanto na escada quanto nos portões, destaca-se o uso do ferro fundido.
4. Palácio do Itamaraty (1959) — Oscar Niemeyer
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/Q/E/3t0RikSMmgilk3VQ6zIg/escada-palacio-itamaraty-1-.jpg)
No Palácio do Itamaraty, em Brasília, DF, o arquiteto Oscar Niemeyer (1907–2012) transformou a escada em uma das imagens mais emblemáticas da arquitetura moderna brasileira. Inserida no grande saguão do edifício, a estrutura helicoidal parece flutuar no espaço e integra os interiores ao jardim projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909–1994).
“A escada surge como uma rara força plástica: solta no espaço, sem perder sua função, conduz o percurso e, ao mesmo tempo, constrói uma cena”, afirma Bibiana. Sua leveza contrasta com a robustez da estrutura em concreto armado.
5. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1953) — Affonso Eduardo Reidy
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/2/K/bjrdJQQfCwKe6glcFRXA/foto-mam-rio.jpg)
No Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, projetado pelo arquiteto francês Affonso Eduardo Reidy (1909–1964), a escada foi inserida entre os grandes vãos e o concreto aparente do edifício. A circulação helicoidal acompanha a fluidez característica da arquitetura moderna carioca.
6. Casa de Vidro (1951) — Lina Bo Bardi
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2024/R/X/WQK6E3Q1Ghc5Q29gXf0w/p003cem1271499-24.jpg)
Na Casa de Vidro, em São Paulo, a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914–1992) propôs uma arquitetura marcada pela transparência e pela integração com a paisagem. A escada participa dessa lógica ao conectar os ambientes de forma leve e contínua, reforçando a fluidez espacial da residência.
7. Centro Cultural São Paulo (1978) — Eurico Prado Lopes e Luiz Telles
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/L/P/7BqCesRdic5BRBwKvSfg/escada-ccsp.jpg)
No Centro Cultural São Paulo, o projeto privilegia a ideia de percurso aberto e democrático, no qual a circulação vertical da escada se dissolve entre rampas, níveis e espaços culturais. Ela também funciona como parte da experiência urbana e cultural, favorecendo encontros e permanências.
O projeto é assinado pelos arquitetos paulistas Eurico Prado Lopes (1939–1982) e Luiz Telles (1943–2014).
8. Residência Olga Baeta (1956) — Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2025/6/z/ynqSlXQU6nopB27NjgWg/casa-olga-baeta1.jpg)
Na Residência Olga Baeta, o projeto explora a integração entre estrutura, circulação e convivência — princípios fundamentais da chamada Escola Paulista de arquitetura. A escada organiza os espaços internos e reforça a ideia de continuidade espacial. A autoria é compartilhada pelo arquiteto curitibano João Batista Vilanova Artigas (1915–1985) e pelo paulista Carlos Cascaldi (1918–2010).
9. Residência Olivo Gomes (1949) — Rino Levi e Roberto Cerqueira César
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/g/n/b7L5sARUASlLHAmM7drg/interior-residencia-olivio-rino-levi.jpg)
Na Residência Olivo Gomes, em São José dos Campos, SP, a escada aparece de forma discreta e integrada à paisagem. Projetada pelos arquitetos paulistas Rino Levi (1901–1965) e Roberto Cerqueira César (1917–2003), a casa articula interior e jardim, aproveitando os desníveis naturais do terreno em uma composição fluida.
“É uma escada menos cenográfica e mais espacial. Seu valor está na forma como participa da fluidez e da experiência de habitar uma casa moderna em diálogo direto com a paisagem”, indica Bibiana.
10. Sesc Pompéia (1977) — Lina Bo Bardi
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2024/U/x/SJwSAcSJuYA0HIxAY11g/sesc-pompeia-casa-de-vidro-lina-bo-bardi-ph-veronika-kellndorfer-1-.jpg)
No Sesc Pompéia, em São Paulo, SP, Lina Bo Bardi transformou as escadas em parte essencial da experiência coletiva do edifício. Construídas em concreto bruto e conectando os blocos suspensos por passarelas, elas assumem um papel de infraestrutura urbana e circulação pública.
“O escalonamento assume papel de infraestrutura de circulação coletiva, articulando modularidade, dureza material e experiência de descoberta do interior do complexo industrial-reaproveitado”, ressalta a pesquisadora. Inaugurado em 1986, o Sesc Pompeia nasceu de um edifício originalmente construído pela empresa alemã Mauser & Cia. Ltda., em 1938.
expresso.arq com informações de Carolina Borin com Nathalia Fabro


