Mercado imobiliário 2026: como está hoje e o que esperar
O mercado imobiliário brasileiro em agosto de 2026 segue com dinâmicas distintas entre compra e aluguel — e o quadro da venda ficou mais misto nesta atualização. As vendas de imóveis novos cresceram 5,4% no 1º semestre, recorde puxado pelo Minha Casa, Minha Vida (50,3% das vendas, +15,5%), enquanto o médio e alto padrão recuou 3,2% e o desconto médio na venda bateu recorde histórico de 14%. No crédito, bancos preveem maior restrição a partir do próximo trimestre e a poupança registrou saída de R$ 6,95 bilhões em julho — mas a Abecip revisou para cima a projeção de crédito imobiliário em 2026, para R$ 411 bilhões (alta de 25%, ante 16% antes), no mesmo tom de otimismo estrutural do ministro das Cidades, Vladimir Lima, que defende que o crédito pode superar 20% do PIB (hoje em 11%). O Banco Central fez o 4º corte consecutivo da Selic, a 14% ao ano — sinalização positiva, mas de efeito ainda lento sobre o comprador. No aluguel, a notícia é boa: a inadimplência recuou para 5,98% em agosto após três altas seguidas, e o acumulado do ano segue em 5,97%, acima da inflação.
Mercado de venda
As vendas de imóveis novos cresceram 5,4% no 1º semestre de 2026 ante igual período do ano passado — 226.536 unidades, recorde na série. O Minha Casa, Minha Vida respondeu por 50,3% do total (113.988 unidades, +15,5%), enquanto o médio e alto padrão recuou 3,2% (para 112.548 unidades). O ticket médio caiu 22,6%, para R$ 581.900, refletindo a migração da demanda para a faixa popular — a intenção de compra em 24 meses chegou a 52%, maior nível já registrado. O desconto médio na venda também bateu recorde em 2026: 14% no 2º trimestre, segundo o Raio-X FipeZap — igualando os níveis de 2016 e 2020, e reforçando que o comprador do médio/alto padrão tem poder crescente de negociação diante do estoque elevado.
Em São Paulo, compactos concentram 70% dos lançamentos e 64% das vendas — enquanto o investidor que compra na planta para revender recua no alto padrão, pressionado por juros e excesso de oferta. No Rio, os lançamentos de luxo caíram 50,3% no 2º trimestre, mas as vendas seguem aquecidas.
Os preços residenciais subiram 0,46% em julho e acumulam 2,89% no ano — ainda abaixo da inflação de 3,43%, mas a diferença diminuiu. Vitória lidera com +8,82% no ano, seguida por Manaus (+8,43%) e Aracaju (+7%). São Paulo acumula apenas 1,70% e Porto Alegre registra queda. O estoque nacional de imóveis novos prontos soma R$ 38 bilhões, com 30.085 unidades sem comprador. O MCMV segue como contraponto positivo — a faixa 3 cresceu quase 50% no 1º semestre.
Crédito e habitação
O cenário de crédito combina sinais opostos. Os bancos já preveem maior restrição ao crédito imobiliário a partir do próximo trimestre, pressionados pela saída de R$ 6,95 bilhões da poupança SBPE em julho — quatro vezes mais que junho, revertendo a expectativa de recuperação do 2º trimestre. Do lado otimista, a Abecip revisou para cima a projeção de crédito imobiliário em 2026: R$ 411 bilhões, alta de 25% (ante estimativa anterior de 16%), puxada pelo FGTS/Pré-Sal (R$ 195 bilhões, +38%) e pelo SBPE (R$ 185 bilhões, +18%) — no 1º semestre, as concessões já somaram R$ 180,9 bilhões, alta de 23%. “A demanda seguiu consistente mesmo com juros elevados”, afirmou Michel Cury, presidente da Abecip. Na mesma toada, o ministro das Cidades, Vladimir Lima, defendeu no Abecip Summit que o crédito imobiliário pode superar 20% do PIB — hoje em 11% — com modernização, novas políticas habitacionais e integração com o setor privado. São visões que não se contradizem: a restrição é conjuntural, a ambição — do setor e do governo — é estrutural.
O Banco Central fez o 4º corte consecutivo da Selic, levando a taxa a 14% ao ano em agosto — o menor patamar desde março de 2025. O home equity bateu recorde: R$ 6,6 bilhões no 1º semestre, alta de 309%. O uso do FGTS em consórcios imobiliários cresceu 39%, movimentando R$ 215 milhões. A Caixa atingiu R$ 1 trilhão em crédito habitacional, com MCMV respondendo por 58,4%. O Santander passa a financiar até 90% do valor do imóvel em casos selecionados.
Mercado de aluguel
O aluguel residencial subiu 0,70% em julho, acumulando 5,97% nos primeiros sete meses de 2026 — 2,53 pontos percentuais acima do IPCA. Cinco capitais já superam 10% no ano: Aracaju (+16,12%), Campo Grande (+11,95%), Manaus (+11,04%), Fortaleza (+10,98%) e Natal (+10,72%). A boa notícia do mês vem da inadimplência: o índice da Loft, calculado com 500 mil contratos, recuou de 6,18% para 5,98% em agosto após três meses de alta — queda disseminada em todas as regiões do país, possivelmente associada à liberação de renda por programas de renegociação de dívidas.
No segmento comercial, o aluguel acumula alta de 7,42% entre janeiro e julho — 11,26% em 12 meses —, com o rendimento anual (7,59%) superando o do residencial (6,14%). O ritmo mensal desacelerou: 0,56% em julho, ante 1,38% em junho. Salvador (+15,70%), Rio de Janeiro (+14,29%) e Curitiba (+12,08%) lideram a valorização no ano. A vacância de escritórios premium em São Paulo caiu para 13,1%, com 153 mil m² de absorção líquida no semestre. Em Florianópolis, studios chegam a R$ 27 mil/mês. O IGP-M caiu em julho, mas acumula 2,76% em 12 meses, corrigindo contratos com aniversário em agosto.
Construtoras e incorporadoras
A atividade da construção civil recuou no 1º semestre de 2026 — o índice encerrou o período em 46,4 pontos, pressionado por Selic alta, custos de materiais, escassez de mão de obra e confiança baixa. O desempenho operacional das construtoras, porém, conta história diferente: as de baixa renda, ancoradas no MCMV, impulsionam resultados, enquanto as de alta renda seguem afetadas pelos juros elevados. MRV e Cyrela reportaram lucros com custos crescentes. O setor projeta 2026 forte, mas já vê 2027 com cautela — Selic ainda elevada e custos de obra são os principais riscos citados.
Em São Paulo, o ciclo de 317 mil apartamentos em construção reflete lançamentos recordes em três anos consecutivos, com compactos dominando em volume. No médio e alto padrão, o estoque subiu para 26 meses de venda e o investidor especulativo recua. Investidores institucionais estão mais seletivos, com preferência pelo residencial econômico. No luxo, Balneário Camboriú empurra o mercado para cidades vizinhas.
Perguntas frequentes
Como está o mercado imobiliário hoje?
O mercado em agosto de 2026 tem um quadro misto na venda e uma boa notícia no aluguel. As vendas de imóveis novos cresceram 5,4% no semestre, recorde puxado pelo Minha Casa, Minha Vida — mas o médio e alto padrão recuou 3,2% e o desconto médio na venda bateu recorde de 14%. No crédito, bancos preveem restrição a partir do próximo trimestre, mas a Abecip revisou para cima a projeção de 2026, para R$ 411 bilhões. No aluguel, a inadimplência recuou para 5,98% em agosto após três altas seguidas, e o acumulado de 5,97% no ano segue acima da inflação. A Selic chegou a 14% (4º corte), mas os efeitos no crédito ainda demoram a se materializar.
2026 é um bom ano para comprar imóvel?
Depende do segmento. Para a faixa popular, o cenário é favorável: o MCMV puxou 50,3% das vendas do semestre (+15,5%) e a Abecip revisou para cima a oferta de crédito em 2026. Para o médio e alto padrão, o quadro é mais desafiador — vendas recuaram 3,2%, o ticket médio caiu 22,6% e o desconto médio de 14% indica espaço crescente para negociação. O ciclo de cortes da Selic melhora gradualmente o acesso ao crédito, mas os bancos sinalizam maior restrição à frente. Uma análise relevante: comprar antes de novos cortes pode ser vantajoso, pois quando o custo do financiamento cair, o preço do imóvel tende a subir — e a portabilidade permite refinanciar depois.
O aluguel vai continuar subindo em 2026?
A tendência de alta persiste, com um sinal positivo: a inadimplência recuou para 5,98% em agosto após três altas seguidas — queda em todas as regiões do país. O FipeZap registrou 0,70% em julho e o acumulado de 5,97% no ano supera a inflação em 2,53 pontos. Cinco capitais acumulam mais de 10%: Aracaju lidera com +16,12%. No comercial, a alta acumula 7,42% no ano e 11,26% em 12 meses, com rendimento superior ao do residencial.
Qual a previsão para a valorização dos imóveis em 2026?
Em julho, os preços subiram 0,46% e acumulam 2,89% no ano — ainda abaixo da inflação, mas a diferença diminuiu. O desconto médio de 14% nas vendas sugere que o mercado está mais favorável ao comprador. Vitória (+8,82%), Manaus (+8,43%) e Aracaju (+7%) lideram. O ciclo de cortes da Selic tende a sustentar preços no 2º semestre, especialmente no segmento popular e fora do eixo SP-RJ.
expresso.arq com informações de Fábio Takahashi


