Cyrela mira grandes terrenos de São Paulo com nova linha focada no MCMV

A Cyrela está garimpando áreas no centro expandido da cidade de São Paulo onde antigas construções em grandes terrenos – de fábricas a motéis – estão deixando esses locais e abrindo espaço para a chegada de prédios residenciais.

São os casos de bairros como Penha, Lapa, Barra Funda, Saúde, entre outros.

A missão de ocupar essas áreas foi atribuída à Vivaz, braço do grupo voltado para o Minha Casa Minha Vida (MCMV).

A empresa está lançando nesta semana a linha batizada de ‘Grand Vivaz’, focada em projetos que reunirão milhares de apartamentos num só terreno.

A tendência é que o segmento responda por cerca de um terço dos lançamentos totais da Vivaz ao longo dos próximos dois a três anos, segundo o diretor de incorporação, Felipe Cunha.

“Essa linha vai ser mais do que pontual nos nossos planos”, ressaltou.

A Vivaz tem diferentes linhas de empreendimentos, que buscam atrair o público por diferenciais como proximidade de estações de metrô, mais itens de condomínio ou acabamentos melhorados, por exemplo.

Neste caso, a linha ‘Grand’ será baseada na tese de bairros com potencial de valorização.

“Não tem mais terrenos grandes nas localizações mais centrais. Mas tem bairros em fase de transformação e que oferecem terrenos maiores, antes ocupados por indústrias”, disse Cunha.

“Esses locais conversam bem com a nossa marca, porque é onde tem muita procura por produtos imobiliários de entrada. E após a chegada do prédio, ele puxa o comércio e o serviço, numa transformação da vizinhança”.

Projeto inicial tem potencial de R$ 800 milhões

O primeiro ‘Grand Vivaz’ fica na Penha, zona leste da capital paulista, próximo ao atacadista Assaí da Marginal Tietê e da futura Estação Gabriela Mistral do Metrô.

O empreendimento será formado três condomínios, dez torres e um total de 3 mil apartamentos, somando valor geral de vendas (VGV) de R$ 800 milhões.

Os lançamentos ocorrerão em fases, sendo que no primeiro deles estão sendo ofertadas 800 moradias, com VGV de R$ 250 milhões.

No terreno havia um motel anos atrás. A área foi adquirida pela incorporadora Magik LZ, do empresário Ricardo Zylberman, um antigo parceiro de Elie Horn. A Magik LZ será sócia da Cyrela na incorporação.

Já o segundo ‘Grand Vivaz’ está em fase final de aprovação e tem lançamento previsto para novembro, na zona sul da capital paulista.

Para vários bolsos

As faixas 2 e 3 do MCMV (para famílias com renda mensal até R$ 4,7 mil e R$ 8,6 mil, respectivamente) responderão por cerca de 85% das unidades dessa linha da Vivaz, enquanto a recém-lançada faixa 4 (até R$ 12 mil) responderá pelos outros 15%.

“As faixas 2 e 3 têm mais encaixe com nossos produto, preços médios e velocidade de vendas. Já a faixa 4 tem diferença significativa de taxa de juros e acaba reduzindo a quantidade de famílias com capacidade de compra”, explicou o diretor.

Na faixa 3, o financiamento custa 8,16% ao ano, enquanto na faixa 4, está em 10,5% ao ano.

Cunha estimou que a Vivaz fechará 2025 com um total de R$ 3 bilhões em lançamentos, montante bem acima do registrado em 2024, de R$ 1,8 bilhão.

A entrada da empresa nos megaempreendimentos é resultado de dois fatores principais, segundo o diretor: um deles é o MCMV, que teve elevação dos tetos de preços e faixas de renda, passando a abranger um público-alvo maior.

O segundo fator é o amadurecimento da própria Vivaz, lançada há sete anos.

“Estamos mostrando um crescimento consistente. Nem toda empresa está preparada para esses grandes volumes de operação, compra de terrenos, vendas, obras e repasses”, ponderou.

 “E o MCMV tem mostrado solidez, com estabilidade de funding e condições de trabalho. Isso nos deu ânimo de buscar esse crescimento de forma sustentável”.

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