Studio, loft, flat ou kitnet? Entenda os diferentes tipos de apartamento

Studio, loft, flat e kitnet (ou quitinete) são termos usados com frequência para definir um apartamento pequeno. Porém, apesar de terem o conceito aberto e ambientes integrados como características em comum, cada um deles conta com suas particularidades. Segundo especialistas, a metragem, o layout e os serviços oferecidos são os três aspectos principais que diferenciam estes apartamentos.

“A distinção entre studios, kitnets, flats e lofts pode parecer sutil – o que leva a muitos à ideia equivocada de que são termos passíveis de serem utilizados de forma aleatória, somente para denominar apartamentos pequenos”, afirma a arquiteta e urbanista Laura Pessoa, professora universitária e diretora do Entropia Arquitetura.

Studio em São Paulo assinado pela arquiteta Laura Pessoa — Foto: André Mortatti
Studio em São Paulo assinado pela arquiteta Laura Pessoa — Foto: André Mortatti

Ainda vale ressaltar que não existe um tipo melhor que o outro: todos contam com suas vantagens e desvantagens, e cabe ao morador em potencial decidir qual unidade atende melhor suas necessidades. “Quando a pessoa pensa em comprar ou alugar um espaço, ela precisa olhar para si mesma e entender qual imóvel combina mais com seu estilo de vida”, aconselha Jéssica Saka, designer de interiores e técnica em edificações.

O que é um apartamento studio?

Muito populares no contexto contemporâneo, a maioria dos studios não ultrapassa os 30 m². “Eles são definidos por plantas abertas onde o cozinhar, lavar, dormir e estar coexistem sem paredes, com exceção dos banheiros e, eventualmente, varandas”, explica Laura Pessoa.

Os ambientes integrados oferecem uma sensação maior de amplitude, auxiliam na ventilação cruzada e garantem a entrada de luz natural em todo o espaço. “Mas é inegável que facilita a propagação de odores (no caso de uma cozinha aberta e sem exaustão adequada) e sons indesejáveis”, completa. Para resolver esses problemas, é possível optar pela instalação de divisórias corrediças em painéis de madeira, painéis acústicos ou cortinas – elementos que também podem agregar esteticamente.

Studio em Perdizes, em São Paulo, assinado pela designer de interiores Jéssica Saka — Foto: Bianca Versolato
Studio em Perdizes, em São Paulo, assinado pela designer de interiores Jéssica Saka — Foto: Bianca Versolato

Além disso, Jéssica Saka explica que um apartamento studio oferece uma série de comodidades em seus condomínios, como portaria, piscina, lavanderia, espaço de coworking, mercado e muito mais. “O conceito do studio veio com toda a comodidade oferecida por um condomínio de alto padrão, com áreas sociais e de serviço”, diz a designer de interiores.

O que é uma kitnet?

Segundo Jéssica Saka, a kitnet é um modelo de apartamento mais econômico, que pode chegar a até 50 m²: “Quando esses tipos de construção se iniciaram, na década de 40 e 50, foi quando trabalhadores de áreas rurais começaram a migrar para o centro das cidades. Às vezes, vinha só o marido ou um filho, por isso os espaços menores e mais em conta eram ideais”.

Também caracterizada por espaços abertos e integrados, a kitnet é composta pelo quarto e a sala em um único ambiente, um banheiro e uma kitchenette – em tradução livre, uma “pequena cozinha”, com lavanderia anexa. Ainda, segundo as especialistas, a kitnet busca oferecer eficiência e funcionalidade no dia a dia e, por isso, acaba não priorizando intervenções arquitetônicas ou de design.

“Quando a kitnet passa a ter acabamentos mais sofisticados e estratégias imobiliárias mais complexas, quando passa a ser construída em edifícios de mais de 15 ou 20 andares, tornam-se studios: afinal, há também um joguete semântico arquitetado pela incorporação”, ressalta Laura Pessoa.

O que é um apartamento loft?

Originário na década de 70 na cidade de Nova York, os lofts surgiram quando artistas passaram a ocupar antigos galpões industriais com objetivo de morar e trabalhar em um só lugar. Por isso, o apartamento loft normalmente apresenta uma decoração industrial, com revestimentos de cimento queimado e tubulações aparentes, por exemplo. O pé-direito alto e amplas janelas são outras características desse espaço, que permitem a construção de mezaninos.

Em Vancouver, loft de 250 m² com estilo industrial exibe décor colorido. O projeto é do arquiteto e designer de interiores Peter Wilds — Foto: Janis Nicolay
Em Vancouver, loft de 250 m² com estilo indu

Com uma média de 80 m² à 100 m², “os lofts oferecem uma amplitude superior, em comparação aos outros tipos, não somente pela área total, mas também pelo alto pé-direito, pela fluidez da planta, pelas grandes esquadrias e a possibilidade de construção de mezanino”, comenta a arquiteta Laura Pessoa. Vale lembrar que a ausência de divisórias entre os cômodos, com exceção do banheiro, e os ambientes integrados também são aspectos inerentes aos lofts.

O que é um flat?

Com metragem variando entre 30 m² e 70 m², o flat é menor que um apartamento convencional e maior que um quarto de hotel — Foto: Max Vakhtbovycn/Pexels
Com metragem variando entre 30 m² e 70 m², o flat é menor que um apartamento convencional e maior que um quarto de hotel — Foto: Max Vakhtbovycn/Pexels

Também chamado de apart hotel, o flat é o caso mais diferente, pois funciona praticamente como um hotel. Isso porque ele conta com serviços de limpeza e manutenção – e, em alguns casos, a oferta de alimentação – dentro dos custos do condomínio. Com metragem variando entre 30 m² e 70 m², o flat é menor que um apartamento convencional e maior que um quarto de hotel.

“São os serviços integrados ao flat que fazem a diferença, pois ele traz todas as comodidades de um hotel – inclusive, as regras de convivência acabam sendo mais rígidas do que a de um condomínio convencional. Além disso, os flats costumam ser ocupados por períodos menores de tempo e há uma rotatividade maior de pessoas. Por isso, também costumam ofertar a mobília e decoração completa”, explica Jéssica Saka.

expresso.arq com informações de Laura Raffs

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