Por que estamos vendo tanto a cor laranja? Não é por acaso, é um código visual para entender 2026
As agências e a mídia previram que 2026 seria quase “em branco”; no entanto, o laranja sequestrou o nosso olhar. Vemos essa cor em todos os lugares — seja em um restaurante, em um outdoor na rua ou em um look completo de Timothée Chalamet e Kylie Jenner. O laranja chegou para ficar e para romper com essa estética tão clean e, sinceramente, muito sem graça.
Embora a gente adore a serenidade dos tons claros (especialmente depois de alguns anos de pandemia), na América Latina vivemos cercados de cor. E não estamos falando apenas dessa tendência que valoriza todos os detalhes — e, consequentemente, as cores —, mas de algo que sempre esteve presente de forma espontânea: os jacarandás roxas no Paseo de la Reforma durante a primavera; o sol quase avermelhado nos entardeceres das praias de Copacabana; ou os caminhos verdes e acolhedores rumo às plantações de café em Bogotá.
Por isso, o laranja nos surpreende ao surgir com tanta força, mas não nos é estranho. Então, nos perguntamos como uma cor tão “feliz” e chamativa pode estar tão presente em um mundo onde a paz parece inexistente — e a alegria, ainda mais. E a resposta — ou parte dela — é simples: sua representação.
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O que diz a psicologia da cor laranja?
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Quando falamos em representação, estamos nos referindo ao que a psicologia diz sobre ela. De acordo com um estudo recente da Pantone, o laranja transmite otimismo, dinamismo, confiança e energia competitiva. Não é por acaso que seja a cor predominante em Marty Supreme, o mais recente filme de Josh Safdie — um longa sobre pingue-pongue, em uma leitura mais superficial.
Essas qualidades refletem a intensidade emocional que, hoje, nos impulsiona a seguir em frente em um mundo bastante destruído. No entanto, também são uma forma de construir identidade. E isso não acontece só com o laranja, mas também com outros tons igualmente intensos — como o rosa na obra de Luis Barragán.
Agora, se conectarmos a psicologia ao design no sentido mais direto, podemos dizer que é uma cor que poucos se atrevem a usar — seja em uma peça, em casa ou até nas roupas. Ainda assim, é dinâmica e funciona como ponto focal ou como um acento. Em resumo, é uma forma de identidade e de se tornar reconhecível, além de marcar um estilo de maneira contundente.
Por que o laranja se destaca neste ano?
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Embora seja verdade que o laranja tenha ganhado destaque este ano, em parte por Marty Supreme, muitos espaços ligados ao design também aderiram a essa cor. Por exemplo, as peças de Andrés Anza transitam entre o surreal e o chamativo, em parte pelo uso do laranja. Ou ainda a coleção Licha, de Los Patrones em colaboração com Andrés Gutiérrez. Outros designers têm utilizado o laranja como elemento visual para destacar suas criações, como Raúl de la Cerda e sua série Vicús, apresentada na Zsona Maco, com tons mais frios que contrastam com o fundo e com a proposta da coleção.
No universo da moda, as marcas também apostaram no laranja para criar um verdadeiro statement, como a Tory Burch em sua coleção outono-inverno 2026, ou a Ferragamo com a coleção primavera-verão 2026, La Prima Impressione, sob direção de Antonela Alamat Kusijanović.
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E, se falamos de marcas, vale olhar também para aquelas que decoram nossas casas e dão um upgrade a cada ambiente. Da cozinha já sentimos o impacto do laranja com utensílios como a frigideira Signature da Le Creuset, ou a almofada da Cult Furniture, cuja forma e cor realmente impressionam. Até os móveis entraram na tendência, como a Atkin and Thyme com seu sofá de desenho geométrico.
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Porque nem tudo precisa gritar “LARANJA” — basta inserir alguns detalhes para criar harmonia enquanto navegamos por um mundo conservador, mantendo o impulso de seguir em frente com um pouco de esperança.
Então, respondendo à pergunta que nos trouxe até aqui, podemos dizer que o laranja está em tudo: na decoração, nas tradições, na moda e na arte. É um tom versátil que, como aponta a Pantone, chega para quebrar regras e criar vanguardas. É resultado da influência das celebridades, de uma narrativa não solicitada, mas necessária, e da criatividade — ainda mais no contexto da América Latina.
expresso.arq com infomações de Diana Garrido


