Conheça a biotecnologia que pode substituir o plástico e o poliestireno
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Em um processo biotecnológico e sustentável, a startup paranaense Mush desenvolveu o mushpack: um biomaterial derivado do micélio de cogumelos cuja gama de aplicações é vasta.
No setor da construção, por exemplo, ele pode ser usado como placas de revestimento a fim de proporcionar conforto acústico e térmico em paredes e forros no teto.
“Outro ponto super importante, principalmente para as construções de madeira, é que o mushpack também oferece uma maior resistência ao fogo. O material retarda a chama, o que diminui as chances de propagação de incêndio”, explica Ubiratan Sá, CEO da startup.
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A empresa segue desenvolvendo pesquisas para produzir produtos mais estruturais da construção a partir do material.
100% biodegradável e neutro em carbono
O mushpack é produzido a partir de derivados da agroindústria (como serragem, casca de arroz, farelo de trigo e outros materiais naturais), chamado substrato. A ele, é adicionada a parte do cogumelo que compõe a sua raiz – o micélio –, que cresce no substrato de maneira controlada e condicionada a unir firmemente as partículas.
“Depois desta fase, o material pode ser acondicionado em moldes para obtermos o formato do material desejado pelos clientes – placas, blocos, formas geométricas distintas e peças de design”, explica Ubiratan.
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Trata-se de uma inovação 100% biodegradável, neutra em carbono, resistente e moldável em diferentes formas. “O mushpack não gera resíduo sólido que a natureza não consome, participando do ciclo infinito da vida no nosso planeta”, comenta o executivo.
Outro de seus benefícios é que 1 kg do material consome apenas 10 L de água, o que representa cerca de 5,6% do consumo em comparação à produção de plástico, que precisa de 180 litros para produzir o mesmo um quilo.
Em relação ao gás carbônico, que contribui para o efeito estufa, a produção de mushpack absorve 1 kg de CO₂ para cada quilo de produto produzido, contribuindo para reduzir os efeitos da mudança climática.
Além disso, por consumir como matéria-prima o subproduto de outra atividade econômica, o material se enquadra na economia circular, unindo uma cadeia de suprimento a outra.
Outras aplicações
O mushpack também pode servir para substituir componentes de embalagens que, atualmente, contam majoritariamente com matérias-primas derivadas do petróleo – como o plástico e o isopor.
“Trocar a matéria primária de embalagens pode ter um grande impacto no meio ambiente e na consciência sustentável das empresas. Há potencial para outras aplicações, desde a embalagem de alimentos a outros usados nos restaurantes de fast-food”, comenta o executivo.
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Mas não para por aí. O design também pode se beneficiar do material. Segundo Ubiratan, basta que o profissional desenhe o projeto para que a Mush desenvolva a forma e crie a peça.
“De mobiliário solto a objetos de decoração e ainda passando pelos revestimentos”, diz ele sobre as possibilidades de emprego do material. Algumas dessas peças, inclusive, já foram apresentadas na Design Week de Milão, de São Paulo e demais feiras do segmento.
“Agora, após consolidar as peças de design assinado, entramos no mercado das embalagens, uma das maiores indústrias consumidoras de plástico e poliestireno, para mudar esse impacto ambiental. O mushpack pode estar em todos os lugares”, diz Ubiratan.
Para ele, o material é o futuro na indústria e apresenta um olhar 360° – desde o projeto do produto, produção, experiência do consumidor até o descarte. “Tudo aqui é sustentável”, finaliza o CEO.
expresso.arq com informações de Yara Guerra


