O que este conjunto habitacional de Heliópolis pode ensinar sobre reurbanização das favelas
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A construção da Gleba G do Conjunto Habitacional Heliópolis, na região sudeste de São Paulo, chama a atenção quando comparado à maioria das moradias populares que costumam ser feitas no Brasil. O projeto (assinado pelo escritório Biselli Katchborian, dos arquitetos Artur Katchborian e Mario Biselli) teve a segunda fase com 221 apartamentos entregue este ano, e encontrou soluções para o terreno irregular.
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Por conta do desnível da rua adjacente, o andar térreo de cada prédio foi implementado acompanhando as cotas variáveis da via. Os edifícios foram alinhados ao passeio, utilizando o modelo de “quadra europeia”, com implantação sem recuos e dois grandes pátios internos para convivência, lazer e prática esportiva. Treliças conectam os prédios de cinco pavimentos, que não possuem elevador, enquanto grandes portais marcam o acesso aos pátios desde o espaço da rua.
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“O maior desafio consistiu na proposição de um modelo de habitação coletiva diferente do que convencionalmente se faz no Brasil, em que as unidades apresentam pouca variação e o conjunto construído não é pensado como parte constituinte e formador da cidade”, afirmam, contando de onde veio a inspiração.
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“Em nossa formação de arquitetos, fomos bastante impactados pela experiência do IBA Berlim (Internationale Bauausstellung Berlin) e da Vila Olímpica de Barcelona, planos urbanísticos e arquitetônicos que consolidaram a ideia contemporânea de quadra europeia. Este é em grande parte o modelo que adotamos”, explicam.
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A intervenção no local foi iniciada entre 2009 e 2010, e as primeiras residências, que fazem parte do Programa de Reurbanização de Favelas da Prefeitura, entregues em 2014. De acordo com o escritório, foram adotadas soluções arquitetônicas simples e criativas para melhor incidência solar e ventilação natural, sem recursos ou soluções tecnológicas de automação.
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“Os pátios do espaço térreo foram configurados para receber luz, mas ao mesmo tempo oferecer proteção aos moradores em relação à incidência direta dos raios solares, criando um clima ameno durante a permanência no espaço”. As novas unidades também contam com equipamentos adaptados para pessoas com mobilidade reduzida.
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Entre os materiais utilizados na construção da segunda fase do conjunto estão caixilhos de alumínio, alvenaria em blocos estruturais revestida e pintada, e estruturas metálicas nas passarelas que ligam os edifícios a partir de seus diferentes térreos.
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As unidades de 43 m² a 48 m² contam com varanda na sala, algo incomum para habitações de interesse social pelo país, dois dormitórios, cozinha, banheiro e área de serviço. O paisagismo nos pátios faz a transição da área pavimentada com a área verde, permitindo momentos de contemplação e realização de atividades de lazer no terreno de 5.099,10 m².
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“Atualizamos algumas soluções para as áreas de convívio, fizemos algumas adaptações devido à topografia desta parte do terreno e desenhamos um projeto paisagístico específico. Entretanto, o projeto já estava pensado como um todo desde as concepções iniciais”, contam Biselli e Katchborian.
Investimentos
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A Secretaria Municipal da Habitação (SEHAB) de São Paulo diz que, na fase 1 do projeto, foram investidos cerca de R$ 54,4 milhões pela Caixa Econômica Federal e Fundo Municipal de Saneamento (FMSAI). “Já na fase 2 foram investidos cerca de R$ 62,3 milhões, sendo as fontes o Fundo de Desenvolvimento Urbano (FUNDURB) e o FMSAI”. O valor totaliza R$ 116,7 milhões.
A SEHAB explica o hiato de 9 anos entre a entrega da primeira e da segunda fase. “Em razão de ajustes no projeto inicial, foi necessário a paralisação da construção do condomínio Gleba G, no entanto a obra foi retomada, com a conclusão do empreendimento e entrega aos moradores que aguardavam o atendimento”, acrescentando que o complexo Heliópolis é formado por 14 glebas, entre elas a G – que foi finalizada.
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Os arquitetos não têm dúvida de que mais condomínios como este podem ser construídos pelo país. “Não há nenhuma novidade tecnológica, pois o sistema construtivo de alvenaria estrutural é bem conhecido e quase um padrão para construções de baixo orçamento. Ele pode ser replicado facilmente. O desafio está na qualidade do desenho, é preciso saber tirar partido deste sistema – que em princípio é muito restritivo para a arquitetura”.
expresso.arq com informações de Jonathan Pereira


