Estratégias arquitetônicas para um envelhecimento ativo
A satisfação em viver mais está associada a oportunidades de seguir uma vida ativa, manter-se atualizado e sentir-se inserido na sociedade.
Para isso, cabe aos espaços construídos favorecerem isso a partir de estruturas flexíveis, moldáveis às necessidades de seus usuários, de forma gradual e adaptativa, independente de sua idade.
O setor imobiliário começa a despertar para o imenso potencial que existe na arquitetura voltada à qualidade da saúde e ao aumento da expectativa de vida humana.
À medida que olhamos para o futuro dos imóveis, podemos esperar um uso mais inteligente das tecnologias, com inovações e novas métricas para estabelecer uma melhor compreensão do que é bem-estar e qual sua relação com o ambiente natural ou construído.
Essa qualificação representará aumento exponencial nas vendas com a viabilidade de tornar um imóvel flexível e adaptável ao longo dos diferentes momentos da vida de seu morador.
Especialistas em gerontologia ressaltam que o mercado deve, ainda, compreender que há várias formas de envelhecer com qualidade de vida.
Se por um lado há necessidade de infraestrutura adequada e inclusiva, pensada, sobretudo, para os casos em que o idoso possui mobilidade reduzida, por outro, também é preciso pensar em ambientes de integração e sociabilidade
Estratégias de mercado imobiliário para a longevidade
O conceito Aging in Place passa a explicar um aspecto promissor em termos de espaço construído favorável à longevidade.
Para promovê-lo através do design arquitetônico é preciso considerar fatores relacionados à acessibilidade e segurança, ao isolamento, à temperatura e iluminação, ao tamanho da moradia e às distâncias a serem percorridas.
Qualidade do ar interno, flexibilidade do espaço e qualidade dos materiais
A flexibilidade dos espaços precisará preservar a boa qualidade do ar interno e a escolha dos materiais que serão necessários às novas configurações, carece do mesmo cuidado.
O interessante é prever acessibilidade regular na circulação entre os ambientes e nas passagens de portas.
Em geral, ambientes amplos, com ventilação e iluminação natural abundante, abertos e integráveis servem de base para qualquer projeto de acessibilidade universal em qualquer nível.
Além disso, para um bom design, os profissionais envolvidos no desenvolvimento dos projetos devem buscar compreender como o envelhecimento impacta a mobilidade e a agilidade, diminui a visão, a audição, o tato e o equilíbrio.
Também é importante analisar consequências psicológicas naturais como a negação, a depressão, a perda da conexão social, a solidão, o preconceito e a dependência de outras pessoas.
Estas considerações estão ligadas à importância da experiência física e multissensorial no ambiente construído, portanto influenciam na escolha dos materiais.
A qualidade dos materiais determina em grande parte a interação dos usuários com o espaço construído.
Eles darão identidade ao local, proporcionarão conforto visual e estético, garantirão a segurança e integridade física do usuário e determinarão a rotina de limpeza dos ambientes.
Criteriosamente selecionados desde a etapa de projeto, materiais adequados não geram custos adicionais ao orçamento da obra e ainda agregam valor ao imóvel, prolongando o ciclo de vida útil da edificação.
Portanto, o Aging in Place em conjunto com as outras temáticas abordadas colaboram em difundir o fato de que a qualidade do ambiente interno – qualidade do ar interno, flexibilidade do espaço e qualidade dos materiais – tem influência na qualidade de vida dos idosos sob um enfoque interdisciplinar.
Logo, o projeto imobiliário deve estar preocupado em entender como o ambiente atua na vida dos longevos, tanto no espaço individual quanto no comunitário, com o intuito de favorecer o envelhecimento no local onde eles moram, evitando ao máximo sua transferência para outros lugares, como instituições de longa permanência.
Conexão com o meio externo, com a natureza, com a comunidade e com o entorno
A localização e a implantação dos empreendimentos imobiliários estão entre as questões mais relevantes para a qualidade de vida que o imóvel irá proporcionar aos seus usuários.
Primeiro, porque determinará o diálogo do edifício com a malha urbana, definirá a mobilidade local, as conexões com comércio e serviços.
Segundo, porque delineará a permeabilidade entre público e privado, entre ambiente interno e externo.

Os locais projetados para longevos devem passar a sensação de segurança e familiaridade, oportunizando trocas entre a comunidade e a vizinhança naturalmente.
Isso destaca a importância do entorno e do bairro à medida que as pessoas envelhecem, particularmente em termos de acessibilidade a serviços e comodidades locais.
Privilegiar a conexão com a natureza – a luminosidade natural, a ventilação natural, os sons da natureza, olhar pela janela e contemplar vistas da natureza ou de elementos naturais pode afastar a frustração e aumentar entusiasmo pela vida, promovendo assim bem-estar.
Por fim, vale considerar que os espaços para pessoas com limitações de mobilidade – como necessidade de andador ou cadeira de rodas – podem ser conciliados com locais imersivos e convidativos à exploração e, até mesmo, a contemplação junto à prospecção humano/natural.
Os mais desafiados nos níveis motor e sensorial devem ter as mesmas oportunidades de interagir socialmente em espaços bem iluminados, com vegetação suficiente, sons interessantes, paisagens, aromas e design agradável, compreensível e congruente com a atmosfera proposta.

expresso.arq sobre artigo de Ciro Férrer Herbster Albuquerque e Maria Eduarda Alvares Kopper


