Conheça a arquitetura dos 10 países mais ricos do mundo

Em Montreal, no Canadá, é possível ver a união da arquitetura do passado e do presente
Em Montreal, no Canadá, é possível ver a união da arquitetura do passado e do presente Unsplash / andrew welch / CreativeCommons

Historicamente, a arquitetura de um país depende de fatores que exploram desde a sua história até o clima.

Em alguns lugares, como a Alemanha, por exemplo, a arquitetura também foi pensada no escoamento de água, para proteger as estruturas de madeira das casas; já no Japão, o ofício focou seu desdobramento em criar tecnologias anti-terremotos.

Curiosamente, nenhum (ou pouco) destes fatores está ligado à riqueza.

Os países que ocupam as posições de maior desenvolvimento econômico até podem ter referências arquitetônicas parecidas, mas desenvolveram estilos completamente únicos – ainda que todos produzam bens em torno dos trilhões de dólares.

Isso acontece justamente pela arte arquitetônica não ser medida somente – nem mesmo em grande parte – pelo poder de compra e produção, e muito mais pela cultura, pelos costumes e pela história.

Por isso, listamos os dez países “mais ricos” do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), e usando como medida o Produto Interno Bruto (PIB) para estudar partes marcantes da sua arquitetura.

Vale alertar que muitos economistas, entretanto, criticam o uso do indicador para medir “riqueza” (pois ele não leva em consideração a desigualdade social, por exemplo), mas desta vez, serve para matar a curiosidade!

10. Brasil

A cidade de Ouro Preto foi classificada como Patrimônio da Humanidade, em 1980 — Foto: Halley Pacheco de Oliveira / Wikimedia Commons
A cidade de Ouro Preto foi classificada como Patrimônio da Humanidade, em 1980 — Foto: Halley Pacheco de Oliveira / Wikimedia Commons

Para o arquiteto e urbanista e professor da Universidade federal de Minas Gerais (UFMG), Flavio Carsalade, é difícil falar de uma única arquitetura brasileira.

“Isso porque temos uma arquitetura vernacular e uma erudita, uma comercial e outra mais sofisticada. Temos diferenças regionais e também projetos que se inspiram em modelos internacionais, que poderiam ser classificadas como arquitetura sem pátria”, explica.

Fernando explica que ao falar sobre o período e a arquitetura colonial, as principais influências eram de origem europeia, como França e Portugal, mas com a chegada do Modernismo, na primeira metade do século 20, o suíço Le Corbusier – ícone da arquitetura moderna – e a escola alemã Bauhaus também mantiveram grande participação.

O arquiteto, entretanto, pontua que apesar das referências, o Brasil se diferenciava da Europa a partir de um estilo próprio, a exemplo das curvas em contraposição à racionalidade europeia.

“É difícil estabelecer um traço estilístico comum a nossas manifestações, mas, especialmente na arquitetura erudita, há uma maior atenção com a pré-existência e o contexto que as obras estão inseridas”, explica.

9. Canadá

Basílica de Notre-Dame em Montreal, Canadá, foi construída sob o estilo neogótico  — Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons / CreativeCommons
Basílica de Notre-Dame em Montreal, Canadá, foi construída sob o estilo neogótico — Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons / CreativeCommons

A arquitetura canadense é marcada, sobretudo, por construções dos povos originários e imigrantes europeus, como diz a The Canadian Encyclopedia.

A primeira é marcada pela arquitetura indígena temporária, como os iglus, a wigwam e o tipi, mas também pela permanente, como a pit-house, uma pequena casa em parte escavada para armazenar alimentos e proteger seus habitantes das condições climáticas intensas.

Estas estruturas, entretanto, não representam apenas o conhecimento técnico dos povos originários como também possuem representação espiritual e importância religiosa.

Já a arquitetura europeia começa a ser vista no Canadá, ainda segundo o portal, a partir do século 16, com a presença dos ingleses e franceses no país.

Os anos entre 1608 e 1759 marcaram significativamente a influência europeia, trazendo construções de pedra feitas pelo regime francês.

Seus propósitos variavam entre prédios religiosos até instalações militares e, em contraposição, a influência britânica é vista em pequenas fortificações em formato de casas contra a posição francesa no país.

Os anos seguintes, com a crescente influência britânica acima da francesa, marcaram o país com a arquitetura real, como edifícios domésticos refinados, da era Georgiana e prédios públicos da Vitoriana. Atualmente, a arquitetura canadense desenvolve uma linguagem própria, celebrando o passado indígena e o regionalismo.

Em Montreal, por exemplo, é comum encontrar casas de dois a três andares com escadas externas e estruturas francesas remanescentes, justapondo o passado com o presente.

8. Itália

Coliseu de Roma, na Itália — Foto: ThinkStock
Coliseu de Roma, na Itália — Foto: ThinkStock

A Itália é uma raridade de estilos variados, baseados principalmente no DNA artístico que o país carrega. É possível entender mais sobre a sua arquitetura através da história Grega e Romana da região, que foi absorvida na modernidade e permanece até hoje, como o icônico Coliseu.

Segundo o site oficial do anfiteatro, seu exterior foi construído usando tufa e calcário de travertino, enquanto as colunas que separavam as entradas foram construídas com estilo Dórico, a mais antiga arte grega cheia de formas geométricas e proporções harmoniosas.

Além das influências mais antigas, a Itália guarda construções verticais da arquitetura toscana, da Idade Média, do jeito que assistimos em filmes e séries de época: pedras, madeira e estilo rústico.

De mãos dadas com o Brasil, as igrejas italianas também possuem traços barrocos, conhecidos internacionalmente pela Capela Sistina e em grandes construções ornamentais, pinturas no teto e elementos que remetem à grandeza.

Por fim, apesar de enraizada ao passado, a Itália também possui uma bela arquitetura contemporânea, como os arranha-céus na cidade de Milão.

7. França

Torre Eiffel, em Paris, na França foi nomeada após o engenheiro Gustave Eiffel — Foto: Pete Linforth / Pixabay / CreativeCommons
Torre Eiffel, em Paris, na França foi nomeada após o engenheiro Gustave Eiffel — Foto: Pete Linforth / Pixabay / CreativeCommons

Como a Itália, a França também agarra as fortes influências arquitetônicas greco-romanas e ecléticas, algumas construções do período inclusive permanecem de pé, como a Arena de Nimes, palco do estilo Dórico.

Segundo o portal Art In Context, o uso do concreto na arquitetura francesa, bem como a presença de arcos e abóbodas ao longo da história são uma herança dos aspectos romanos remanescentes.

Com marcações também de uma arquitetura gótica, como a Catedral de Notre-Dame, que leva formas ogivais e arcos diagonais e, como grande parte da europa, impressões Renascentistas (como o Castelo de Montsoreau), modernistas e provençal.

A Torre-Eiffel se destaca como o maior ícone arquitetônico e da engenharia, feita de ferro-fundido e marcando o encontro da arquitetura modernista com o estilo clássico francês.

6. Países do Reino Unido

As vilas pitorescas de Cotswolds remetem à imagem típica do interior da Inglaterra  — Foto: Wikimedia Commons / Creative Commons
As vilas pitorescas de Cotswolds remetem à imagem típica do interior da Inglaterra — Foto: Wikimedia Commons / Creative Commons

Como a França e a Itália, os países do Reino Unido (Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales) também se apresentam através de estéticas clássicas, como a Arquitetura Gótica, medieval, estilos próprios e arquitetura do século 21.

A arquitetura inglesa é a que mais recebeu referências de outros países da Europa, como a França, reajustando os padrões a um estilo único. 

A King’s College Chapel é uma pérola arquitetônica com influências góticas importadas da França, o Gótico Perpendicular na estrutura é caracterizada por janelas imensas e linhas verticais, enquanto o simbolismo da arquitetura Tudor também aparece como forma de ligação aos estilos medievais.

A união com as tradições inglesas são tão fortes que mesmo a arquitetura moderna do país são moldadas a partir dos desenhos clássicos.

5. India

Taj Mahal, na Índia possui estilo arquitetônico mogol (ou mughal)  — Foto: Dave Parkinson / Pixabay / CreativeCommons
Taj Mahal, na Índia possui estilo arquitetônico mogol (ou mughal) — Foto: Dave Parkinson / Pixabay / CreativeCommons

A arquitetura da Índia é intimamente ligada aos costumes religiosos do país, mas mistura diversos tipos de estilos e abordagens, inclusive históricos.

Lembrada principalmente pela arquitetura Budista sob estruturas de pedra, a Hindu e o imenso Taj Mahal, baseado na arquitetura do Império Mogol.

A arquitetura tradicional indiana foi resgatada após o país se ver independente das amarras britânicas, mas, até hoje, possui um DNA abrangente, indo desde a arquitetura vernacular, religiosa até o concreto, um dos símbolos da pós-independência.

4. Alemanha

Casas de enxaimel, na Alemanha  — Foto: Peter Wolf / Pixabay / CreativeCommons
Casas de enxaimel, na Alemanha — Foto: Peter Wolf / Pixabay / CreativeCommons

Como um país Europeu, a Alemanha também foi influenciada pelos estilos do continente, mas possui características próprias marcantes, como as casas em modelo enxaimel, com vigas de madeira – presentes até no Brasil – e a ruptura com as marcas romanas.

Os telhados inclinados das casas enxaimel dão um charme às cidades, mas não para por aí: sua missão também é evitar infiltração na madeira, visto que o clima alemão é úmido com fortes chuvas o ano inteiro.

3. Japão

A arquitetura japonesa tem influências do próprio clima e paisagem chinesas e ocidentais — Foto: Hervé / Pixabay / CreativeCommons
A arquitetura japonesa tem influências do próprio clima e paisagem chinesas e ocidentais — Foto: Hervé / Pixabay / CreativeCommons

Historicamente influenciado pela arquitetura chinesa, o Japão também criou seu estilo próprio em busca de um equilíbrio climático e cultural.

As casas mais antigas são elevadas, para que a ventilação passe pelos lados e em baixo e não cause complicações durante o longo verão.

Possuem ornamentos simples e pontos de madeira que, diferentes da arquitetura chinesa, não são pintadas.

Outras características presentes até atualmente são da arquitetura budista – com palácios e locais de adoração – e xintoísta – marcado por lanternas de pedra e construções variadas.

Mas o país também conta com arquitetura moderna, que, inclusive, adiciona métodos ocidentais à decoração e ao design.

Características próprias do país envolvem, principalmente, o interior das casas, que é, geralmente, dividido por biombos, Shojis (paineis ou portas de correr) ou fusumas (porta corrediça de papel) e a arquitetura anti-terremotos, que permite até mesmo a criação de arranha-céus, como a Landmark Tower.

2. China

Casa de Chá Chinesa, caracterizada pelos grandes jardins e estrutura opulenta — Foto: Jasmin777 / Pixabay / CreativeCommons
Casa de Chá Chinesa, caracterizada pelos grandes jardins e estrutura opulenta — Foto: Jasmin777 / Pixabay / CreativeCommons

Conhecida pela mistura extasiante entre o passado e a modernidade, a China tem forte apego às suas tradições enquanto mantém uma visão futurista em diferentes partes do país.

O Art In Context explica que uma parte das construções majestosas da China antiga permanecem intocadas e são caracterizadas por palácios opulentos, uso de madeira e materiais mais resistentes.

Visualmente, o equilíbrio é procurado através de uma arquitetura bilateral simétrica, que pode ser encontrada nos maiores palácios às casas mais simples.

O belo e vasto paisagismo nos jardins junto de estruturas elevadas e horizontais são características marcantes da arquitetura chinesa, que se misturam a abordagens modernas nas cidades, a exemplo de Pequim, que guarda o arranha-céu China World Trade Center.

1. Estados Unidos

Entrada de casa em Massachusetts, Estados Unidos, em arquitetura federal — Foto: massmatt / flickr / CreativeCommons
Entrada de casa em Massachusetts, Estados Unidos, em arquitetura federal — Foto: massmatt / flickr / CreativeCommons

A arquitetura estadunidense é intimamente ligada aos períodos históricos do país, mas destacamos o pós-independência, onde o país resgatou a arquitetura clássica na busca de um estilo próprio.

Foi assim que nasceu a arquitetura federal que, segundo o General Services Administrations do governo estadunidense, desenvolveu-se a partir do estilo georgiano e inspirada nos monumentos da Roma Antiga.

Também conhecido como estilo Adam, as suas características envolvem simetria, clarabóias elípticas sobre portas frontais com painéis, janelas de caixilhos duplos e palladianas de três partes e ornamentação nas paredes e nos tetos.

Além desta, os norte americanos buscaram uma aproximação rápida com o modernismo e o art decó, caracterizando prédios a partir de tetos retos, frente de janelas, e referências ao brutalismo e expressionismo.

expresso.arq sobre artigo de Rafaela Freitas

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