O que faz um mestre de obras na construção civil

Administrar pessoas nas frentes de trabalho, supervisionar processos construtivos, interpretar plantas, fazer diferentes medições e contribuir para o planejamento de obras, com base no projeto executivo e no cronograma definidos pela construtora e pelo engenheiro responsável.

Assim podemos definir, em poucas palavras, as tarefas do dia a dia do mestre de obras.

Na prática, é isso e muito mais.

Quem conhece um pouco do cotidiano dos canteiros no Brasil sabe que, em muitas obras, o mestre é tão ou mais respeitado do que o engenheiro civil.

Principalmente quando reconhece as próprias limitações de conhecimento técnico, mas sabe utilizar a experiência adquirida durante anos para contribuir com os objetivos da construtora, sem ignorar os preceitos de qualidade, segurança do trabalho e a necessidade da preservação ambiental.

É o braço direito do engenheiro.

Mas, pode ser também um mentor, no caso de jovens profissionais recém-chegados da faculdade, ainda em processo de formação.

E quase sempre é um interlocutor privilegiado entre a área técnica da empresa e os operários, encarregados e subcontratados, estabelecendo a comunicação técnica e de gestão compatível com a capacidade de entendimento das equipes.

Para liderar tanta gente, entender de gestão de pessoas é fundamental.

E a habilidade pode ser desenvolvida.

“É a parte que considero a mais importante em nosso curso”, afirma Abilio Weber, diretor da Escola Senai “Orlando Laviero Ferraiuolo”, em São Paulo.

A unidade oferece o curso de especialização profissional Mestre de Obras, com 300 horas de duração.

Dessa carga horária, 60 horas são dedicadas à administração de pessoas no canteiro de obras.

“A capacidade de gestão das equipes, sem a necessidade de gritos ou berros, é fundamental na formação dos novos mestres de obras”, completa Weber.

“Mediar conflitos entre as equipes, sendo justo e transparente com todos, é uma das atribuições dos mestres”, afirma o dirigente.

“Isso demanda equilíbrio emocional para lidar com diferentes tipos de pessoas, tomar decisões que, às vezes, são difíceis e manter uma boa comunicação”, complementa.

Mas, afinal, quais são os requisitos necessários para os atuais e os futuros mestres de obras na construção civil?

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO MESTRE DE OBRAS

Experiência e formação mínima

Para se candidatar ao curso de especialização no Senai-SP, por exemplo, os profissionais devem ter concluído o ensino fundamental e ter mais de 18 anos.

Além disso, devem comprovar experiência de, pelo menos, 5 anos em uma ou mais áreas relacionadas à construção civil: instalador hidráulico, armador, carpinteiro de formas, carpinteiro de estruturas de telhado, assentador de revestimento cerâmico ou construtor de alvenaria (pedreiro).

É desejável também experiência profissional no comando de equipes na área.

Ou seja, não há mestre de obras sem comprovada vivência em canteiros.

Interpretação de projetos

Saber ler plantas de arquitetura, estruturas e instalações prediais constitui pré-requisito para um bom mestre de obras.

É fundamental ter domínio das unidades de medida no sistema métrico decimal e do uso dos instrumentos de medição utilizados nos canteiros.

“Em 40 anos de vivência nas obras, observo que muitos mestres possuem formação inicial em carpintaria”, afirma Ishikawa.

“Se destacam porque sabem medir, conhecem os números e trabalham com régua. Em geral, já trazem uma formação escolar um pouco maior”.

Com o advento do BIM (Building Information Modeling) nas obras, os mestres devem se preparar para a visualização dos projetos também em 3D.

Os principais cursos na área já incluem a metodologia nos programas.

Conhecimento sobre sistemas construtivos

Não dá para supervisionar a execução de um determinado serviço na etapa de fundações, acompanhar uma concretagem ou a instalação dos sistemas elétricos ou hidráulicos sem conhecimento técnico prévio.

E a melhor forma de avançar nesse quesito é saber combinar aprendizado escolar, ou seja, cursos específicos de formação, alternando aulas práticas e teóricas, com a vivência profissional em campo, que é insubstituível.

Noções de planejamento e logística

A responsabilidade pelo planejamento e controle de obras é do engenheiro civil, assim como a logística do canteiro e a definição dos fluxos de materiais, de mão-de-obra, recebimentos, estocagem, processamento etc. Estabelecidos o cronograma e o projeto executivo, o mestre deve possuir capacidade técnica para compreendê-los e trabalhar pelo cumprimento dos prazos, fazendo a gestão das equipes envolvidas.

Zelo pela qualidade, segurança do trabalho e preservação ambiental

As políticas internas de qualidade, segurança do trabalho e meio ambiente são definidas pela direção da construtora, observando a legislação vigente e os objetivos estratégicos da companhia.

O mestre é peça fundamental na tradução de conceitos complexos em ações efetivas, fazendo a interlocução entre a direção técnica e o engenheiro responsável com os encarregados, os subcontratados e os operários.

“A gestão da segurança do trabalho deve ser uma atribuição do mestre, sob a orientação da construtora”, afirma Weber.

Gestão de pessoas

A liderança do mestre de obras é fundamental.

Um dos grandes desafios é orientar e motivar a execução de diferentes trabalhos, buscando sempre compatibilizar as características pessoais dos profissionais da equipe em função das técnicas e habilidades necessárias para a boa finalização dos serviços.

“Isso é capacidade de identificar talentos, mesmo que seja para tarefas bem específicas”, aponta Weber.

Outra missão complexa, em tempos de crescente subcontratação de serviços, é gerenciar o trabalho dos subempreiteiros, se relacionando apenas com o encarregado, sem contato direto com a equipe de execução ou instalação, prevenindo assim eventuais reclamações trabalhistas.

Confiança junto à área técnica da construtora

Por que raramente uma construtora cogita a terceirização do mestre de obras?

Um dos motivos é a necessidade da empresa de possuir um representante direto no canteiro, capaz de fazer a interlocução adequada entre a área técnica da empresa e as equipes de obra, utilizando uma linguagem compatível com a capacidade de entendimento do pessoal.

Outro motivo é a relação de confiança, calcada na experiência dos mestres.

“A construção civil brasileira registrou muitos avanços nas últimas décadas, mas ainda é caracterizada por uma produção artesanal, se comparada aos países do Primeiro Mundo”, afirma o vice-presidente do SindusCon-SP.

“Qual construtora vai abrir mão de um profissional confiável e com larga experiência nesse tipo de sistema construtivo?”, indaga Ishikawa.

expresso.arq com informações e Cozza Comunicação

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