O brasileiro que tem revolucionado o mercado imobiliário de Miami
Miami é o sonho de muitos brasileiros — especialmente os que já cumpriram um ciclo de vida no Brasil e querem aproveitar o que a cidade no sul da Flórida tem de melhor.
Foi isso que fez o ex-CEO do grupo Fórum-Triton André Duek.
Em 2008, após a empresa criada em São Paulo por seus tios Tufi e Isaac ser comprada pelo grupo AMC Têxtil em um negócio estimado em R$ 250 milhões, ele decidiu deixar para trás o mundo da moda e se mudou para os Estados Unidos.
Em vez de se manter no mesmo ramo de negócios da família, decidiu empreender no setor que atende aos anseios de outros tantos brasileiros: o imobiliário.
Foi assim que criou, do zero, o Duek Lara Group.
Em dez anos, o negócio prosperou a ponto de ser comprado pela gigante One Sotheby’s International Realty.
Até 2027, a meta é alcançar US$ 1 bilhão de vendas.

Sobreviver — e prosperar — no concorrido mercado imobiliário da Flórida não é para amadores.
E Duek entendeu logo que precisaria se especializar para fazer diferença.
A forma que encontrou para se destacar entre os 120 mil profissionais que atuam na venda de residências no estado foi atender brasileiros.
Além de atuar como corretores, ele e sua equipe integraram serviços de consultoria, auxiliando com questões burocráticas de imigração, informações sobre a cidade e networking profissional.
“O imóvel passa a ser secundário, a partir do momento que você está ajudando a pessoa a mudar de vida”, disse Duek.
Segundo ele, o que sua empresa faz é criar uma relação de confiança que gera engajamento dos clientes e consequentes indicações para amigos e familiares.

A aquisição pelo One Sotheby’s International Realty, em 2020, manteve Duek à frente do negócio.
No ano passado, ele e sua equipe venderam US$ 103 milhões, com tíquete médio de US$ 1 milhão.
Entre os compradores, o perfil que prevalece é o de casais com dois filhos que buscam residências de três dormitórios, próximas a boas escolas públicas.
Boca Raton, Bay Harbor Island e Key Biscayne estão entre os destinos mais procurados.
Apesar de descrever um padrão entre seus clientes, Duek vem testemunhando mudanças no perfil do imigrante brasileiro desde que chegou à Flórida há mais de dez anos.
Elas são pautadas, naturalmente, pelas condições econômicas e políticas do Brasil.
Segundo ele, a procura pelos seus serviços aumenta em tempos de eleição.
Além disso, a depreciação do real frente ao dólar ao longo dos anos formatou um novo tipo de imigrante.
Em 2012, quando começou seus negócios, o dólar era cotado a R$ 2,00.
Hoje, com o preço em torno de R$ 5,50 a mudança de país não permite espaço para aventuras.
Começar uma vida nova nos Estados Unidos exige um bom planejamento financeiro.
” Quanto mais a pessoa conseguir fazer uma transição suave, mais chance de sucesso ela terá”, disse Duek.
Guia Michelin
Quem opta pela mudança encontra em Miami muito mais que o cenário de palmeiras, mar azul e prédios altos ao longo da orla.
A cidade tem se destacado pela revitalização de bairros antes decadentes e pela criação de uma cena cultural pulsante.
Além do clima ameno, baixos impostos e bons preços nas moradias, o estado da Flórida tem investido em segurança na tentativa de deixar no passado muitas das cenas de violência que levaram à criação da série
Miami Vice, na década de 1980.

A transformação da cidade onde cerca de 400 mil brasileiros têm residência (de acordo com o Ministério das Relações Exteriores) faz dela uma campeã em restaurantes com estrelas do Guia Michelin.
São 11 estabelecimentos.
A oferta se justifica por outro dado interessante: Miami e região se transformaram em um novo polo tecnológico dos EUA.
Nada que rivalize com o Vale do Silício, na Califórnia, ou Massachusetts, sede do MIT e da Universidade Harvard.
Ainda assim, de acordo com levantamento da eMerge Americas, U$ 5,3 bilhões foram investidos em startups do sul da Flórida em 2021.
Essa conjunção de fatores tem atraído não apenas brasileiros como também nova-iorquinos.
Cada vez mais gente troca a Big Apple pelo clima ameno e impostos menores junto à praia. Em 2021, 61,7 mil pessoas se mudaram de Nova York para a Flórida.
No setor imobiliário, o impacto dessa onda migratória se reflete em uma alta de preços de até 30%.
Mas nem isso não tira o otimismo de Duek em relação ao futuro:
“Esse efeito socioeconômico, revitalização do público e dinheiro novo está dando um refresh na cidade. Isso não havia quando vim para cá”.
expresso.arq sobre artigo de Lara Sant’Anna


