Como é o túnel que liga os prédios do MASP na Avenida Paulista

Um ano após a inauguração do Edifício Pietro Maria Bardi, anexo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), o museu ganha uma nova conexão subterrânea entre o edifício e o icônico Edifício Lina Bo Bardi, na Avenida Paulista, em São Paulo. Inaugurado em 1968, o prédio projetado por Lina Bo Bardi agora passa a ser ligado ao anexo por um túnel concebido para integrar os dois espaços. A passagem é ocupada por Pietrolina, pintura inédita de Beatriz Milhazes criada especialmente para o local.

Com 98 metros de extensão, Pietrolina presta homenagem a Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, casal responsável pela criação do MASP. O trabalho acompanha o percurso do visitante por meio de uma pintura de 60 metros, paralela a uma parede de 38 metros onde foram instalados elementos reflexivos que ampliam a percepção do espaço.

A obra que ocupa o túnel é intitulada 'Pietrolina', desenvolvida especialmente para a passagem subterrânea — Foto: Eduardo Ortega/Divulgação
A obra que ocupa o túnel é intitulada ‘Pietrolina’, desenvolvida especialmente para a passagem subterrânea — Foto: Eduardo Ortega/Divulgação

Reconhecida por uma produção marcada pelo uso de cores, formas geométricas e referências à cultura brasileira, Milhazes desenvolveu a obra a partir do ritmo e da sucessão de elementos dos desfiles de carnaval. O desenho inicial deu lugar a um estudo cromático que resultou em uma paleta de 33 tintas acrílicas, distribuídas ao longo do percurso.

A elaboração de Pietrolina levou mais de dois anos, incluindo três meses de trabalho diretamente na passagem subterrânea. No mural, aparecem elementos recorrentes na produção da artista, como arabescos, listras, formas orgânicas e motivos florais. A composição também estabelece um diálogo com Avenida Paulista (2020), obra de Milhazes incorporada ao acervo do MASP por ocasião da retrospectiva dedicada à artista pelo museu.

A elaboração do projeto levou mais de dois anos, sendo três meses de trabalho dentro da passagem subterrânea — Foto: Eduardo Ortega/Divulgação
A elaboração do projeto levou mais de dois anos, sendo três meses de trabalho dentro da passagem subterrânea — Foto: Eduardo Ortega/Divulgação

Projetada pelo METRO Arquitetos Associados, a nova conexão começou a ser desenvolvida em 2019 e foi pensada para permitir que o público circule de forma contínua entre os dois edifícios. O túnel tem 50 metros de extensão, cinco metros de largura e 2,5 metros de altura. Além de facilitar o percurso dos visitantes, a estrutura amplia as possibilidades de operação do museu ao permitir o transporte seguro e eficiente de obras de arte entre os prédios.

As obras tiveram início em 2023 e envolveram o remanejamento de redes de infraestrutura de água e esgoto, energia e telefonia, além de escavações e da recomposição da calçada. O planejamento buscou preservar a circulação de pedestres na Avenida Paulista durante toda a execução do projeto.

As obras, que iniciaram em 2023, incluíram o remanejamento das redes de infraestrutura de concessionárias de água e esgoto — Foto: Eduardo Ortega/Divulgação
As obras, que iniciaram em 2023, incluíram o remanejamento das redes de infraestrutura de concessionárias de água e esgoto — Foto: Eduardo Ortega/Divulgação

A nova passagem subterrânea amplia a integração entre os dois edifícios do MASP e transforma o trajeto entre eles em parte da própria experiência do museu, agora marcado pela intervenção de Beatriz Milhazes.

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