O que a ciência diz sobre os benefícios de abraçar árvores
Em meio a uma rotina marcada pela pressa, pelas telas e pelo excesso de estímulos, o contato com a natureza pode ajudar a desacelerar e recuperar a atenção ao corpo e ao ambiente ao redor. Abraçar uma árvore, nesse sentido, é um gesto simples que convida a uma pausa e à reconexão com o mundo natural.
“Abraçar uma árvore, para mim, é um jeito simples de parar, tocar algo vivo e prestar atenção no que está ao redor. Não precisa ter um significado grandioso, só essa pausa já ajuda”, afirma o paisagista Rodrigo Maciel.
Ao abraçar uma árvore, a percepção de vínculo com a natureza pode se fortalecer. Mais do que promover uma pausa e desacelerar o ritmo cotidiano, o gesto convida a direcionar a atenção, de forma consciente, para o ambiente ao redor e a perceber a árvore não apenas como parte da paisagem, mas como um ser vivo.
“Do ponto de vista da ecopsicologia, o abraço pode possuir uma dimensão que não é adequadamente capturada apenas por indicadores fisiológicos: ele pode transformar a árvore de ‘objeto da paisagem’ em outro ser vivo com o qual estabelecemos uma relação”, explica Marco Aurélio Bilibio Carvalho, diretor do Instituto Brasileiro de Ecopsicologia.
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Esse contato também envolve uma dimensão sensorial e relacional. Ao tocar uma árvore, é possível perceber a textura e a temperatura da casca, sentir seu cheiro e reconhecer sua dimensão e presença. A experiência pode, assim, ampliar a sensação de conexão com o ambiente e contribuir para uma percepção mais consciente da natureza.
Abraçar qualquer árvore traz benefícios?
Não é necessário estar em uma floresta ou em um espaço repleto de vegetação para ter contato com a natureza. Para quem vive em grandes centros urbanos, alternativas mais simples também podem proporcionar esse tipo de experiência.
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Um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein mostra que até mesmo a contemplação de imagens da natureza pode produzir efeitos positivos. A pesquisa acompanhou 173 pacientes durante sessões de quimioterapia, que assistiram a vídeos de 12 minutos compostos por fotografias de paisagens e elementos naturais. Após a intervenção, os pesquisadores identificaram uma redução de efeitos negativos e uma melhora significativa em sintomas como dor, cansaço, tristeza e ansiedade.
O resultado reforça que a conexão com a natureza não depende necessariamente de grandes áreas florestadas. Mesmo em meio à rotina urbana, pequenas oportunidades de contato com elementos naturais podem criar momentos de pausa e desaceleração.
“Ficar perto do verde ajuda a desacelerar. Olhar as folhas se mexendo, sentir a sombra, notar uma flor abrindo são coisas simples que fazem bem”, afirma Rodrigo.
Outras formas de se conectar com a natureza
Cultivar uma horta ou cuidar de plantas em vasos são maneiras simples de trazer elementos naturais para a rotina. Além de acompanhar o crescimento das espécies, quem tem espaço pode cultivar temperos, ervas e até alguns alimentos para o próprio consumo.
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Já em ambientes menores, os vasos podem ser adaptados às condições disponíveis, levando em conta fatores como iluminação, rega e as necessidades específicas de cada planta.
Outra possibilidade é o banho de floresta. “A pessoa diminui deliberadamente o ritmo, interrompe por algum tempo a lógica cotidiana de produtividade e direciona a atenção para aquilo que está acontecendo ao seu redor e em seu próprio corpo: sons, aromas, texturas, movimentos, temperatura, luminosidade e outras sensações”, explica Marco Aurélio.
O grounding é outra prática de conexão com o ambiente natural. A proposta consiste em estabelecer contato direto da pele com a superfície da terra, com o objetivo de desacelerar.
expresso.arq com informações de Bianca de Mattos


