Como o paisagismo realça a tematização dos parques da Universal em Orlando
O paisagismo é uma das engrenagens invisíveis que tornam os parques de diversões ainda mais imersivos e memoráveis. Integrado à arquitetura e à sonorização, o uso das plantas cria cenários capazes de transportar os visitantes para mundos fictícios impressionantes. É o que acontece no complexo Universal Orlando Resort, na Flórida, Estados Unidos, onde a fusão entre natureza e elementos cênicos transforma atrações e áreas temáticas em experiências sensoriais únicas.
No parque Islands of Adventure, por exemplo, o espaço dedicado a Jurassic Park conta com espécies que simulam a atmosfera selvagem da Costa Rica, retratada na saga cinematográfica homônima. Já na área The Wizarding World of Harry Potter, árvores como cedro-deodara (Cedrus deodara) e zimbro-da-virgínia (Juniperus virgiana) ajudam a recriar a sensação de estar no Reino Unido, o principal território onde acontecem as aventuras do jovem bruxo.
A escolha das espécies não é aleatória ou apenas decorativa: há uma estratégia que busca unir estética, segurança e funcionalidade, considerando o clima quente da Flórida para garantir que a vegetação prospere.
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“Encontrar espécies que se encaixam na temática, mas que sobrevivam em Orlando é desafiador. Ao desenvolver o paisagismo das áreas de Harry Potter, queríamos criar a Escócia na Flórida. Nosso clima úmido, com chuvas de verão, nos obrigou a escolher espécies adaptáveis, mas que também parecessem pertencer a uma floresta escocesa”, relata Linda Hall, vice-presidente de Serviços Técnicos – Horticultura do Universal Orlando Resort, em entrevista à Casa e Jardim.
Todo esse trabalho de seleção e manutenção das plantas é realizado por uma equipe multidisciplinar composta por horticultores, jardineiros, técnicos de irrigação e manejo de pragas, além de arquitetos paisagistas. O time atua em parceria com a Universal Creative, setor responsável pelo design e engenharia de atrações, parques e hospedagens da empresa em todo o mundo.
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“Nosso objetivo é imergir totalmente os visitantes nas aventuras. Por exemplo, no Universal Volcano Bay, parque aquático, queríamos criar um cenário polinésio, então plantamos sete mil árvores e 650 tufos de bambu para alcançar isso. A paisagem é a última parte da tematização e a peça que une toda a arquitetura”, diz Linda.
Esses profissionais também são responsáveis, diariamente, pela manutenção dos jardins. E a rotina começa cedo: “A maioria da nossa equipe inicia às 2h da manhã, quando o parque ainda está fechado, para garantir que tudo esteja pronto antes da chegada dos visitantes”, revela a vice-presidente. Durante o dia, inspeções constantes asseguram que o paisagismo esteja sempre “pronto para exposição”.
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A segurança também é prioridade. Ao redor da montanha-russa Velocicoaster, que atinge cerca de 113 km/h, especialistas realizam inspeções noturnas nos trilhos e nas árvores próximas para garantir que nada tenha se deslocado ou possa ser lançado para dentro da atração.
“Tomamos precauções baseadas em quanto uma árvore pode se curvar com ventos fortes, se há sementes ou se as folhas de podem se soltar”, comenta Linda.
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Práticas sustentáveis também fazem parte da rotina, como a reutilização de água da chuva nas estradas do resort, incorporação diária da borra de café dos restaurantes ao solo e uso de pesticidas verdes.
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Composição verde
No Universal Orlando Resort, são mais de 50 mil árvores, 165 mil flores e 1 milhão de arbustos distribuídos pelos quatro parques. As espécies não estão ali apenas para embelezar: elas também oferecem sombra e conforto ao público. Para se ter uma ideia, na área do Jurassic Park a temperatura pode parecer até oito graus mais fresca graças à vegetação.
Nesse espaço, encontram-se espécies como Tipuana tipu, unha-de-vaca (Bauhinia blakeana), pau-ferro (Caesalpinia ferrea), Pandanus utilis e Bambusa oldhamii. “Usamos grandes árvores tropicais e palmeiras, espécies que remetem à era Jurássica. Evitamos flores muito coloridas ou plantas que pareçam artificiais, privilegiando o aspecto selvagem da selva costarriquenha”, explica Linda.
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Algumas espécies podem se repetir em diferentes áreas temáticas, mas cada espaço preserva sua própria identidade. No Celestial Park, parte que simboliza o futuro dentro do parque Epic Universe, o cenário é composto por plantas como Michelia champaca, Tabebuia aurea, Caesalpinia grandillo e Chionanthus retusus.
Na área dedicada aos vilões da Universal, o Dark Universe, também parte do Epic Universe, o paisagismo assume um tom sombrio e imponente. Entre os destaques estão oliveiras centenárias, importadas da Europa, que conferem um ar de mistério e antiguidade, além de Polyalthia longifolia, Weeping Ilex vomitoria e carvalho-vivo-do-sul (Quercus virginiana).
expresso.arq com informações de Nathalia Fabro


