O que é vime? As diferenças para outras fibras naturais e como usar na decoração
Ao contrário do que muitos pensam, o vime não se define como uma planta, mas sim como um método de tecelagem milenar executado com caules flexíveis de arbustos do gênero Salix (os salgueiros). Leve e maleável, a fibra é empregada na produção artesanal de móveis e acessórios desde a Antiguidade — com registros históricos que remontam ao Antigo Egito.
“Mesmo sendo tão antigo, continua atual. Isso acontece porque reúne natureza, trabalho manual e textura, três características que têm sido muito valorizadas dentro de casa”, opina a arquiteta Patrícia Gava, do escritório Gava Arquitetura.
A produção das peças de vime envolve a preparação das fibras até que elas atinjam a flexibilidade ideal para serem trançadas. Após a colheita, os ramos passam por um processo de secagem e tratamento para, em seguida, serem trabalhados manualmente ou com auxílio de ferramentas, criando diferentes tipos de tramas, acabamentos e formatos.
“É justamente esse trabalho manual que dá identidade às peças. A trama nunca fica exatamente igual, e acho que esse é um dos grandes encantos do vime”, destaca Patrícia.
O vime é um material resistente e bastante maleável, que pode ser encontrado em diferentes tonalidades naturais ou receber acabamentos que ampliam suas possibilidades de uso.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2025/5/U/7fEvLiTBiRYdqAG71dEw/1-entrada-corredor-paredes-terracota-escadas-sertao-arquitetos.jpg)
“A principal diferença do vime está na sua flexibilidade, que permite curvas e peças com desenhos elaborados. Comparado a fibras como palha, junco ou rattan, costuma apresentar uma trama mais delicada e um acabamento refinado”, conta a arquiteta Babi Teixeira.
Bastante versátil, os delicados trançados do vime podem ser usados na fabricação de mobiliários e variados acessórios decorativos: cestos, luminárias, poltronas, cadeiras, cabeceiras, camas, bancos, mesas auxiliares e espelhos. “Acho interessante perceber que deixou de aparecer apenas como um detalhe decorativo e passou a ocupar também um papel de destaque dentro dos ambientes”, diz Patrícia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2025/E/A/wMhIjsQQ6BGhfQQxgVtQ/12-suite-cabeceira-madeira-quadros-livia-werdine.jpg)
Quando usar vime na decoração
Babi indica o vime sempre que o objetivo for criar cômodos acolhedores e leves. “Funciona muito bem em projetos que buscam adicionar textura e personalidade”, fala. “O material combina com madeira, pedras naturais, linho, algodão e plantas, criando composições atemporais.”
“Isso deixa o ambiente mais interessante, porque conseguimos trabalhar diferentes materiais naturais sem repetir um só linguagem o tempo todo”, adiciona Patrícia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2025/Z/2/HccCAPRTuyKQscwcWuzg/dsc04013.jpg)
Para a arquiteta do Gava Arquitetura, o vime é ideal para enriquecer a composição, principalmente em projetos neutros, onde as texturas fazem diferença. “Gosto como ele conversa com a madeira. Os dois têm naturalidade, mas cada um traz uma leitura diferente. Hoje, mais do que escolher um único material, procuramos sobrepor texturas e criar camadas. O vime entra muito bem nesse lugar.”
Ao optar pelo material na decoração, é preciso observar a qualidade da execução, já que a trama, a proporção, o acabamento e o desenho da peça fazem muita diferença no resultado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/B/h/ysk2UhSBA239upOUB5QQ/11-suite-filha-papel-de-parede-cama-fibra-natural-gava-arquitetura.jpg)
De acordo com as profissionais, o vime funciona muito bem em projetos com proposta natural, mediterrânea, praiana, campestre ou rústica, principalmente quando aparece em maior quantidade.
“Ao mesmo tempo, gosto de utilizá-lo em projetos contemporâneos, justamente para equilibrar linhas retas e materiais industriais. Também funciona em ambientes clássicos, com mobiliário de desenho tradicional e peças robustas”, opina Patrícia. “Nesses casos, o vime traz um contraste muito interessante. O segredo não está no estilo do projeto, mas na proporção em que o material é utilizado.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2023/Q/P/k894KNQm2NezFbBL4ZOw/sala-de-jantar-pendente-estilo-gaiola-mesa-quadrada-branca-cadeiras-de-madeira-apartamento-alugado-de-100m2-no-flamengo-assinado-pela-arquiteta-isabella-lucena-foto-4.jpg)
Apelo sustentável
Para as arquitetas, o vime pode ser considerado uma opção sustentável de decoração — desde que a matéria-prima tenha origem responsável — por se tratar de uma fibra natural e renovável. “Além disso, sua produção artesanal costuma valorizar técnicas tradicionais e contribuir para a geração de renda”, analisa Babi.
Na opinião de Patrícia, o vime tem características que fazem sentido dentro da lógica de consumo consciente. Mas, para ela, a sua sustentabilidade também passa pela durabilidade do material. “Gosto de pensar em peças que permaneçam por muitos anos e que não precisem ser substituídas a cada mudança de tendência. É uma forma importante de olhar para a sustentabilidade”, pontua.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2024/W/q/526qitSei7HcoY73fJmQ/suite-painel-branco-na-cabeceira-poltrona-travessa-arquitetura.jpg)
Vime natural e sintético?
O vime natural é um material mais nobre, produzido a partir das próprias fibras vegetais dos arbustos do gênero Salix. Já o vime sintético é fabricado com fibras de resina ou polietileno, sendo uma boa opção para áreas externas.
“O natural preserva todas as características da fibra, como textura, nuances de cor e envelhecimento ao longo do tempo. Já o sintético costuma ser especificado quando a peça ficará em áreas externas, porque oferece maior resistência ao sol e à chuva”, explica Patrícia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2026/S/A/TROrMPR0uPDiGHAX46ZQ/9-area-gourmet-mesa-cadeira-cobertura-biribas-escala-arquitetura.jpg)
Isso porque, por ser um material natural, o vime pode se deteriorar facilmente em ambientes expostos constantemente à chuva, sol intenso ou alta umidade, condições que comprometem a sua durabilidade. Nestas situações, na avaliação das arquitetas, faz mais sentido utilizar versões sintéticas ou outros materiais resistentes.
Cuidados com móveis e acessórios de vime
A manutenção dos móveis e acessórios de vime costuma ser bastante simples. “O ideal é retirar o pó regularmente com um pano seco, espanador ou aspirador com escova macia”, ensina Patrícia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_a0b7e59562ef42049f4e191fe476fe7d/internal_photos/bs/2023/0/E/SBr8tsTWGt8vhRjgTd7Q/casa-de-praia-com-nove-suites-tem-areas-de-lazer-voltadas-para-o-exterior2.jpg)
“Também é importante evitar exposição prolongada ao sol e à umidade, além de manter o material em locais bem ventilados para preservar sua aparência e durabilidade”, acrescenta Babi.
expresso.arq com informações de Ana Sachs


