Escritórios premium ganham força em SP com volta do presencial
A recuperação dos escritórios de alto padrão em São Paulo ganhou caráter estrutural, segundo Julia Arruda Botelho, CEO da Matchpoint. O trabalho híbrido permanece, mas as empresas voltaram a tratar o espaço presencial como parte da cultura, da convivência e da atração de profissionais. Em 2025, a absorção bruta do segmento chegou a 352 mil metros quadrados, recorde histórico apontado pela Colliers e noticiado pelaTimes Brasil.
Qualidade e localização definem a procura
O movimento favorece edifícios modernos, conectados ao transporte público e situados em polos corporativos consolidados. Faria Lima, Itaim, Pinheiros e Paulista registram valorização e alta de preços.
O desempenho, porém, não se distribui de maneira uniforme. Ativos com acessos ruins, especificações técnicas inferiores ou localização menos competitiva continuam enfrentando maior dificuldade de ocupação.
Moradia próxima ao trabalho também se valoriza
A retomada dos escritórios afeta o mercado residencial no entorno dos centros empresariais. Executivos passaram a atribuir mais peso ao tempo de deslocamento e à qualidade de vida ao escolher onde morar.
Com isso, bairros próximos aos principais eixos de emprego ganham demanda. A valorização depende da combinação entre endereço, mobilidade e qualidade do imóvel.
Fachadas ativas exigem projeto específico
A integração entre moradia, trabalho e comércio trouxe desafios às fachadas ativas. Lojas no térreo podem reforçar a vida urbana, mas parte desses espaços foi construída sem considerar fluxo de clientes, estacionamento, exaustão e outras exigências do varejo.
Essa falha de planejamento ajuda a explicar a vacância em alguns empreendimentos e mostra que reservar uma área comercial, por si só, não garante ocupação.
Juros limitam o apetite por novos negócios
Apesar da demanda por bons escritórios, o custo do capital mantém investidores cautelosos. Nesse ambiente, cresceram operações estruturadas com cotas de fundos imobiliários, inclusive na transferência de ativos familiares.
A leitura da Matchpoint é que ainda há oportunidades em edifícios corporativos, mas a seleção precisa considerar qualidade, localização e capacidade de atender às novas exigências dos ocupantes.
*Com informações de Times Brasil | CNBC


