Quarto sem guarda-roupa: 5 alternativas para organizar o ambiente com estilo

Durante décadas, o guarda-roupa volumoso foi considerado um móvel indispensável no quarto. Porém, projetos de interiores contemporâneos mostram que é possível armazenar roupas e acessórios de formas mais abertas, flexíveis e cheias de personalidade.

Substituir o armário tradicional, no entanto, vai além da estética. Segundo os arquitetos Jean Just e Consuelo Jorge, a escolha só funciona quando leva em conta a rotina dos moradores, o volume de peças e a disposição para manter tudo em ordem.

A seguir, reunimos as principais alternativas ao guarda-roupa convencional e como aplicá-las no seu dormitório:

1. Araras e closets abertos

Cômoda baixa, armário e cabideiro, executados pela Tale Interiores, acrecentam espaços de armazenamento, sem atrapalhar a circulação. Puxadores da Zara Home — Foto: Lília Mendel/Divulgação | Projeto do escritório Renda Arquitetura
Cômoda baixa, armário e cabideiro, executados pela Tale Interiores, acrecentam espaços de armazenamento, sem atrapalhar a circulação. Puxadores da Zara Home — Foto: Lília Mendel/Divulgação | Projeto do escritório Renda Arquitetura

Em quartos com metragem reduzida, um armário pesado pode comprometer a circulação. Estruturas abertas surgem como uma alternativa para garantir leveza. “Quando bem planejados, closets abertos, araras e prateleiras aparentes funcionam muito bem. A vantagem é trazer praticidade e um visual mais contemporâneo”, fala Consuelo.

Para Jean, o recurso ganha ainda mais força quando há uma área reservada. “Gosto dessa solução quando há um espaço reservado para funcionar como walk-in closet. Como ele fica separado do restante do quarto, pode ser totalmente aberto.”

Posicionado entre o quarto e o banheiro, o closet separado libera o dormitório de armários. A marcenaria desenhada pelo escritório e executada pela Marcenaria Morada, usou madeira freijó na estrutura e palha de seda, de Nani Chinellato, nas gavetas — Foto: Luiza Schreier/Divulgação | Projeto de interiores do escritório Ester Monteiro Arquitetura | Projeto de arquitetura e paisagismo de Candido Chutorianscy Arquitetura
Posicionado entre o quarto e o banheiro, o closet separado libera o dormitório de armários. A marcenaria desenhada pelo escritório e executada pela Marcenaria Morada, usou madeira freijó na estrutura e palha de seda, de Nani Chinellato, nas gavetas — Foto: Luiza Schreier/Divulgação | Projeto de interiores do escritório Ester Monteiro Arquitetura | Projeto de arquitetura e paisagismo de Candido Chutorianscy Arquitetura

No entanto, ele faz uma ressalva: “Prefiro essa solução em casas de campo, de praia ou em imóveis destinados a receber pessoas por pouco tempo. Para o dia a dia já fica mais complicado, porque tudo precisa estar sempre organizado e as roupas ficam expostas à poeira”.

2. Cômodas e gaveteiros

O quarto combina tons naturais e toques de azul, como a cômoda garimpada na Casarão Pedro Baiano — Foto: Oka Fotografia/Divulgação | Projeto da arquiteta Consuelo Jorge
O quarto combina tons naturais e toques de azul, como a cômoda garimpada na Casarão Pedro Baiano — Foto: Oka Fotografia/Divulgação | Projeto da arquiteta Consuelo Jorge

Não ter um guarda-roupa convencional não significa abdicar do armazenamento fechado. As cômodas desempenham um papel essencial, concentrando as peças que não precisam ficar penduradas, como roupas íntimas, meias e acessórios.

Além do volume interno, o tampo da cômoda ganha dupla função no projeto: pode servir de apoio para espelhos, luminárias e quadros, ou transformar-se em uma penteadeira prática.

A marcenaria sob medida se destaca com detalhes azuis ao redor das portas e puxadores do acervo da proprietária — Foto: André Nazareth/Divulgação | Projeto do arquiteto Jean de Just
A marcenaria sob medida se destaca com detalhes azuis ao redor das portas e puxadores do acervo da proprietária — Foto: André Nazareth/Divulgação | Projeto do arquiteto Jean de Just

3. Camas-baú e bancos com armazenamento

O escrit CW Arquitetura e Interiores é responsável pela criação da cabeceira na mesma madeira e palha natural, que complementa a cama-baú, da Casa do Sono — Foto: Gui Morelli/Divulgação | Projeto do CW Arquitetura e Interiores
O escrit CW Arquitetura e Interiores é responsável pela criação da cabeceira na mesma madeira e palha natural, que complementa a cama-baú, da Casa do Sono — Foto: Gui Morelli/Divulgação | Projeto do CW Arquitetura e Interiores

Aproveitar áreas que normalmente ficariam ociosas é o segredo para redistribuir o volume que antes ocuparia o guarda-roupa. “Camas com baú e bancos com armazenamento interno são soluções excelentes para aproveitar melhor cada canto”, afirma Consuelo.

A cama-baú é ideal para acomodar itens volumosos e de uso menos frequente, como edredons, travesseiros extras, malas e roupas de outra estação.

Cama super king executada pela Marcenaria Mezure, responsável pelas mesas de cabeceira no mesmo material, assim como o banco peseira com assento em muxarabi; o futon recebeu tecido Keystone 05 Mist, da Quaker Decor — Foto: Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do arquiteto Raphael Wittmann do escritório Rawi Arquitetura + Design
Cama super king executada pela Marcenaria Mezure, responsável pelas mesas de cabeceira no mesmo material, assim como o banco peseira com assento em muxarabi; o futon recebeu tecido Keystone 05 Mist, da Quaker Decor — Foto: Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do arquiteto Raphael Wittmann do escritório Rawi Arquitetura + Design

4. Prateleiras, nichos e maleiros superiores

Cabeceira com mesas laterais em folha natural de freijó, com execução da MadForm. As prateleiras na parede garantem mais espaço de armazenamento  — Foto: Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do escritório A+G Arquitetura
Cabeceira com mesas laterais em folha natural de freijó, com execução da MadForm. As prateleiras na parede garantem mais espaço de armazenamento — Foto: Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do escritório A+G Arquitetura

Quando a área de piso é enxuta, explorar a altura do pé-direito permite criar armazenamento sem comprometer o fluxo de passagem pelo quarto. “Use toda a altura do ambiente, com nichos planejados, prateleiras, maleiros e até os espaços sob a cama, criando soluções personalizadas”, sugere Consuelo.

As prateleiras superiores e maleiros suspensos podem abrigar o que não precisa estar ao alcance das mãos a todo momento, enquanto os nichos na altura dos olhos ajudam a setorizar bolsas, calçados e objetos de uso diário.

A marcenaria planejada pelo Estúdio Maré e executada pela Cardelli Marcenaria, aproveitou cada centímetro, como neste canto em que as gavetas abaixo da cama acrescentam espaço de armazenamento — Foto: Felco/Divulgação | Projeto do Estúdio Maré
A marcenaria planejada pelo Estúdio Maré e executada pela Cardelli Marcenaria, aproveitou cada centímetro, como neste canto em que as gavetas abaixo da cama acrescentam espaço de armazenamento — Foto: Felco/Divulgação | Projeto do Estúdio Maré

5. Móveis multifuncionais

Cama desenhada pelo escritório e realizada em laca e palha natural pela Marcenaria Destak — Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Interni Arquitetura
Cama desenhada pelo escritório e realizada em laca e palha natural pela Marcenaria Destak — Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Interni Arquitetura

Desenhar móveis sob medida que acumulam mais de uma função garante o máximo de aproveitamento de metragem, principalmente em quartos pequenos.

“Fazemos muito armários integrados às mesas de cabeceira”, revela Jean. “O módulo tem gavetas na parte inferior, prateleiras acima e cabideiro, aproveitando muito melhor o espaço sem sobrecarregar o cômodo.”

Ao lado da cama está a mesa multifuncional, que atua como escrivaninha, mesa de cabeceira e penteadeira — Foto: Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto da arquiteta Mariana Leal
Ao lado da cama está a mesa multifuncional, que atua como escrivaninha, mesa de cabeceira e penteadeira — Foto: Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto da arquiteta Mariana Leal

Consuelo complementa que recorrer a “cabeceiras multifuncionais” permite embutir nichos e prateleiras de apoio, dispensando a necessidade de grandes estruturas de armário ao redor da cama.

Como integrar a organização à decoração do quarto

Sem o guarda-roupa tradicional, a organização passa a compor diretamente a estética do dormitório. “Materiais, cores e iluminação transformam a organização em um elemento estético”, comenta Consuelo, que ainda recomenda o uso de fita de LED embutida em prateleiras e araras para valorizar o conjunto e facilitar o uso no dia a dia.

No quarto, a cama baixa foi desenhada pelo próprio morador, inspirado após viagem ao Japão. A cômoda e o espelho foram presentes de uma amiga — Foto: Wesley Diego/Editora Globo | Projeto do arquiteto Ricardo Abreu
No quarto, a cama baixa foi desenhada pelo próprio morador, inspirado após viagem ao Japão. A cômoda e o espelho foram presentes de uma amiga — Foto: Wesley Diego/Editora Globo | Projeto do arquiteto Ricardo Abreu

Jean dá dicas práticas para criar a sensação de produção de interiores no dia a dia: “Organizar as roupas por cor, usar cabides iguais, caixas organizadoras e até colocar quadros ou objetos decorativos nas prateleiras ajuda a criar um belo décor. Iluminação sempre melhora tudo: traz praticidade e deixa o espaço mais interessante”.

A escolha dos materiais também exige atenção, visto que tudo fica exposto. “Madeira, MDF de qualidade, estrutura metálica e vidro são materiais duráveis e combinam com diferentes estilos”, orienta Consuelo.

A cômoda antiga, que foi restaurada, abriga objetos das loja Vera Orsi e Jackie Móveis. O cabideiro em forma de escada é do acervo dos moradores — Foto: Carolina Mossin/Divulgação | Projeto de Lucas Fernandes
A cômoda antiga, que foi restaurada, abriga objetos das loja Vera Orsi e Jackie Móveis. O cabideiro em forma de escada é do acervo dos moradores — Foto: Carolina Mossin/Divulgação | Projeto de Lucas Fernandes

Por fim, ambos profissionais concordam que a escolha exige uma mudança de hábitos. “É preciso manter uma rotina de organização e desapego. Funciona melhor para quem evita o acúmulo”, reforça Consuelo.

“Tudo deve ter um lugar. Sugiro organizar por tipo e cor, dobrar tudo da mesma forma e evitar o excesso de peças. Esse tipo de solução acaba até estimulando um consumo menor”, analisa Jean.

A cama posicionada na meia parede de alvenaria, que delimita o banheiro, tem cabeceira de madeira e palha natural, da Westwing, com roupa de cama da Trussardi. Baú de madeira de demolição, da Vitart — Foto: Daniel Santo/Divulgação | Projeto da arquiteta Juliana Fabrizzi
A cama posicionada na meia parede de alvenaria, que delimita o banheiro, tem cabeceira de madeira e palha natural, da Westwing, com roupa de cama da Trussardi. Baú de madeira de demolição, da Vitart — Foto: Daniel Santo/Divulgação | Projeto da arquiteta Juliana Fabrizzi

Quando o armário tradicional ainda é a melhor escolha?

Apesar da leveza dos sistemas abertos, os especialistas ressaltam que o formato não atende a todos os perfis nem a todas as regiões.

“Se o cliente tem muitas roupas ou é desorganizado, realmente não aconselho um guarda-roupa aberto”, aponta Jean.

Neste quarto, a bancada suspensa amadeirada para home office é apoiada em estrutura metálica tubular — Foto: Gabriel Konrath/Divulgação | Produção: Amanda Lucchese/Divulgação | Projeto do escritório Arquideias
Neste quarto, a bancada suspensa amadeirada para home office é apoiada em estrutura metálica tubular — Foto: Gabriel Konrath/Divulgação | Produção: Amanda Lucchese/Divulgação | Projeto do escritório Arquideias

O arquiteto lembra também que o clima influencia na decisão: “Em locais com muita poeira, não recomendo. Já em regiões mais úmidas, acho uma solução excelente porque ajuda a evitar o mofo”.

Consuelo concorda que a rotina deve guiar o projeto. “Quando há grande volume de peças, pouca disponibilidade para manter a organização ou necessidade de proteger roupas delicadas da poeira, o guarda-roupa fechado continua sendo a melhor opção.”

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