Piso drenante: o que é, dicas e cuidados com o revestimento externo

piso drenante é um revestimento desenvolvido para permitir que a água da chuva atravesse sua superfície e seja absorvida pelo solo. Diferente dos pisos convencionais, que impermeabilizam o terreno, ele ajuda a reduzir o acúmulo de água e contribui para a drenagem natural dos espaços externos.

“Em um momento em que as cidades enfrentam cada vez mais problemas relacionados à impermeabilização do solo e ao excesso de água da chuva, o piso drenante deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a ser uma solução funcional. É um recurso que pode trazer benefícios tanto para o projeto quanto para o entorno”, pondera a arquiteta Cilene Lupi.

A arquiteta indica o piso drenante para áreas externas como quintais, jardins, caminhos, calçadas, espaços de lazer, condomínios e estacionamentos. Ele também é uma boa opção para projetos focados em soluções sustentáveis. “É interessante em regiões com alto índice de chuvas ou em projetos que buscam reduzir a impermeabilização do terreno”, afirma.

A entrada da casa possui piso drenante rosa da Brastom, disposto de forma a criar um caminho quadriculado. Na foto, o capim-do-texas está ao lado de uma cerejeira. Resguardando a entrada, figuram os viburnos e ciprestes italianos — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do arquiteto Antônio Scarpa | Paisagismo de Cris Bermúdez
A entrada da casa possui piso drenante rosa da Brastom, disposto de forma a criar um caminho quadriculado. Na foto, o capim-do-texas está ao lado de uma cerejeira. Resguardando a entrada, figuram os viburnos e ciprestes italianos — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do arquiteto Antônio Scarpa | Paisagismo de Cris Bermúdez

Hoje, existem diferentes soluções de pisos drenantes disponíveis no mercado. A escolha depende do uso, da estética desejada e das características do terreno. Entre os principais estão:

  • Concreto drenante (ou concreto poroso);
  • Pavimentos drenantes/intertravados com espaçamento permeável;
  • Pisos intertravados com juntas preenchidas por pedrisco ou grama;
  • Pisos de borracha drenantes;
  • Pisos cerâmicos ou cimentícios permeáveis;
  • Sistemas com agregados naturais estabilizados com resina, como brita e pedrisco.
Os caminhos do jardim são compostos por piso drenante lixado grey e cinza natural da Drenaltec. Maciços de filodendro-ondulado, guaimbê, taioba e capim-do-texas envolvem as árvores preservadas no terreno. A grama São Carlos plus foi escolhida pela menor manutenção. A casa na árvore foi idealizada pelo Studio Clariça Lima e executada por Alg Instalações, com escorregador da New Art Fibras, cordas da Rede Horizontal e tirolesa da MSV Adventure — Foto: Marco Antonio/Divulgação | Projeto da arquiteta Marilia Pellegrini | Paisagismo do Studio Clariça Lima
Os caminhos do jardim são compostos por piso drenante lixado grey e cinza natural da Drenaltec. Maciços de filodendro-ondulado, guaimbê, taioba e capim-do-texas envolvem as árvores preservadas no terreno. A grama São Carlos plus foi escolhida pela menor manutenção. A casa na árvore foi idealizada pelo Studio Clariça Lima e executada por Alg Instalações, com escorregador da New Art Fibras, cordas da Rede Horizontal e tirolesa da MSV Adventure — Foto: Marco Antonio/Divulgação | Projeto da arquiteta Marilia Pellegrini | Paisagismo do Studio Clariça Lima

Como funciona o piso drenante

O piso drenante possui vazios em sua estrutura que permitem a passagem da água. Em vez de escoar pela superfície, a chuva infiltra no revestimento e é absorvida pelas camadas inferiores do solo, compostas geralmente por materiais granulares, como brita e areia.

“Para o piso drenar a água, é necessário que seja instalado corretamente, com uma camada inferior drenante, localizada abaixo do piso. Essa camada armazena temporariamente a água e favorece sua infiltração gradual no solo”, explica o arquiteto Bruno Moraes.

No jardim, piso drenante branco da Braston. Próximo à piscina, filodendro-da-amazônia e ondulado, guaimbê, antúrio amazônico, maranta-charuto, neomarica e costus. Mobiliário de área externa da Madesol — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Paisagismo de Pam Faccin
No jardim, piso drenante branco da Braston. Próximo à piscina, filodendro-da-amazônia e ondulado, guaimbê, antúrio amazônico, maranta-charuto, neomarica e costus. Mobiliário de área externa da Madesol — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Paisagismo de Pam Faccin

O sistema reduz poças e alagamentos, minimiza enxurradas e melhora o escoamento em áreas externas, desde que o solo esteja preparado para receber a água.

“Se não houver a camada em contato com o solo, o piso perde a funcionalidade, pois vai drenar a água, mas ela não terá por onde escoar. Já vi casos de instalarem um piso drenante com um contrapiso embaixo. Neste caso, o piso vai drenar a água da superfície, mas vai empoçar, pois não terá escoamento para o solo”, orienta Bruno.

Por essas particularidades, a instalação exige mais do que apenas o assentamento, envolvendo também a preparação adequada do terreno.

A área gourmet recebeu piso drenante na mesma tonalidade do piso de granilite. Banco Mocho, de Sergio Rodrigues — Foto: Rafael Renzo/Divulgação | Produção: Paulo Carvalho | Projeto do arquiteto Renato Mendonça
A área gourmet recebeu piso drenante na mesma tonalidade do piso de granilite. Banco Mocho, de Sergio Rodrigues — Foto: Rafael Renzo/Divulgação | Produção: Paulo Carvalho | Projeto do arquiteto Renato Mendonça

“Ela segue algumas etapas, como regularização do solo, execução da base drenante, geralmente com brita graduada, camada de assentamento e aplicação do piso. O dimensionamento precisa considerar o volume de água esperado, o tipo de solo e a carga que o local receberá”, aponta Bruno. O ideal é que o piso seja apoiado diretamente em areia ou em uma massa arenosa.

O caminho até a piscina e onde ficam as espreguçadeiras tem piso drenante da Braston. A borda é de pedra hitam e o interior de pedra hijau lisa, ambas da Palimanan. No nível da piscina, foram cultivados ipê-branco, copernicia, bromélia-imperial, jasmim-manga, clusia, filodendro e helicônia — Foto: Mariana Camargo / Divulgação | Projeto do escritório Moisés Roberto Arquitetura | Paisagismo de Pam Faccin
O caminho até a piscina e onde ficam as espreguçadeiras tem piso drenante da Braston. A borda é de pedra hitam e o interior de pedra hijau lisa, ambas da Palimanan. No nível da piscina, foram cultivados ipê-branco, copernicia, bromélia-imperial, jasmim-manga, clusia, filodendro e helicônia — Foto: Mariana Camargo / Divulgação | Projeto do escritório Moisés Roberto Arquitetura | Paisagismo de Pam Faccin

Vantagens e desvantagens do piso drenante

Nas casas, os pisos drenantes reduzem poças e alagamentos, trazem maior conforto à área externa e agregam valor estético ao projeto, além de trazer um forte apelo sustentável.

“Outra vantagem é que, em pátios com contrapisos, geralmente precisamos criar uma rede de captação de água das chuvas. Com o piso drenante, não temos o gasto do contrapiso e nem da captação, pois ele drena a água diretamente para o solo”, comenta Bruno.

Mas os benefícios ultrapassam a residência. Em um contexto macro, o piso drenante auxilia na recarga do lençol freático, contribui para a drenagem urbana, diminuindo a sobrecarga do sistema público, e pode ajudar a reduzir as chamadas “ilhas de calor” – áreas densamente urbanizadas onde as temperaturas são elevadas.

A frente da casa traz piso drenante da Castelatto. Composta por dois volumes horizontais bem definidos, a fachada frontal é mais reservada, com brises ripadas e portão, ambos de alumínio no padrão madeira — Foto: Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Morada 31.12 Arquitetura e Interiores | Paisagismo de Ana Paula Roseo
A frente da casa traz piso drenante da Castelatto. Composta por dois volumes horizontais bem definidos, a fachada frontal é mais reservada, com brises ripadas e portão, ambos de alumínio no padrão madeira — Foto: Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Morada 31.12 Arquitetura e Interiores | Paisagismo de Ana Paula Roseo

Como desvantagem, Cilene cita a instalação mais criteriosa, que demanda mão de obra especializada, e a manutenção periódica para evitar o entupimento dos poros que permitem a passagem da água. “Além disso, o piso pode ser desconfortável se a pessoa quiser sentar em uma beira de piscina, por exemplo e, em casos de acidentes, a aspereza pode causar lesões”, pontua a arquiteta.

O piso drenante Flowin, fornecido pela Ekko Revestimentos, e o revestimento de bambu, da Mana Rio, atualizam a entrada do imóvel antigo, que tem azulejos originais. Banco do acervo dos moradores — Foto: Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Barbara Filgueiras
O piso drenante Flowin, fornecido pela Ekko Revestimentos, e o revestimento de bambu, da Mana Rio, atualizam a entrada do imóvel antigo, que tem azulejos originais. Banco do acervo dos moradores — Foto: Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Barbara Filgueiras

Em termos de valor, o custo do piso drenante varia conforme o material, a área de aplicação e a complexidade da obra. “O investimento inicial costuma ser superior ao de alguns pisos convencionais, mas deve ser analisado junto aos benefícios que ele traz para o desempenho da área externa e para a gestão da água da chuva”, diz Cilene.

No jardim deste restaurante, com piso drenante da Braston, foram plantadas hortaliças e temperos. Iluminação da Bonaluce. Mobiliários da Green House Móveis — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do arquiteto e paisagista Alexandre Furcolin
No jardim deste restaurante, com piso drenante da Braston, foram plantadas hortaliças e temperos. Iluminação da Bonaluce. Mobiliários da Green House Móveis — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do arquiteto e paisagista Alexandre Furcolin

Segundo Bruno, o custo pode variar entre R$ 80 e R$ 300/m², podendo ultrapassar esse valor em sistemas específicos ou acabamentos diferenciados. “Além do revestimento, é importante considerar o custo da infraestrutura drenante”, lembra o arquiteto.

Cuidados e manutenção do piso drenante

Os cuidados com o piso drenante costumam ser simples e envolvem lavar e varrer periodicamente o revestimento para conservar os poros limpos e abertos para a passagem da água. “É importante evitar o acúmulo excessivo de terra, folhas e resíduos sobre a superfície, pois esses materiais podem obstruir os espaços responsáveis pela drenagem”, indica Cilene.

Um banco de cumaru envolve a árvore frutífera, compindo a praça de entrada do espaço, com piso drenante da Braston — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Paisagismo de Alexandre Furcolin
Um banco de cumaru envolve a árvore frutífera, compindo a praça de entrada do espaço, com piso drenante da Braston — Foto: Evelyn Müller/Divulgação | Paisagismo de Alexandre Furcolin

Além da limpeza regular, em alguns casos, é necessário realizar uma lavagem profunda com jato de água em pressão moderada para desobstruir os canais por onde a água entra. “Quando bem instalado e conservado, o piso drenante apresenta boa durabilidade e mantém sua capacidade de absorção por muitos anos”, garante a arquiteta.

Segundo Bruno, em pisos intertravados, pode ser necessário repor o material das juntas ao longo do tempo. “A frequência depende da intensidade de uso e do ambiente em que o piso está instalado”, conclui.

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