Ciclovia: o que é e quais são as maiores do mundo!

Ciclovias são fisicamente separadas das demais vias e nelas há um maior afastamento entre o ciclista e os automóveis
Ciclovias são fisicamente separadas das demais vias e nelas há um maior afastamento entre o ciclista e os automóveis Freepik / CreativeCommons

No Brasil, a pauta da mobilidade urbana tem ganhado mais força na esfera pública desde as Jornadas de Junho de 2013, que, neste ano, completam o seu décimo aniversário.

Felizmente, as discussões a respeito do tema inspiraram mudanças significativas em todo o Brasil e, em São Paulo, as transformações estiveram muito ligadas ao universo da bicicleta.

Nas palavras da arquiteta e urbanista Paula Freire Santoro, “essa pauta foi transformada, rapidamente, em 484 km de infraestrutura cicloviária na cidade de São Paulo, segundo os dados de 2020”. Segundo ela, que também é professora de Planejamento Urbano e Regional da FAUUSP, o número já deve superar os 500 km atualmente.

Assim, ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas passaram a fazer parte do cotidiano dos cidadãos paulistas de forma mais intensa. Apesar das críticas às limitações dessas iniciativas, a instalação das vias é algo positivo à cidade e ao meio ambiente.

“A bicicleta é um modo eficiente de transporte para distâncias curtas, não é poluente, incentiva a prática de esportes e ocupa pouco espaço.

Então, trata-se de um ganha-ganha: é bom para quem pedala e para a saúde pública como um todo”, defende Hannah Arcuschin Machado, arquiteta, urbanista, mestra em Políticas Públicas e SPURS Fellow no MIT.

Ciclovia, ciclofaixa e ciclorrota: qual a diferença?

Agora você entende os benefícios desse tipo de modal, mas sabe qual é a diferença entre ciclovia, ciclofaixa e ciclorrota? A gente te explica!

ciclovia é uma pista exclusiva para a circulação de bicicletas, separada fisicamente do tráfego de veículos e demais elementos viários, seja por guia, gradil, diferença de nível, seja jardim, etc.

Ela pode ser instalada na pista, junto ao canteiro central ou na calçada, atravessando praças, e seu sentido pode ser unidirecional ou bidirecional.

Nas ciclovias, há um afastamento maior entre o ciclista e os automóveis e pedestres, e, geralmente, isso implica em uma elevação em relação às estradas.

Ciclofaixas podem ter piso diferenciado e apresentam sinalização viária — Foto: Unsplash / Markus Spiske / CreativeCommons
Ciclofaixas podem ter piso diferenciado e apresentam sinalização viária — Foto: Unsplash / Markus Spiske / CreativeCommons

Já a ciclofaixa é a parte da pista, calçada ou canteiro central destinada à circulação exclusiva de bicicletas e delimitada por sinalização viária, podendo ter piso diferenciado.

Trata-se de um modelo adequado para o caso de vias já consolidadas, e ele também pode ser unidirecional ou bidirecional.

Esse é o tipo de marcação mais usado pelas cidades devido ao menor custo de instalação, pois, geralmente, demanda apenas uma pintura na pista.

Às vezes, pode contar também com sinalizadores físicos (placas, cones, cavaletes e super cones), principalmente no caso das ciclofaixas operacionais de lazer, instaladas de forma temporária em vias comuns durante finais de semana e feriados.

As ciclorrotas interligam vias e indicam o compartilhamento do espaço da pista entre veículos motorizados e bicicletas — Foto: Unsplash / Phil Hearing / CreativeCommons
As ciclorrotas interligam vias e indicam o compartilhamento do espaço da pista entre veículos motorizados e bicicletas — Foto: Unsplash / Phil Hearing / CreativeCommons

ciclorrota (ou rota de bicicleta), por sua vez, é a via sinalizada que interliga ciclovias, ciclofaixas e pontos de interesse para indicar o compartilhamento do espaço da pista entre veículos motorizados e bicicletas.

Ao longo da rota, podem ser aplicados também elementos de moderação de tráfego para garantir uma maior segurança ao ciclista.

5 das maiores ciclovias do mundo

Se andar de bicicleta é o seu hobby, confira abaixo cinco das maiores ciclovias ao redor do mundo e inspire-se para o próximo pedal!

1. Al Qudra Cycling Track, nos Emirados Árabes Unidos

A Al Qudra Cycling Track, em Dubai, tem 80.6 km de extensão — Foto: Visit Dubai / Divulgação
A Al Qudra Cycling Track, em Dubai, tem 80.6 km de extensão — Foto: Visit Dubai / Divulgação

A pista de ciclismo Al Qudra, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, é a ciclovia contínua mais longa do mundo com seus 80,6 km de extensão.

O projeto faz parte dos esforços para transformar Dubai em uma cidade bike-friendly, conforme imaginado pelo príncipe herdeiro do emirado, Sheikh Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum.

Com dunas e lagos ao longo de seu percurso, a ciclovia se tornou um destino importante para ciclistas entusiastas em todo o mundo.

Ela conta com telefones de emergência distribuídos em 30 pontos ao longo da via, além de locais sombreados com bancos, restaurantes, banheiros e locadoras de bicicletas.

2. Al Khor Road, no Catar

Localizada em Doha, a ciclovia da Al Khor Road tem 38 km de extensão — Foto: Ashghal/ Divulgação
Localizada em Doha, a ciclovia da Al Khor Road tem 38 km de extensão — Foto: Ashghal/ Divulgação

Com 38 km de extensão, a ciclovia na avenida Al Khor, em Doha, no Catar, foi inaugurada em 2021 para garantir uma via alternativa às avenidas e estradas para que ciclistas pedalem com segurança.

O percurso tem 18 passagens subterrâneas e, para facilitar o melhor aproveitamento da via, estão previstos 80 pontos de estacionamento para bicicletas, cem bancos e 20 áreas de descanso. Há também contadores de ciclismo espalhados pela via, que informam sobre data, hora, clima e temperatura.

A via se integra à pista olímpica de ciclismo de 33 km na mesma avenida, cuja ideia é permitir a realização de competições internacionais e fez parte dos esforços do país de criar infraestruturas esportivas antes da Copa do Mundo.

Cinco estacionamentos foram construídos ao longo do percurso, além de 1.450 postes de iluminação para incentivar o ciclismo noturno.

3. Samandag-Arsuz, na Turquia

A Samandag-Arsuz é a ciclovia contínua mais longa do mundo — Foto: Daily Sabah / IHA Photo / Divulgação
A Samandag-Arsuz é a ciclovia contínua mais longa do mundo — Foto: Daily Sabah / IHA Photo / Divulgação

Com 26 km de extensão, a Samandag-Arsuz, na província turquesa de Hatay, é a ciclovia contínua mais longa que existe. Com um caminho ininterrupto que se estende por toda a serra com vista para o Mediterrâneo, a estrutura promete ser uma experiência única para quem pedala.

A ciclovia é paralela a uma estrada, e o projeto contempla ainda cinco áreas de descanso, restaurantes ao longo do percurso, instalações sanitárias e áreas de camping.

4. Xiamen Bicycle Skyway, na China

A Xiamen Bicycle Skyway é a ciclovia elevada mais longa do mundo, com 7,6 km de extensão — Foto: Dissing+Weitling / Divulgação
A Xiamen Bicycle Skyway é a ciclovia elevada mais longa do mundo, com 7,6 km de extensão — Foto: Dissing+Weitling / Divulgação

Projetada pelo escritório Dissing + Weitling para a cidade chinesa de Xiamen, a ciclovia Bicycle Skyway cobre cinco regiões residenciais e três centros de negócio com os seus 7,6 km de extensão. Elevada, a estrutura é a mais longa do mundo em sua categoria.

São 11 pontos de entrada e saída ao longo da ciclovia, que garantem aos ciclistas o acesso às estações de ônibus e BRTs, viadutos, shoppings e outros prédios públicos.

Passarelas, rampas, rotatórias, bicicletários e pavilhões de serviços para bicicletas também estão incluídos ao longo do percurso.

A ideia do projeto, comissionado pelo governo municipal, era diminuir o congestionamento do tráfego e promover formas de transporte mais ecológicas e sustentáveis na cidade.

5. Fyllingsdalen Tunnel, na Noruega

Com 2,9 km, o túnel Fyllingsdalen possui a ciclovia construída em túnel mais longa do mundo — Foto: Visit Bergen / Divulgação
Com 2,9 km, o túnel Fyllingsdalen possui a ciclovia construída em túnel mais longa do mundo — Foto: Visit Bergen / Divulgação

Em abril deste ano, a cidade de Bergen, na Noruega, inaugurou o túnel Fyllingsdalen, de 2,9 km de extensão. Trata-se da ciclovia construída em túnel mais longa do mundo.

A estrutura corta a montanha Løvstakken, conectando as áreas residenciais de Fyllingsdalen e Mindemyren.

Os ciclistas que desejarem continuar pedalando até o centro da cidade conseguem fazê-lo através das rotas já existentes.

O percurso total, incluindo essas rotas, somam 7,8 quilômetros.

Tanto o túnel quanto as demais rotas de bicicleta foram financiadas pelo município e apoiadas pelo estado como uma maneira de incentivar o ciclismo e a caminhada em detrimento do deslocamento por carro.

Futuro da infraestrutura cicloviária no Brasil

No Brasil, muitas cidades têm se empenhado em aumentar a malha cicloviária.

Mas isso não é o suficiente: segundo as especialistas, agora é o momento de abraçar outros focos. “Uma das prioridades deve ser uma política de educação para aprendermos a compartilhar espaços e ter uma cidade que privilegia, dentro dos bairros, uma velocidade mais baixa”, diz Paula.

Segundo as especialistas, a instalação de bicicletários seguros deve ser prioridade na gestão de infraestruturas cicloviárias — Foto: Unsplash / Nick Page / CreativeCommons
Segundo as especialistas, a instalação de bicicletários seguros deve ser prioridade na gestão de infraestruturas cicloviárias — Foto: Unsplash / Nick Page / CreativeCommons

Outro ponto é a gestão dessa infraestrutura, garantindo uma manutenção constante para que ela sempre seja segura aos seus usuários.

Além disso, segundo Paula, deve-se estender os projetos de ciclovias e ciclofaixas também às periferias, cujos moradores são os principais usuários deste tipo de modal.

“Precisamos pensar na micromobilidade e na articulação multimodal, com linhas e vias que se conectem com outros modais e garantem mais acessibilidade”, diz a arquiteta.

Hannah acrescenta que, nesse sentido, também é de extrema importância garantir bicicletários seguros próximos às estações de transporte coletivo, para que as pessoas possam deixar as suas bicicletas ao trocar de modal.

“A ciclovia deve ser adequada, segura e confortável para todos os tipos de ciclistas – ou seja, para todas as idades e habilidades.

Uma ciclovia tem que ser segura para uma criança e também para um idoso. Com isso, garantimos que será seguro para todo mundo”, finaliza.

expresso.arq sobre artigo de Yara Guerra

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