O melhor mês em mais de um ano

As ações foram os investimentos mais rentáveis de janeiro.

O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, avançou quase 7%, registrando seu melhor desempenho mensal em mais de um ano.

Também avançaram as ações de boas pagadoras de dividendos, reunidas no índice Idiv, que subiu 7,47% no mês.

É um respiro, depois de um 2021 de desalento na Bolsa (o Ibovespa acumulou perdas de quase 12% no ano).

A entrada de capital estrangeiro no pregão explica a guinada.

Segundo analistas, as ações brasileiras começaram 2022 descontadas, criando oportunidades de compra para os “gringos”.

O mesmo movimento pressionou o dólar para baixo.

A moeda americana encerrou janeiro com um recuo de 4,78%, na maior desvalorização mensal desde novembro de 2020 e a mais expressiva para meses de janeiro desde 2019.

Considerando uma cesta de 33 moedas, o real foi a segunda (atrás do peso chileno) com maior valorização ante o dólar.

Mas nem tudo na Bolsa avançou.

O Ifix, índice que reúne os principais fundos imobiliários, recuou quase 1%.

Entre os imbróglios do mês, uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que questionou a distribuição de dividendos pelo fundo Maxi Renda ajudou a causar tensão no segmento e empurrar as cotações para baixo.

Não foi, obviamente, a única explicação para a queda. 

Segundo analistas, as incertezas fiscais e eleitorais, além do ciclo de alta dos juros, tiveram um peso maior sobre os fundos imobiliários.

Tais fatores também causaram perdas na renda fixa.

Diante da expectativa de alta dos juros, os preços de alguns títulos públicos negociado no Tesouro Direto chegaram a desvalorizar mais de 11% em janeiro.

Explique-se: a remuneração oferecida por um título de renda fixa tem uma relação inversa com o seu valor de negociação no mercado. Quando as taxas aumentam, como foi o caso do último mês, seu preço tende a cair. Assim, quem já tinha papéis antigos – comprados a juros menores do que os praticados ao longo de janeiro – sentiu a desvalorização na pele. 

Vai continuar assim?

O mês de fevereiro começa com uma série de eventos adversos no exterior.

Além do iminente aumento na taxa de juros dos Estados Unidos, previsto para março, o mercado acompanha a possibilidade de uma guerra entre Ucrânia e Rússia com participação maciça da comunidade internacional.

Outro fator de incerteza é a pandemia, com o surgimento de uma subvariante da Ômicron.

“Se os problemas lá fora não se mostrarem tão graves, provavelmente teremos um fevereiro positivo, porque o estrangeiro está comprando o Brasil e tudo indica que ainda há mais espaço para esse movimento”, explica Fabricio Gonçalvez, CEO da Box Asset Management.

César Mikail, gestor de renda variável da Western Asset, acredita que o mercado está mais apreensivo com o cenário no exterior e diz que o Brasil já vinha “fazendo a lição de casa com a inflação” desde o ano passado, subindo juros, enquanto o ciclo de aperto monetário está prestes a começar nos Estados Unidos.

“A volatilidade lá fora vai continuar enquanto não ficar claro quantas vezes o Federal Reserve vai subir os juros. O Banco Central americano está aguardando números, indicadores de inflação. A inflação está se segurando em um patamar alto e isso incomoda a autoridade monetária”, afirma.

expresso.arq sobre artigo de Mariana Segala

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