Os fundos campeões em IPO’s

Enquanto esteve aberta, a janela para as ofertas públicas iniciais – ou IPO’s, como são chamadas as estreias de novas empresas na Bolsa – rendeu frutos no mercado brasileiro.

Foram 45 operações, 2/3 delas realizadas durante o primeiro semestre.

Quem aproveitou para participar foram os fundos de investimentos: as gestoras brasileiras terminaram junho com uma posição líquida consolidada de R$ 23,9 bilhões em papéis de empresas listadas na B3 neste ano, segundo levantamento exclusivo da Economatica.

Entrar nos IPO’s, no entanto, nem sempre proporcionou os resultados esperados para os fundos.

A volatilidade que se abateu sobre o mercado de meados do ano para cá, além de desencorajar novas ofertas, também atingiu com especial impacto as ações das empresas mais recentes do pregão.

Dentre as ações das 45 empresas que abriram o capital em 2021, 3/4 acumulam queda desde que foram listadas, com números muito ruins em alguns casos.

Os papéis da Westwing (WEST3) e da Oceanpact (OPCT3), por exemplo, recuam cerca de 74%, enquanto os da Mobly (MBLY3) caem mais de 70%.

Apenas 11 ações – Vamos (VAMO3), Intelbras (INTB3) e Boa Safra (SOJA3) entre elas – estão no positivo.

Como consequência, as gestoras que mais investiram nos IPO’s realizados neste ano se equilibram entre perdas e ganhos.

Ao final do primeiro semestre, a maior parte delas – 17 das 20 mais ativas – tinham posições maiores em IPO’s com desempenho positivo (ações em alta) do que em operações com performance negativa (ações em queda).

Três gestoras tinham posições maiores em IPO’s com desempenho negativo do que positivo.

Os fundos da Caixa Econômica Federal, que investiram fortemente na abertura de capital da Caixa Seguridade (CXSE3), ação que cai perto de 1% desde a estreia, são um exemplo.

Como ficam os IPO’s em 2022?

Após uma janela de grande liquidez no começo do ano e entre maio e julho de 2021, dezenas de empresas desistiram de seguir adiante com operações que tinham previsto realizar ainda neste ano.

“Vimos ofertas que chegaram a ter valuation, reuniões, road show e acabaram não saindo”, diz Maurício Schuck, head de gestão de fundos de ações ativos da BB DTVM.

A expectativa de Matheus Tarzia, gestor da Neo Investimentos, é de que o mercado fique ainda mais seletivo neste fim de ano e começo do ano que vem.

Seletividade, aliás, é o termo mais repetido pelas gestoras ao se referir às chances de novos IPO’s. 

Eles não esperam que volumes como os verificados no primeiro semestre se repitam tão cedo.

Para Schuck, quanto mais 2022 se aproxima, mais a janela para IPOs se fecha.

“Anos de eleição trazem muita volatilidade para a Bolsa. Historicamente, são muito fracos para IPO’s”, avalia.

“Algumas empresas estão acelerando para tentar lançar ações ainda nesse ano, mas pouca coisa deve sair”.

expresso.arq sobre artigo de Mariana Segala

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