O que é arquitetura paramétrica?

Modelos sinuosos, curvas acentuadas, formas geometricamente complexas.

Quando se aborda o tema da arquitetura paramétrica, essas são, provavelmente, as primeiras imagens que surgem em mente.

E não é à toa.

Enquanto modo de projetar, a utilização de parâmetros no processo de criação tem possibilitado a criação de formas impressionantes no enlaçamento entre a tecnologia digital e a construção civil.

Apesar de academicamente o termo ainda estar em discussão, na prática, a arquitetura paramétrica pode ser definida como uma maneira de elaborar um projeto arquitetônico a partir de parâmetros pré-definidos, utilizando tecnologia computacional e algoritmos para gerar novas formas.  

Centro Heydar Aliyev / Zaha Hadid Architects. © Hélène Binet

Em suma, este processo começa quando o arquiteto, por meio de softwares específicos, alimenta o computador com diferentes parâmetros (dados) que podem ser posição solar, condição geológica do solo, comportamento dos materiais, entorno etc., variando de condicionantes simples como a quantidade de material disponível até as mais complexas como uma equação para a verificação dos esforços na estrutura.

Esses parâmetros descrevem, codificam e quantificam as opções e restrições existentes dentro de um sistema, servindo de base para a criação da forma final.

É como se o arquiteto fornecesse os ingredientes da receita e o computador se encarregasse de apresentar as possibilidades de produto final.

Serpentine Pavilion / BIG. © Iwan Baan

Neste sentido, abre-se um grande leque de opções por meio do qual é possível explorar diferentes formas de modo muito mais rápido e ágil, sem a necessidade da elaboração individual e manual de cada modelo para determinada situação.

No processo parametrizado, a arquitetura é justificada, portanto, pelo resultado de uma combinação de variáveis formada pelo sistema computacional aliando principalmente o apelo estético das obras, o atendimento ao programa de necessidades, o comportamento dos materiais e a eficiência ambiental.

Complexo Galaxy Soho / Zaha Hadid Architects. © Iwan Baan

Um dos exemplos mais icônicos desse modelo é o Heydar Aliyev Center, projetado por Zaha Hadid em 2013.

Sua impressionante sinuosidade foi gerada a partir da análise do local e do programa de necessidades, tendo como principais parâmetros a topografia acidentada do terreno e o desejo de integração e fluidez entre os espaços internos e externos.

Além da resposta programática, a forma gerada também foi influenciada pela cultura local do Azerbaijão, refletindo padrões e texturas contínuas que fluem dos tapetes para as paredes, do chão ao teto, às cúpulas, estabelecendo relações contínuas entre elementos arquitetônicos e a região.

A correlação e posterior materialização dessa confluência de condicionantes só foi possível graças ao domínio do sistema paramétrico que possibilitou o controle e a comunicação das complexidades entre os inúmeros participantes do projeto.

Taichung Metropolitan Opera House / Toyo Ito. © Lucas K Doolan

Apesar de ainda parecer distante, a parametrização na arquitetura está mais próxima do cotidiano do que se imagina, já que, a própria metodologia BIM – bastante recorrente nos processos de projeto hoje em dia – possui como base esse mesmo sistema, porém de uma forma mais simplificada.

Como importante avanço tecnológico que enriquece o resultado final não apenas formalmente, mas também agilizando o processo de projeto, a parametrização – para além da arquitetura – pode ser aplicada na elaboração de mobiliários, decoração, peças de design, projetos paisagísticos, entre muitas outras possibilidades.

expresso.arq sobre artigo de Camille Gislene

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, por favor verifique se o captcha está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.