Estudante brasileiro vence concurso com projeto social feito com contêineres

O estudante brasileiro Luan Fontes, da Universidade do Porto, em Portugal, venceu o concurso nacional Casa Saudável, Cidade Saudável com um projeto modular composto por contêineres.

A competição, organizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, CAU/RS, em parceria com a UN-Habitat e a Minimum, buscava as melhores soluções arquitetônicas e urbanísticas para inovações ou melhorias em diferentes escalas e espaços de vivência em áreas urbanas, com vistas a propiciar qualidade de vida nas cidades a partir da nova realidade que a pandemia impôs à sociedade.

O projeto, localizado na Ilha dos Frades, no Rio de Janeiro, ficou com o primeiro lugar na categoria equipamentos públicos. 

Também foi reconhecido com o segundo lugar na categoria projetos sustentáveis e design verde na premiação internacional A’ Design Awards e com menção honrosa na categoria design arquitetônico na premiação internacional Design Educates Awards.

© Luan Fontes

O projeto, localizado na Ilha dos Frades, no Rio de Janeiro, ficou com o primeiro lugar na categoria equipamentos públicos. 

Também foi reconhecido com o segundo lugar na categoria projetos sustentáveis e design verde na premiação internacional A’ Design Awards e com menção honrosa na categoria design arquitetônico na premiação internacional Design Educates Awards.

Conheça o projeto a seguir:

Do autor

O local escolhido para a implantação foi a Ilha dos Frades, na zona norte do Rio de Janeiro, no Brasil.

Localizada no litoral sudeste do estado, em uma região pouco adensada, a apenas 11km do centro da cidade.

O terreno do projeto é caracterizado pela combinação de paisagem formada por planícies e uma intensa arborização preservada que configuram o clima bucólico, tendo como vista principal a Ponte Presidente Costa e Silva que conecta a cidade do Rio de Janeiro à Niterói.

Tendo como objeto de estudo projetos extensionistas de realocação locais, bem como o aprendizado advindo da vivência dos moradores, o projeto visa pensar a ilha a partir dos limites que a definem, sejam eles físico-tangíveis ou sociais, pressupondo uma leitura crítica sobre o papel que desempenham na vida destes utentes.

© Luan Fontes

Processo

O projeto foi pensado durante 6 meses, com uma estimativa de execução de 4 meses.

Nele, propus a inserção de 42 contêineres de 20 pés tratados com isolamento térmico, totalizando um espaço construído de 620m2 para atender a duas necessidades locais: uma escola de dança que anteriormente funcionava em espaços adjacentes à igreja e três moradias sociais emergenciais, que serviriam de abrigo temporário para os moradores, sempre levando em consideração a necessidade de uma construção rápida e acessível, com materiais de fácil inserção no local.

© Luan Fontes

Seu partido visa respeitar os limites da topografia existente, traçando o eixo da rua paralela ao edifício vizinho, uma igreja datada do século XVIII, dentro dos limites dos lotes unificados, aproveitando, sobretudo, o espaço no qual fora palco de pequenos cortiços pertencentes aos religiosos locais.

Resultados

Como resultado, temos um projeto com um sistema estrutural 85% mais leve que a alvenaria usual e que leva a metade do tempo para ser executada, quando comparada a outro edifício comum.

Já na comunidade, graças ao espaço maior que temos para a área cultural, conseguiríamos dobrar o número de crianças atendidas pela escola de dança, mudando, por conseguinte, a realidade da população jovem local.

Contamos também com as áreas de lazer e convívio internas e externas que tornam os edifícios peças chave na vivência da comunidade.

Já as moradias forneceriam não apenas abrigo temporário às três famílias locais, mas também poderiam servir de abrigo a outras famílias no futuro.

© Luan Fontes

Impacto

O projeto como um todo, junto aos movimentos políticos locais e à pesquisa de extensão alertam sobre a necessidade de cuidado do governo e da sociedade para com a população remanescente da Ilha dos Frades, sobretudo, do direito ao acesso à cultura e a moradia digna, presentes na constituição brasileira.

Levanta-se aqui também a importância da preservação histórico-ancestral do sítio através das gerações das famílias que desde o século XIX estiveram lá e que graças ao projeto continuariam a habitar o local e amenizar, por conseguinte, os efeitos da gentrificação e especulação imobiliária na zona portuária do Rio.

© Luan Fontes

Ficha técnica

  • Nome do projeto: A perder de vista: escola de dança e moradia social emergencial no Rio de Janeiro, Brasil
  • Universidade: Escola de Arquitetura da Universidade do Porto
  • Autoria: Luan Fontes
  • Orientação: Mariela Salgado
  • Área bruta: 620m2
  • Localização: Ilha dos Frades, Rio de Janeiro, Brasil
  • https://luanfontes.co

Expresso.arq com informações Equipe ArchDailyl

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