Projetos que mostram o impacto da iluminação nos espaços interiores
A luz é um elemento mais do que fundamental na arquitetura.
No princípio, o sol e o fogo eram as nossas únicas fontes de luz e calor, entretanto, nos dias de hoje a tecnologia nos permite recriar artificialmente todas as qualidades da iluminação natural.
As novas tecnologias LED possibilitaram inclusive a incorporação da luz em mobiliários, superfícies e acabamentos, transformando a nossa própria percepção da arquitetura e do espaço.
Se utilizados de forma inteligente e criativa, sistemas de iluminação podem nos proporcionar muito mais do que apenas uma fonte de luz.
Um bom projeto luminotécnico pode ser capaz de criar atmosferas, despertar emoções e transmitir mensagens.
Por exemplo, a iluminação indireta nos permite destacar objetos e elementos construtivos, separando paredes do piso e do forro e fazendo com que o espaço pareça maior e mais leve.
Por outro lado, luzes de tons amarelados e quentes ajudam a regular a temperatura de um determinado espaço, proporcionando uma maior sensação de aconchego e bem estar.
Para saber mais sobre o tema e para descobrir como um bom projeto de iluminação pode nos ajudar a transformar as características de nossos espaços habitáveis, acompanhe a seguir.
A luz que nos permite enxergar é composta de ondas eletromagnéticas que se enquadram em uma certa faixa de comprimentos de onda.
Nossos olhos detectam apenas aquelas faixas inseridas no chamado “espectro visível”,
Qualquer comprimento de onda eletromagnética fora destes limites é invisível aos nossos olhos, como raios gama, os raios-X e também os raios ultravioleta.
Dentro do espectro visível, as fontes de luz utilizadas na arquitetura são normalmente categorizadas em “iluminação ambiente, de tarefa, de realce e decorativa”.
Cada categoria tem um propósito diferente, portanto, ao projetar um espaço, é importante entender como os diferentes níveis de iluminação podem se complementar e influenciar a nossa percepção do espaço.

A cor também é um elemento fundamental em um projeto de iluminação.
As cores e matizes emitidos pelas fontes de luz utilizadas pode impactar em nosso humor e na forma como as pessoas se relacionam umas com as outras.
Na iluminação artificial, a temperatura da cor se refere à sua tonalidade, podendo variar de tons mais quentes, ou seja, aqueles mais próximos do laranja, a mais frios, mais próximos do azul.
Luminárias brancas quentes são frequentemente utilizadas em espaços residenciais para criar uma atmosfera mais aconchegante, enquanto a luz branca neutra e fria serve para propósitos de produtividade e concentração, sendo amplamente utilizadas em espaços comerciais, salas de aula e escritórios.
Mas não é só isso, alguns arquitetos tem ampliado esta gama de tons possíveis, optando por diferentes matizes capazes de provocar distintas sensações e revelar espaços nunca antes explorados.
Apartamento Spectral / BETILLON / DORVAL‐BORY

Um projeto de reforma de um pequeno ateliê parisiense em que a falta de luz natural levou o cliente a pedir que interferíssemos particularmente na questão da iluminação artificial.
Para tanto, a equipe de projeto escolheu adotar uma “abordagem binária radical” investigando a qualidade do espectro de duas fontes diferentes de luz artificial.
Então, eles exploraram as qualidades do espectro luminoso dessas várias fontes de luz para assim criar uma arquitetura que considera e inclusive utiliza suas qualidades especiais.
O apartamento é projetado em uma expressão simples e neutra, sem cores ou detalhes especiais, eliminando qualquer expressividade ou narrativa arquitetônica e deixando apenas a lógica da composição gerada pela luz.
Um homem, seu bulldog, uma horta e a casa que compartilham / Husos Architects

Este é um projeto de reabilitação social e bioclimática de um pequeno apartamento de 46 metros quadrados para Jaime, médico de emergência e Almondega, seu bulldog.
Como Jaime tem horários de trabalho muito diferentes, ele se recupera dos turnos noturnos tirando sonecas durante o dia.
Portanto, em vez de se concentrar no dormitório como uma área única para descanso, criou-se um cápsula-periscópio como local para o cochilo na sala de estar, que é uma alternativa à cama.
Além disso, serve para receber companheiros íntimos.
No caso de encontros ocasionais, a sala é frequentemente um lugar central na cultura sexual gay em Madri, muitas vezes reservando o dormitório apenas para relações mais próximas.
Cabana (sinantro) amor, morada do tele (trabalho) / Husos Architects

Este projeto consiste em uma cabana sócio-bioclimática e multifuncional para um casal de migrantes e sua extensa família.
As suas cores lilás e violeta recriam fragmentos imaginários de paisagens da América do Sul, de onde se origina esta espécie de árvore (Jacarandá) e a sua flor, assim como esta família.
Esta membrana dá privacidade e, ao mesmo tempo, representa este lar não heteronormativo e transnacional.
Option Coffee Bar / TOUCH Architect


O Option Coffee Bar está localizado no centro da cidade de Udonthani, Tailândia.
O espaço principal foi pensado para acolher três diferentes funções de acordo com o horário do dia: um café, um bar e um restaurante, todos integrados em um único espaço.
Como a função varia de acordo com o tempo, o projeto de interiores do café foi desenvolvido de forma a permitir uma maior flexibilidade de usos e organizações espaciais.
A estrutura principal está composta por uma caixa branca simples, a qual encontra-se segmentada por dois elementos: um ‘transparente’ e outro ‘translúcido’.
A fachada para a rua representa a parede translúcida, a qual é foi construída a partir de uma camada dupla de policarbonato, permitindo uma iluminação difusa dos espaços interiores ao mesmo tempo que projeta uma profusão de luzes e sombras criando um jogo dinâmico entre os espaços interiores e exteriores.
Com esta manipulação criativa da luz, os espaços do Option Coffee Bar despertam as mais variadas emoções em quem frequenta o espaço e também em quem apenas passa pela rua do lado de fora.
D-Edge / Muti Randolph + Marcelo Pontes + Zemel + Chalabi Arquitetos


Inaugurado em 2003, o clube de música eletrônica D-Edge, passou por um inteligente processo de reforma no início de 2011.
O objetivo da reforma era ampliar a casa que não conseguia mais receber todos os dias.
De acordo com Muti, “é uma experiência envolvente que em que o público vivencia as ondas sonoras. A arquitetura do espaço muda conforme a música”.
O projeto luminotécnico foi concebido para criar formas e cores dinâmicas, as quais variam de acordo com a música que está sendo tocada.
DOJO Saigon / T3 ARCHITECTS

A T3 Architects projetou o primeiro “Dojo” na cidade de Saigon, Vietnã.
Implantado em um pequeno jardim de uma antiga villa em estilo francês, a qual será alugada como parte do complexo para a prática de judô disponibilizando espaços de co-working para os praticantes desta arte-marcial.
Desta forma, a T3 decidiu implantar a circulação principal através do edifício existente, o qual abriga o novo vestiário.
Centro de Congressos e Auditório de Plasencia / Selgascano


O objetivo com o projeto do Centro de Congressos e Auditório de Plasencia era criar um edifício visível à distância, cobrindo todo o eixo visual de norte a sul.
É por isso que os arquitetos projetaram a estrutura como uma forma luminosa, servindo como um farol de luz tanto de dia quanto de noite.
Devido à sua fachada iluminada, os transeuntes que por ali passam são pegos de surpresa, sem saber exatamente onde encontra-se o edifício.
Rombo IV / Miguel Angel Aragonés


O Rombo IV é um espaço privado com três residências e um estúdio, em uma região central e arborizada da Cidade do México chamada Bosques de las Lomas.
O arquiteto deixou de lado o tato e a expressão dos materiais, criando uma estrutura toda branca e ornamentada pela luz natural e artificial e pela exuberante paisagem que a circunda.
James Turrell: Transformação da Rotunda do Guggenheim

O artista americano James Turrell é conhecido mundialmente por seu fascínio pela luz. Ele explica que a luz não é apenas uma ferramenta que nos permite enxergar, mas algo que também merece ser visto e percebido por nossos sentidos.
Para intensificar a experiência do azul do céu, Turrell nos convida a entrar em um espaço que gradualmente se apaga; ele diz que “… quando subimos em uma montanha, a uma altitude tão elevada, somos capazes de perceber o azul do céu de forma tão nítida que é como se pudéssemos tocá-lo. Esse é o tipo de céu que desejo criar em minhas obras. Existem gradações próximas ao horizonte onde o azul é mais claro e, então, gradualmente, em direção ao zênite, ele se aprofunda. Com a cratera Roden, tirei os primeiros quinze graus de altura ao apontar as linhas de visão do túnel acima desse nível. Nesse ponto, você vê trinta graus a menos do que cento e oitenta graus. É assim que você consegue focar naquela cor incrível – eliminando todos os tons mais claros próximos do horizonte.”
Loja Misci / Babbie Arquitetura e Interiores + Airon Martin

Misci vem de miscigenação, base da identidade brasileira, o cruzamento de etnias; caldeamento; mestiçagem; mistura.
De desenho simples, o projeto faz uma alusão sofisticada à estética das construções vernaculares, com cores e texturas terrosas.
Optou-se por deixar todos os planos seguindo a mesma cor e trabalhando a iluminação no rodapé negativo, trazemos a leveza que o projeto pedia diante de todo o contexto fortemente afirmado.
Armani Quinta Avenida / Massimiliano & Doriana Fuksas

O núcleo do projeto é sua escadaria monumental; uma estrutura forjada como a grade de um radiador de aço, a qual encontra-se coberta com um material plástico que cria uma aparência escultural.
Projeto de Reforma do Philadelphia Museum of Art / Frank Gehry

O Museu de Arte da Filadélfia abriu suas portas ao público no início de maio deste ano, após a conclusão de uma extensa reforma que durou quatro anos.
A intervenção levada a cabo por Frank Gehry e sua equipe, concentrou-se na renovação da infraestrutura do museu e na criação de novas galerias e espaços públicos, preservando as características originais do edifício de 1928.
Para criar uma ilusão de ótica capaz de ampliar a percepção do espaço, a equipe de arquitetos criou uma série de elementos de iluminação embutidos no forro do edifício.
Expresso.arq sobre artigo de Dima Stouhi | Traduzidopor Vinicius Libardoni


