Pré-fabricação e conforto ambiental: o pioneirismo de Lelé
João Filgueiras Lima foi um arquiteto carioca, formado pela Faculdade Nacional de Arquitetura, no Rio de Janeiro, mas cujo nome remete a uma série de imagens e obras que há muito ultrapassaram os limites da cidade e suas paisagens referenciais.
Lelé, como ficou internacionalmente conhecido, construiu um caminho próprio dentro da profissão, que o faz presente em várias capitais brasileiras, deixando um impressionante legado arquitetônico, manifesto em edifícios públicos e privados, em inovações técnicas sobre processos de produção e numa visão sempre humanizada do ato de construir.
A história de vida deste arquiteto, e suas realizações profissionais, se confundem com a própria história da consolidação de um brasil que se desejava urbano e industrializado.
A construção de Brasília, a criação e ampliação de equipamentos públicos, administrativos e educacionais, em diferentes capitais da federação, e a dedicação à indústria da construção civil são apenas alguns traços de sua extensa bibliografia.

Sua história com Brasília começa logo após sua graduação como arquiteto.
Com apenas dois anos de formado, em 1957, muda-se para a nova capital onde abraça o compromisso de criar uma nova imagem de país.
Tal compromisso não se deu apenas no campo da concepção arquitetônica, mas especialmente na compreensão e viabilização de processos construtivos condizentes com a intenção modernizadora, a qual esbarrava em dificuldades impostas pela natureza própria de seu hostil e isolado território.

Brasília trouxe para o arquiteto o contato intenso com o canteiro de obras, com a organização da força de trabalho, com as dificuldades em especificar materiais e executar processos num contexto de total ausência de recursos, comuns no mercado da construção civil de outras grandes cidades brasileiras.
A inovação tornou-se parte da sua abordagem de projeto e projetar, para ele, envolvia conhecer todas as etapas de realização de uma obra arquitetônica.
Lelé foi pioneiro em diferentes frentes de trabalho no campo da arquitetura, como o ensino e pesquisa, a pré-fabricação em diferentes materiais, soluções construtivas e projetuais para melhor qualidade ambiental e desempenho dos edifícios, e uma sensibilidade pragmática com o bem-estar do usuário, a qual resultou, inclusive, em design para equipamento hospitalar, demostrando o domínio que tinha das diferentes escalas do projeto.

Seu trabalho para a Rede Sarah Kubitschek, centros de saúde voltados para doentes do aparelho locomotor, tornou-o uma referência mundial em arquitetura hospitalar e renovou a percepção de até onde a arquitetura pode contribuir para a qualidade de vida, quando sensível às necessidades das pessoas.
Expresso.arq sobre texto de Aline Cruz.


