Construção civil de SC é destaque na geração de empregos

A maioria de nós vive em uma casa, apartamento, trabalha em algum escritório ou em um grande edifício. Para que você pudesse estar neste espaço, uma grande cadeia produtora foi ativada, a construção civil, que representa 6% do PIB nacional.“A construção civil envolve uma enorme cadeia produtiva que vai desde a extração de recursos, passando pela produção de insumos e matérias pela indústria, tais como ferro, cimento, cerâmicas, vidros, tintas e outros, até grandes obras de infraestrutura nas áreas de saneamento, água e energia, mobilidade e, sobretudo, habitação que impulsiona também o setor imobiliário”,  explica o presidente do CREA-SC, Carlos Alberto Kita Xavier.

Para a construção dos imóveis são necessários muitos profissionais, desde um engenheiro para projetar a obra ao servente de obra.

Em Santa Catarina, o saldo de contratações foi maior do que o esperado.

De acordo com dados de 2020, fornecidos pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC), de janeiro a outubro a construção civil e o setor industrial contrataram 48.907 colaboradores, atingindo a marca de 35.210 novos empregos, maior número de contratação dos estados brasileiros.

“A construção civil passou por um período de recessão como a maioria dos setores no início da pandemia, mas se recuperou rápido e encerrou 2020 com saldo positivo. Dados da CNI mostram aumento da atividade industrial, da empregabilidade, da capacidade operacional e dos índices de confiança, apesar da escassez de insumos e aumento do preço da matéria prima. Foi um dos setores que mais gerou empregos” aponta Carlos Alberto Kita Xavier.

A recuperação apresentada pelo setor chama atenção.

De acordo com o economista e professor Márcio da Paixão Rodrigues, apenas nos quatro primeiros meses de 2021 foram gerados no setor, cerca de 9.500 empregos formais, representando 10% das vagas abertas no Estado neste ano, 489% a mais que na mesma época do ano anterior.

Para Márcio, três fatores são essenciais para explicar o crescimento: a economia local, a capacidade do setor em se reerguer e adaptar-se às novas situações em um cenário de pandemia e as reduções de juros e facilidades de financiamentos imobiliários, impulsionando as vendas.

“Para se ter uma ideia, Santa Catarina, atualmente, possui uma das menores taxas de desemprego, um dos melhores índices de geração de emprego e uma das melhores rendas médias do país. Esses fatores acabam impulsionando de forma diferenciada o mercado consumidor por imóveis, especialmente na construção civil”, relata Márcio.

Para toda obra realizada no Estado, os responsáveis precisam emitir a ART (Anotações de Responsabilidade Técnica), desta forma o CREA-SC pode controlar quem são os responsáveis técnicos e, também, identificar os tipos de obras realizadas.

No ano de 2020, foram 47% ARTs emitidas por profissionais da engenharia civil, o que, segundo Carlos Alberto, acompanha o percentual da quantidade de profissionais registrados da modalidade atualmente, 42,5%.

“Comparando o acumulado de ARTs de janeiro a abril com anos anteriores, tivemos crescimento de 18,16% em relação a 2020 e 5,47% em relação a 2019. Em março de 2021, também batemos recorde de ARTs geral. Foi o mês com o maior número já registrado na história, mostrando aquecimento da economia, apesar da pandemia”, explica Carlos Alberto.

Construção civil é uma cadeia produtiva

O mercado aquecido, juros mais baixos e financiamentos facilitados estimulam as pessoas a comprar e construir. Em meio a uma pandemia, esbarraram em dois problemas: a falta e o alto custo da matéria-prima.

Dados da INCC- Materiais e Equipamentos, calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostraram um aumento de 17,78% nos produtos do setor de construção, a maior desde o início do Plano Real. Porém, o ano de 2021 aponta melhorias, explica Carlos Alberto.

“A melhora para 2021 passa pela resolução deste problema. As projeções da CBIC são de expansão de 3,5% para a economia brasileira e 4% para a construção civil — aponta”.

A falta de insumos para a construção pode ser explicada, pois o setor da construção civil influencia os demais setores da economia.

As pessoas passaram a buscar mais imóveis, aumentando a venda e assim, sucessivamente, impulsionando a construção e lançamento de novos empreendimentos.

“Todo esse processo, além de gerar mais empregos diretamente na economia no setor da construção civil, ele acaba também aumentando a demanda por insumo em outros setores, em especial na indústria. Toda essa cadeia da indústria de construção civil gera emprego, que gera mais renda, que gera mais consumo”, explica Márcio.

Aumento na procura e venda de imóveis

A venda de imóveis permanece aquecida e próspera, seja para morar ou investir. Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) apontam que no primeiro trimestre de 2020 foi registrado um aumento de 26,7% na venda de imóveis em todo o Brasil.

Já no segundo trimestre do mesmo ano, o crescimento foi de 10,5%.

Neste ano, a expectativa também é de crescimento, mas um pouco menor, de 5%. Em Santa Catarina, a procura também aumentou.

A busca por um imóvel cresceu 30% em 2020 no Estado. Para o economista Márcio, o crescimento das vendas e da procura reforça o quanto a economia local é forte, pois o aumento das vendas representa a existência do poder aquisitivo da população. Isso só acontece, explica, porque a economia de Santa Catarina tem se recuperado e acima da média, comparado com os demais Estados do país.

Outro estímulo na compra de um imóvel é o juro baixo e as condições facilitadas do financiamento imobiliário ocorridas ao longo de 2020.

Márcio explica que a redução das taxas de juro gera a possibilidade de empréstimos de médio e longo prazo, com parcelas menores, impulsionando a confiança de quem busca comprar um imóvel para morar ou investir.

Agora, é importante frisar que esse cenário todo foi muito mais positivo em Santa Catarina porque a economia vem se recuperando com uma intensidade muito maior do que a média do país. Essa recuperação, com esse cenário de redução da taxa de juros, acaba gerando muito mais confiança para as pessoas nesse sentido”, relata o especialista.

Apesar da incerteza com a pandemia, investir em imóveis no estado ainda é uma boa opção. Márcio alerta, porém, para quem for adquirir um imóvel: é necessário saber o que está comprando e não ter uma postura passiva durante a ação.

“É importante fazer um estudo prévio do que ele está adquirindo. Em especial tentar identificar se essa obra ou imóvel tem um futuro promissor, se tem um futuro de ao longo do tempo se valorizar. Desta forma é um bom investimento. Como Santa Catarina é um estado que está crescendo acima da média do país e que vai crescer mais ainda, a compra pode ser um bom investimento, sim”, finaliza.

Expresso.arq c com informações de A Força de SC

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