Casa para idosos: os itens que ajudam a tornar os ambientes mais seguros
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a parcela da população com 60 anos ou mais no Brasil passou de 11,3% para 16,6% entre 2012 e 2025. A projeção é que esse grupo represente 30% da população brasileira em 2050. Entre 2000 e 2070, a participação dos idosos no total da população deverá quadruplicar, evidenciando uma transformação demográfica que também traz novos desafios para a maneira como vivemos.
Entre eles está a relação com a própria casa. À medida que a população envelhece, pensar em moradias capazes de acompanhar diferentes fases da vida torna-se cada vez mais relevante. No ambiente doméstico, escolhas aparentemente simples, como a posição dos móveis, a iluminação ou o tipo de piso, podem interferir diretamente na autonomia e na segurança dos moradores.
Nesta quinta-feira (1º), o Dia Internacional da Pessoa Idosa, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), coloca em pauta justamente questões relacionadas ao envelhecimento e à garantia de uma vida com dignidade. Dentro de casa, um dos principais pontos de atenção são as quedas. Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, cerca de 62 mil idosos foram internados após episódios do tipo nos primeiros quatro meses de 2025.
Mais do que adaptar a casa quando surgem as primeiras limitações, especialistas defendem que o planejamento considere desde cedo a possibilidade de envelhecer naquele espaço. Afinal, uma residência pensada para acompanhar as transformações da vida pode contribuir para que seus moradores preservem autonomia e independência por mais tempo.
Quais são os principais riscos que a casa pode oferecer aos idosos?
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/l/n/2h6mWgSPOWn1GJl2jnBQ/dia-da-pessoa-idosa-7.jpg)
“Antes de falar dos riscos, é importante mudar a perspectiva. Não acreditamos que o envelhecimento deva tornar a pessoa inadequada para a própria casa. A casa é que deve ser capaz de acompanhar as diferentes fases da vida”, pontua Daline Hallbom, especialista em longevidade e CEO da Söderhem.
A ideia, portanto, é deslocar o foco da adaptação do morador para a capacidade da própria residência de acompanhar suas necessidades. Entre os riscos mais comuns estão pisos escorregadios, iluminação insuficiente, tapetes soltos, fios espalhados pelo chão, desníveis, escadas mal resolvidas, circulações estreitas e móveis posicionados de maneira a dificultar a passagem.
“Também entram nessa lista cama, sofá ou vaso sanitário muito baixo. Há, ainda, riscos menos óbvios, como o excesso de estímulos visuais, a desorganização e móveis ou objetos difíceis de identificar para uma pessoa com baixa visão ou demência”, explica Mayra Frutig, geriatra do Hospital Samaritano Higienópolis.
Algumas soluções, como barras de apoio e tapetes antiderrapantes, podem reduzir riscos e facilitar determinadas atividades. A lógica do chamado Aging in Place, porém, vai além da instalação de acessórios: trata-se de pensar a moradia para que ela continue funcional e intuitiva ao longo do tempo, sem assumir a aparência de um ambiente hospitalar ou institucional.
Para os especialistas, o planejamento também deve acontecer antes de um acidente ou de uma perda de autonomia. Quando as mudanças só são feitas depois de uma queda ou de alguma limitação, a intervenção pode assumir um caráter de urgência e reforçar a sensação de perda de independência. Antecipar essas necessidades, por outro lado, permite que a casa acompanhe as transformações naturais da vida.
“Eu prefiro falar menos em ‘adaptar para o envelhecimento’ e mais em projetar para uma vida longa. Não queremos preparar uma pessoa para uma vida mais limitada. Queremos criar condições para que ela continue vivendo plenamente por mais tempo”, afirma Daline.
Nesse processo, cuidado não deve ser confundido com restrição. Por preocupação com possíveis acidentes, familiares podem acabar limitando atividades cotidianas, como cozinhar, subir escadas ou sair de casa. Sempre que possível, a proposta é encontrar soluções que conciliem autonomia e segurança, em vez de eliminar a atividade.
Nesse sentido, a arquitetura tem papel importante: criar condições para que a pessoa continue utilizando os espaços de maneira independente e preservando sua rotina pelo maior tempo possível.
Quais cômodos exigem mais atenção?
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/B/G/BEmdpaSBKtlRjruvC1Hw/dia-da-pessoa-idosa-8.jpg)
Embora cada morador tenha necessidades específicas, alguns ambientes concentram situações que merecem atenção especial. “Destaco o banheiro e o quarto, mas gostaria de dizer que todos os cômodos merecem muita atenção. Desníveis entre salas, cozinha e jardim, por exemplo, também podem ser perigosos”, explica Leandro Minozzo, geriatra especializado no cuidado integral de Alzheimer, professor de Geriatria do curso de Medicina da Universidade FEEVALE e autor do livro Como Cuidar de um Familiar com Alzheimer e Não Adoecer.
No banheiro, a combinação entre umidade e pisos escorregadios aumenta a atenção necessária, especialmente nos momentos de entrar e sair do boxe ou de sentar e levantar do vaso sanitário. No quarto, altura da cama, iluminação e até o comprimento dos lençóis podem interferir na rotina, principalmente durante a noite.
“A cozinha envolve fogo, objetos cortantes, líquidos quentes e a necessidade de alcançar armários altos. Já as escadas exigem equilíbrio, coordenação, força e boa percepção visual, enquanto, nos corredores e portas, tapetes, móveis e objetos podem virar obstáculos”, indica Mayra.
Para pessoas com doenças demenciais, como a doença de Alzheimer, há ainda outra camada de complexidade: a forma como o espaço é compreendido. Ambientes muito confusos, com excesso de informações ou pouca diferenciação entre áreas, podem dificultar a orientação e a realização de tarefas.
Por isso, antes de decidir quais mudanças fazer, vale observar a jornada do morador pela casa: como ele acorda, se levanta, circula pelos ambientes, prepara uma refeição, recebe visitas, acessa uma área externa ou sai para encontrar um vizinho. É a partir dessa rotina que arquitetura, mobiliário e soluções de segurança podem ser pensados para acompanhar a vida, em vez de restringi-la.
Os itens que você precisa adaptar em casa e garantir segurança ao idoso
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/B/0/GjTxbMSjSr30z7uNrjGQ/dia-da-pessoa-idosa-9.jpg)
Antes mesmo de criar uma lista de itens necessários, é necessário refletir a respeito de questões básicas do lar. Em primeiro lugar, priorize a boa iluminação, que melhora a percepção de obstáculos, desníveis e mobiliário. Ademais, pode ser interessante incorporar algum tipo de iluminação noturna, que facilita os deslocamentos e garante maior segurança.
“Recomendo sempre dispositivos automáticos de sinalização. Além de orientar o caminho correto, a iluminação ajuda a deixar o idoso mais atento e desviar de obstáculos”, acrescenta o geriatra especialista em Alzheimer. Ademais, a iluminação ajuda a organizar o ritmo circadiano, auxiliando na organização cognitiva e no sono.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/3/V/QoJwBrQJSdBP7CHq50eQ/dia-da-pessoa-idosa.jpg)
Para o piso, este perfil de embutir, com iluminação de fita LED, pode ser integrado à arquitetura do lar para garantir iluminação nos percursos feitos pelo morador. O item conta com três metros.
Ainda na arquitetura, os especialistas indicam reavaliar as próprias condições da casa, como a capacidade de escorregar com o piso escolhido. Para os idosos, a melhor pedida é o uso de pisos antiderrapantes, que reduzem a probabilidade de quedas. Ademais, certifique-se de que estruturas altas, como escadas, estejam equipadas com corrimãos, de preferência nos dois lados, que conferem estabilidade ao idoso.
A escada deve ficar livre de objetos, com piso estável e não escorregadio, e desníveis desnecessários devem ser eliminados. Há muitas famílias que preferem adaptar quartos no andar térreo e eliminar o uso da escada pelo risco de quedas.
Na decoração, é fácil deixar-se levar pelo aconchego e a estética e deixar de pensar na funcionalidade. Porém, é indispensável se atentar aos lares com idosos. “Os tapetes precisam estar fixos ou simplesmente não existir, evitando tropeços”, coloca a geriatra. Atualmente, existem alguns modelos de tapetes antiderrapantes, que mantêm a estética e o visual do lar sem colocar o morador em risco.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/3/d/JDQI4NSAeJNGBb7Oe3Lw/dia-da-pessoa-idosa-2.jpg)
Este conjunto com dois tapetes antiderrapantes, disponível em três modelos, inclui um emborrachado extra reforçado para evitar que a peça se mova com facilidade.
Mas, ainda vale ficar de olho na peça. “É importante lembrar que, mesmo sendo antiderrapante, ele pode ter bordas levantadas, criar um pequeno desnível ou estar justamente em uma área de circulação. Por isso, a pergunta não deveria ser apenas ‘Qual tapete devo comprar?’, mas se esse tapete precisa existir”, pontua Daline. Quando bem planejado, o tapete ainda pode ser uma boa pedida.Selecione suas newsletters
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/I/a/X74hZCReWZraYzBA5bNQ/dia-da-pessoa-idosa-10.jpg)
Outro item que pode auxiliar na segurança dos idosos é a barra de apoio, que pode ser instalada na frente e ao lado do vaso sanitário, no boxe do banheiro e nos corredores. Esta, por sua vez, melhora o tempo para a execução de tarefas e reduz o risco de quedas, especialmente no banheiro. Eventualmente, as barras também podem ser instaladas ao lado da cama, em corredores ou em outros locais de transferência, dependendo da avaliação individual.
“Uma barra de apoio não é simplesmente uma barra colocada na parede. Precisa estar corretamente posicionada, ter resistência adequada e ser instalada considerando a altura, a força, o alcance e o movimento da pessoa”, explica a geriatra.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/i/J/kekuyuTxWcbtPzRt7xJw/dia-da-pessoa-idosa-3.jpg)
Este conjunto de duas barras de apoio da Uinnate, fabricadas em aço inoxidável, suporta até 230 kg, oferecendo estabilidade e segurança no banheiro, nas escadas e nos corredores. As peças, ainda, possuem um revestimento em silicone antiderrapante e design ergonômico, que permitem uma pegada firme e confortável.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/D/z/hKg4MSRfaqySM7UzLHHA/dia-da-pessoa-idosa-11.jpg)
Ainda no banheiro, o especialista Leandro indica a presença de uma banqueta de banho e um elevador de assento sanitário, itens úteis para idosos que sofrem com perda de força ou cansaço frequente.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/A/d/CwtHTiQL2V60xl1MVL3w/dia-da-pessoa-idosa-4.jpg)
Esta cadeira de banho da Winner.Med conta com encosto e braços ajustáveis, feitos em alumínio, garantindo maior estabilidade durante a hora do banho. O item suporta até 150 kg e tem pés com ventosas antiderrapantes que garantem aderência ao piso e facilidade para locomoção.
Em paralelo, móveis estáveis também são responsáveis pela redução do risco de quedas ou acidentes. Ainda, certifique-se de que o mobiliário não esteja ocupando o espaço de circulação, podendo ocasionar acidentes.
“Os recursos tecnológicos são muito úteis e ajudam a preservar o idoso morando sozinho em casa. Há câmeras excelentes e acessíveis, além de dispositivos como a Alexa. O detalhe importante é preservar a privacidade no quarto e no banheiro. Normalmente, na sala e na cozinha os idosos aceitam bem”, sugere Leandro. Assim, a lógica central não é adicionar dispositivos indiscriminadamente e sem a autorização do morador, e sim adequar o ambiente àquela pessoa específica.
Pode ser uma ferramenta útil, desde que pensada como tecnologia de suporte à autonomia, e não como substituta da presença humana. Ela ajuda a verificar se a pessoa está bem, identificar situações de risco, permitir o acompanhamento à distância, aumentar a segurança de quem vive sozinho e auxiliar familiares e cuidadores.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d72fd4bf0af74c0c89d27a5a226dbbf8/internal_photos/bs/2026/d/Q/DzZ7PlQYGgW5Oy2qvWRg/dia-da-pessoa-idosa-5.jpg)
Esta babá eletrônica da Yoosee, com instalação sem fio, tem imagem de alta definição, permitindo visualizar os ambientes internos com claridade, mesmo que à distância. A câmera, também, tem visão noturna infravermelha, que garante monitoramento 24 horas com alcance em ambientes escuros. O aparelho também conta com microfone integrado, e permite acesso remoto em tempo real.
Outro bom acréscimo são os protetores de quina, embora sejam mais conhecidos no contexto infantil. Indicados quando o idoso tem o risco de bater a cabeça, estes podem ser úteis, principalmente, em casos nos quais há alteração visual, dificuldade de percepção espacial, alterações de equilíbrio, lentificação dos movimentos, demência ou risco aumentado de colisões. Isso não significa, porém, que você precisa colocar em todas as quinas.
No Aging in Place, é importante evitar transformar a casa em um ambiente excessivamente “medicalizado”. O objetivo, portanto, é reduzir riscos preservando a aparência de uma casa normal.
Para além de itens auxiliares, atente-se à própria organização da residência. A organização deve criar rotas de circulação intuitivas, livres e previsíveis. Assim, libere a circulação, de maneira que nada fique no caminho habitual do indivíduo. Também é necessário organizar os fios da televisão, luminárias, carregadores e outros equipamentos que estejam livres pelo espaço.
Lembre-se: as mudanças não devem ser uma limitação
Conforme Leandro, a perda da autonomia e quedas causam muito medo nas pessoas idosas e, por vezes, podem não receber bem as mudanças no lar.
“A adaptação não deve transmitir a mensagem de ‘você não consegue mais fazer isso’ e sim a de ‘vamos modificar o ambiente para que você continue conseguindo fazer isso’. A melhor casa para envelhecer não é aquela que parece uma casa adaptada. É aquela que consegue acompanhar as mudanças da pessoa sem tirar dela a sensação de que continua sendo a dona da própria casa”, reflete a geriatra.
expresso.arq com informações de Adriana Marruffo


