PIB do Brasil perde força, cresce 2,3% em 2025 e tem resultado mais fraco desde 2020
O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, ante avanço de 3,4% registrado em 2024, confirmando a perda de fôlego da economia brasileira. O resultado veio em linha com o esperado por economistas, mas trata-se do desemprenho mais fraco desde 2020, ano da pandemia, quando houve retração de 3,3%.
Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 12,7 trilhões em 2025. Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com avanço real de 1,9% frente ao ano anterior.

No quarto trimestre de 2025, o PIB teve alta de 0,1% em relação ao terceiro trimestre. O PIB mostrou desaceleração no segundo semestre de 2025, depois de ter expandido 1,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo. Veja aqui o detalhamento.
Em nota, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda atribui o resultado aos impactos da alta taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano.
“A perda de fôlego tornou-se mais evidente no segundo semestre, quando a atividade permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro. Não fosse a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, pela ótica da oferta, e do setor externo, pela ótica da demanda, a economia teria apresentado desempenho ainda mais fraco
Destaques do ano
A agropecuária foi o destaque de 2025, com crescimento de 11,7%. Os serviços tiveram alta de 1,8% e a indústria avanço de 1,4%.
Pela ótica da despesa, o consumo das famílias cresceu 1,3% em relação ao ano anterior puxada pela melhora no mercado de trabalho, pelo aumento do crédito e pelos programas governamentais de transferência de renda. Entretanto, esta taxa representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 2024 (2,1%).
Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, tiveram alta de 2,9%, explicado principalmente pelo acréscimo da importação de bens de capital, desenvolvimento de software, além da alta na construção. O consumo do governo, por sua vez, cresceu 2,1%.
No setor externo, houve altas de 6,2% nas exportações de bens e serviços e de 4,5% nas importações. Nas vendas para o exterior, os destaques foram: extração de petróleo; veículos automotores; agropecuária. Nas compras, destacaram outros equipamentos de transportes; máquinas e equipamentos; e produtos químicos.
A taxa de investimento em 2025 recuou para 16,8% do PIB, contra 16,9% em 2024. A taxa de poupança, por sua vez, foi de 14,4% em 2025, ante 14,1% em 2024
“Deveríamos estar investindo pelo menos 20% do PIB, mas dado o patamar de juros isso ainda não será possível num horizonte de médio prazo”, avaliou o economista Andre Perfeito, da Garantia Capital. O analista destaca, entretanto, o crescimento de 8,6% da indústria de extração (petróleo e gás). “Isso é particularmente importante num momento que nem este de guerra generalizada no Oriente Médio e poderá nos dar certa salva guarda durante o período tumultuado que iremos viver este ano”, diz.
Perspectivas para 2026
O Ministério da Fazenda projeta para 2026 um crescimento de 2,3% para o PIB, ritmo similar ao observado em 2025, e prevê uma “aceleração acentuada” no primeiro trimestre deste ano, em ritmo próximo a 1%, sob efeito, em especial, do aumento da renda disponível com a ampliação da isenção do Imposto de Renda a trabalhadores.
O Itaú manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,9% no ano, com viés de alta, “dada a possibilidade de adoção de medidas fiscais e desempenho mais robusto do crédito”.
Na média, o mercado estima uma alta de 1,82% em 2026, segundo o último boletim Focus do Banco Central.
A expectativa atual dos analistas é que taxa básica Selic será reduzida dos atuais 15% para 14,5% na reunião de 17 e 18 de março do Comitê de Política Monetária (Copom) e que feche em 12% ao final deste ano.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, ponderou na véspera, entretanto, que o conflito no Irã pode eventualmente antecipar a parada do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central caso se intensifique um cenário de incerteza e de repasse para preços. O economista ponderou que o novo cenário geopolítico pode gerar mais efeitos positivos do que negativos para o Brasil.
expresso.arq com informações de Darlan Alvarenga


