Dubai Bate Recorde Com 500 Imóveis Vendidos Acima De US$ 10 Milhões Em 2025

O mercado residencial de luxo de Dubai fechou 2025 em um patamar inédito e consolidou o emirado como um dos principais destinos globais para imóveis de altíssimo padrão. Durante o ano passado, foram registradas 500 vendas acima de US$ 10 milhões (R$ 53,7 milhões), incluindo 68 transações superiores a US$ 25 milhões (R$ 134,25 milhões), segundo levantamento da consultoria imobiliária internacional Knight Frank.

O desempenho ganhou ainda mais força no fim do ano. Apenas no quarto trimestre, 143 imóveis foram vendidos por valores acima de US$ 10 milhões, alta de 39% em relação ao trimestre anterior. Com isso, o volume financeiro do segmento alcançou US$ 9,05 bilhões (R$ 48,63 bilhões) em 2025, um avanço de 27,7% na comparação com 2024. 

Para Faisal Durrani, sócio e diretor de pesquisa da Knight Frank para o Oriente Médio e Norte da África, os números confirmam a transformação de Dubai em um polo global para indivíduos de altíssimo patrimônio. Segundo ele, a combinação entre qualidade de vida, infraestrutura de padrão internacional e investimentos estratégicos do governo tem atraído compradores da região e de diferentes partes do mundo interessados não apenas em investir, mas em fixar residência no emirado. 

A ascensão é expressiva.Em apenas cinco anos, Dubai passou de 30 vendas acima de US$ 10 milhões, em 2020, para 500 transações em 2025, tornando-se o mercado mais ativo do mundo nesse segmento. No recorte mais exclusivo, acima de US$ 25 milhões, o crescimento foi de 45% em relação ao ano anterior, quando foram vendidas 46 unidades. 

Comunidades de luxo puxam a demanda 

O avanço do mercado está diretamente ligado ao sucesso de comunidades residenciais que combinam lazer, segurança e conveniência em ambientes integrados. “O mercado residencial de Dubai se diferenciou de cidades regionais e de muitos outros destinos globais importantes pela criação de comunidades que integram lazer, segurança e conveniência em ecossistemas autossuficientes”, afirma Will McKintosh, sócio regional e diretor do setor residencial para o Oriente Médio e Norte da África da Knight Frank.

Entre essas áreas, a Palm Jumeirah manteve a liderança no quarto trimestre de 2025, com 28 vendas acima de US$ 10 milhões. Logo atrás apareceu a Palm Jebel Ali, ainda em desenvolvimento e com entrega prevista para 2028, que somou 22 transações. La Mer (16), Jumeirah 2 (13) e Tilal Al Ghaf (9) completaram o ranking das comunidades mais valorizadas no período. 

Mesmo ainda em fase de consolidação, a Palm Jebel Ali chama atenção. Com área 50% maior do que a Palm Jumeirah, o projeto vem se firmando como um dos principais destinos para compradores em busca de imóveis de alto padrão à beira-mar. “Os números de vendas de 2025 são um indicativo de seu alto potencial e da crescente demanda dos compradores mais ricos por imóveis de primeira linha à beira-mar e pelo luxuoso estilo de vida de Dubai”, analisa McKintosh.

Venda recorde e mercado mais maduro 

A transação mais cara do quarto trimestre ocorreu em Business Bay, onde uma cobertura de seis quartos no empreendimento Bugatti Residences by Binghatti foi vendida por US$ 149,7 milhões (R$ 803,9 milhões). O imóvel de 4.385 metros quadrados estabeleceu um novo recorde para coberturas nos Emirados Árabes Unidos, superando a marca anterior registrada em 2023 na Palm Jumeirah, a de um imóvel de 2.044 metros quadrados.

Ainda segundo o relatório da Knight Frank, o atual ciclo imobiliário reflete uma mudança estrutural no perfil dos compradores. Cada vez mais, o mercado é sustentado por usuários finais, famílias e indivíduos que adquirem imóveis para morar, e não apenas por investidores especulativos. Esse movimento contribui para um cenário mais estável e previsível. “Acreditamos que a volatilidade associada aos booms especulativos anteriores é menos provável nesta nova era de residência consolidada”,  afirma Durrani.

Após uma valorização de 194% desde o fim de 2020, o ritmo de alta dos preços começa a desacelerar, ainda que permaneça positivo. Para 2026, a expectativa da consultoria é de um crescimento adicional de 3% no segmento de luxo.

Brasileiros podem ter ajudado no desempenho 

Embora o relatório da Knight Frank não detalhe a nacionalidade dos compradores de imóveis de luxo em Dubai, a tendência é que parte desse movimento tenha origem no Brasil. “Temos visto uma procura muito grande de brasileiros”, afirma Leonardo Leão, CEO e fundador do Leao Group, empresa que atua como consultoria jurídica internacional especializada em imigração, com presença em diversas regiões do mundo, incluindo Dubai.

Esse movimento também se reflete no apetite dos investidores pelo mercado local. Dados do Difc (Dubai International Financial Centre), o Centro Financeiro Internacional de Dubai, indicam o registro de 120 escritórios familiares que, juntos, administram cerca de US$ 1,2 trilhão (R$ 4,48 trilhões).

O Difc também aponta crescimento de 33% na criação de entidades de gestão de patrimônio familiar, alta de 51% no número de fundações e avanço de 50% na quantidade de fundos de hedge. Embora o centro financeiro não detalhe a origem dos recursos, brasileiros fazem parte desse fluxo. Segundo dados da plataforma MH/Q, especializada em patrimônio privado de famílias de alta renda, cerca de US$ 1,5 bilhão (R$ 8,1 bilhões) em recursos brasileiros já foram estruturados em Dubai, conforme levantamento publicado pela Forbes no fim do ano passado. Um dos produtos de investimento mais demandados por esse público são os imóveis.

“Eu mesmo estou finalizando meu processo de Golden Visa porque adquiri dois imóveis”, diz Leão.

Entre os fatores que tornam o país atrativo para investimentos imobiliários, o executivo destaca as isenções de impostos para pessoas físicas, incluindo tributos sucessórios e sobre ganho de capital, além da estabilidade econômica assegurada pela família real.

O Golden Visa mencionado por Leão é concedido a investidores que aplicam a partir de 2 milhões de dirhams (AED), o equivalente a US$ 544 mil (R$ 2,93 milhões). Segundo ele, o investidor se torna elegível ao programa ao desembolsar cerca de 20% do valor do imóvel ainda durante a fase de construção.

Outro fator que ajuda a explicar o interesse crescente de brasileiros por imóveis em Dubai é a valorização média anual de até 20% em projetos ainda na planta. Leão ressalta ainda que o controle de terras no emirado é bastante rígido, o que contribui para a escassez de unidades. “Dubai vive um cenário de oferta limitada. Escassez gera valorização, é uma questão de oferta e demanda”, afirma Leão.

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, por favor verifique se o captcha está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.