Mercado Imobiliário de Luxo em Manhattan Avança em 2025 com Força das Compras à Vista
O mercado imobiliário residencial na ilha de Manhattan, um dos cinco distritos de Nova York, encerrou 2025 com desempenho sólido, sustentado principalmente pelos segmentos de luxo e superluxo. Ao longo do ano, o volume de vendas cresceu, os preços avançaram e o perfil do comprador se mostrou cada vez mais concentrado em transações à vista, reforçando a força do capital de alta renda.
Segundo dados do Elliman Report, elaborado pela consultoria Miller Samuel e Douglas Elliman, referência em imóveis de luxo nos Estados Unidos, no geral, Manhattan registrou 11.391 vendas residenciais em 2025, um aumento de 15,3% em relação a 2024.
No acumulado do ano, o preço mediano, que representa o valor central das transações, atingiu US 1,18 milhão (R$ 6,33 milhões), alta de 5,8% na comparação anual. Já o preço médio anual, mais sensível à presença de imóveis de alto padrão, ficou em US 2,09 milhões (R$ 11,29 milhões). O resultado indica a maior participação de propriedades de luxo e superluxo nas negociações ao longo do ano.
O preço médio por metro quadrado permaneceu praticamente estável no acumulado de 2025, em US 1.630 (R$ 8.785,70), indicando que o crescimento esteve mais associado à composição das vendas do que a uma valorização generalizada dos preços.
Compras à vista atingem patamar histórico
Um dos principais traços de 2025 percebido pelo levantamento foi a predominância de compras à vista. No acumulado do ano, a participação de mercado das vendas feitos nessa forma de pagamento foi a maior já registrada na série histórica do relatório, sendo que no último trimestre esse índice atingiu 64,7% das transações em Manhattan.
Entre os condomínios (os Condos), onde estão os imóveis de maior valor, a participação de compradores que dispensaram financiamento foi ainda maior, chegando a 74,4% no último trimestre do ano. Considerando o volume total de vendas em 2025, isso representa mais de 7,3 mil imóveis adquiridos sem uso de crédito.
Com a taxa da hipoteca de 30 anos encerrando 2025 em torno de 6,15%, o mercado passou a responder menos às condições de financiamento e mais à liquidez disponível dos compradores, sobretudo nos segmentos de maior valor, diz o estudo.
Segmento de luxo cresce mais
O desempenho mais expressivo ao longo de 2025 veio do segmento de luxo, definido em Manhattan como o topo de 10% das vendas, ou um total de 1.139 imóveis em meio aos 11.391 vendidos, com valor de entrada a partir de US 4,20 milhões (R$ 22,64 milhões).
As transações acima do patamar de US$ 4 milhões cresceram 11,2% anualmente, ritmo mais que o dobro do observado nos imóveis abaixo desse nível. O dado indica que, mesmo com ajustes pontuais de preços, o apetite por ativos de alto padrão permaneceu firme.
O preço mediano dos imóveis de luxo encerrou o período em US 6,04 milhões (R$ 32,54 milhões), numa queda anual de 7,5%. O movimento refletiu uma mudança no perfil dos imóveis negociados, com maior participação de unidades menores dentro do recorte de alto padrão, e não uma retração estrutural da demanda, indica o relatório.
Estoque no menor nível em 15 anos
Do lado da oferta, o cenário seguiu restritivo ao longo de todo o ano. No geral, o estoque em toda a cidade fechou 2025 em 5.887 unidades, numa redução 4,4% em comparação ao final de 2024, quando o mercado contava com 6.161 imóveis disponíveis
Quando o recorte é feito apenas analisando-se o estoque de imóveis de luxo, esse índice caiu 15,2% em 2025, encerrando o período com apenas 1.090 unidades disponíveis, o menor nível registrado em 15 anos.
A combinação de oferta limitada e crescimento das vendas manteve o segmento operando em um ambiente estruturalmente apertado, o que tende a sustentar os preços no médio e longo prazo, especialmente nas regiões mais consolidadas da cidade, dizem os autores do estudo.
No acumulado de 2025, os condomínios seguiram concentrando os imóveis de maior valor negociados em Manhattan. O preço mediano desse segmento no final do ano ficou em US 1,66 milhão (R$ 8,95 milhões), praticamente estável na comparação anual.
Já o preço médio alcançou US 3,03 milhões (R$ 16,31 milhões), refletindo uma alta de 14,1% em relação ao trimestre anterior e o peso crescente das unidades de alto padrão nas vendas. O que os números indicam é que o movimento reforça o papel dos condomínios como principal destino do comprador de alta renda na ilha.
expresso.arq com informações de Clayton Freitas


