Airbus Aposta no Brasil Como Motor da Aviação na América Latina

Com o avanço da recuperação global da aviação, a Airbus aposta no Brasil como motor do crescimento no mercado latino-americano. A empresa prevê que o volume de passageiros na região deve dobrar em uma década, e aposta na força da Helibras, sua subsidiária em Minas Gerais especializada na fabricação de helicópteros, para sustentar a expansão e consolidar sua presença no continente.

Cerca de 200 aviões da empresa europeia são utilizados por companhias brasileiras, e quase metade de todos os helicópteros em operação no país — a maioria deles sobrevoando a cidade de São Paulo — foi produzida pela companhia.

A relação da Airbus com o Brasil é antiga. Há 40 anos, a Helibras, subsidiária da Airbus Helicopters instalada em Itajubá, Minas Gerais, ainda se mantém como a única linha de montagem de helicópteros com turbinas de toda a AL.

Globalmente, apesar da Airbus ter enfrentado um ano mais lento em novos pedidos de aeronaves, a empresa mantém expectativas otimistas quanto ao crescimento do tráfego aéreo na América Latina.

As projeções indicam que o volume de passageiros na região deve dobrar nos próximos dez anos. Em longo prazo, a Airbus prevê que o número de viagens per capita na região suba dos atuais 0,4 para 1 nos próximos 20 anos.

Segundo o Global Services Forecast (GSF), divulgado pela companhia, o setor deve crescer em média 3,6% nos próximos anos, impulsionado pela necessidade de conectar pessoas e facilitar o comércio, o que também deve gerar demanda por 2,35 milhões de novos profissionais da aviação.

Para falar mais sobre esse cenário, a Forbes Brasil conversou com Arturo Barreira, presidente da Airbus para a América Latina e Caribe. O executivo detalhou como se dá a presença da Airbus no Brasil, as perspectivas de crescimento da aviação brasileira e como a empresa está lidando com alguns desafios. Confira abaixo os melhores momentos da conversa.

Forbes Brasil: Como é o mercado de aviação na América Latina?

Arturo Barreira: Ele é consolidado, com cinco grupos aéreos controlando 75% de todos os passageiros transportados na região. Essa concentração contribui para uma maior eficiência e rentabilidade nos mercados em que essas companhias operam.

Embora as projeções de crescimento para os próximos anos sejam bastante positivas, a indústria aérea latino-americana enfrentou períodos desafiadores durante a pandemia de Covid-19. O impacto foi agravado pela ausência de apoio governamental, ao contrário do que ocorreu na Europa e nos EUA. Aqui, a maioria das companhias aéreas é de capital privado, o que as obrigou a enfrentar a crise com recursos próprios.

Mesmo assim, o setor demonstrou capacidade de resiliência. Hoje, o tráfego aéreo na região já supera os níveis observados durante a pandemia, registrando um crescimento de 5% no volume de passageiros.

A frota global é projetada para ultrapassar 49 mil aeronaves até 2044, o crescimento do setor será impulsionado pela modernização, com 44% das novas entregas substituindo aeronaves mais antigas. Pelo aumento da utilização, o GSF projeta que o mercado de serviços deve dobrar, atingindo US$ 311 bilhões (R$ 1,6 trilhões) em valor de mercado.

Qual a importância do Brasil no cenário?

O Brasil ocupa uma posição estratégica. As projeções de crescimento para o segmento continuam positivas. Dentro desse panorama o país se destaca não apenas pelo volume expressivo de produtos Airbus em operação no território nacional e na região, mas também por sua relevância como centro de presença física e industrial da companhia.

O país representa o maior mercado de aviação da América Latina, tanto em número de passageiros quanto em frota ativa e rotas operadas. Essa importância se reflete na atuação da Airbus, que mantém uma presença consolidada no país há mais de quatro décadas por meio de sua subsidiária Helibras, localizada em Itajubá (MG).

A unidade emprega cerca de 600 profissionais altamente qualificados, atuando em atividades que vão desde a montagem e manutenção de helicópteros até o desenvolvimento de soluções para o mercado civil e militar.

Como está a estrutura da Airbus no Brasil?

A presença física da Airbus no Brasil inclui uma linha de helicópteros de turbinas em Itajubá. Esse segmento é a única linha de montagem na América Latina. Na cidade, a empresa realiza a montagem dos modelos H225 e H125, duas das famílias de helicópteros mais bem-sucedidas.

A Airbus tem reiterado seu compromisso de continuar expandindo suas operações no país, com planos de ampliar as capacidades industriais e tecnológicas da Helibras. Além disso, a Airbus mantém centros de treinamento de ponta voltados à formação e atualização de pilotos e equipes técnicas.

Entre eles, destaca-se o centro dedicado ao modelo H225, único do tipo fora dos Estados Unidos, e o simulador da família A320, instalado em São Paulo, que oferece capacitação avançada para tripulações comerciais.

Complementando essa estrutura, a empresa opera um centro de manutenção, reparo e revisão (MRO) localizado no Campo de Marte, na zona norte de São Paulo.

Como a Airbus enxerga o potencial de expansão da frota no Brasil, especialmente com o processo de recuperação judicial da Azul?

A presença da frota da Airbus corresponde a uma capacidade ativa de aproximadamente 200 aviões Airbus em operação no Brasil. Para o futuro, a Airbus tem cerca de 500 pedidos pendentes na América Latina. Parte deles, com alguns dos seus clientes que operam no Brasil, como a LATAM e a Azul.

Apesar do mercado de aviação brasileiro ter passado por alguns momentos desafiadores, especialmente após o processo de recuperação da Azul, a visão da Airbus é que essas companhias vão continuar a precisar expandir suas frotas para satisfazer o crescimento da demanda no país.

Como a Airbus avalia sua atuação no setor de defesa brasileiro?

No setor de Defesa, a Airbus mantém uma presença sólida no Brasil, com uma frota de helicópteros em operação junto à Força Aérea Brasileira, sendo a maioria deles produzidos localmente. [Até 2023, as forças armadas brasileiras operavam com um total de 156 helicópteros Airbus implantados em suas oito bases no Brasil, além de aeronaves de transporte militar C295, também fabricadas pela Airbus].

Recentemente, a companhia também concretizou a venda aviões A330, que deverão ser convertidos em plataformas de transporte multimissão (MRTT) para a Força Aérea Brasileira. A Airbus considera essa presença no Brasil como um de seus pilares principais na área de defesa e quer expandir suas operações nesse setor.

Quais são os principais gargalos de produção na região?

Assim como ocorre em boa parte da indústria aeronáutica global, a Airbus também tem enfrentado desafios estruturais na cadeia de suprimentos. Um dos principais gargalos tem se concentrado na disponibilidade de motores.

De acordo com os resultados financeiros da Airbus, divulgados no primeiro semestre deste ano, havia aproximadamente 60 helicópteros montados, mas aguardando a instalação dos motores.

Apesar dos desafios, a Airbus tem trabalhado em colaboração com seus parceiros para acelerar a recuperação. As previsões indicam que a situação deverá ser regularizada até o final do ano de 2025.

Qual é o percentual de vendas de helicópteros que pertencem à Airbus em comparação com outras empresas no Brasil?

A presença da Airbus no mercado de helicópteros brasileiro é expressiva. Atualmente, cerca de 50% de todos os helicópteros em operação no país pertencem à marca Airbus.

Em uma perspectiva mais ampla, a liderança da Airbus se estende por toda a América Latina, onde cerca de 60% dos helicópteros em serviço também pertencem à marca. No total, a Airbus possui mais de 800 helicópteros em operação na AL.

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