A geladeira não é a vilã: descubra qual eletrodoméstico encarece a conta de luz

O chuveiro e a geladeira sempre foram vistos como os vilões da conta de energia elétrica, mas há um eletrodoméstico que, dependendo do uso, é capaz de gastar mais energia e encarecer de forma significativa a conta de luz. Trata-se do forno elétrico.

O impacto do forno elétrico na conta de luz depende do tempo e da frequência de uso. Considerando a faixa de potência dos aparelhos mais comuns no mercado brasileiro, o consumo varia entre 1,5 a 2,0 kWh. “Em um cenário de uso diário por 30 minutos durante um mês, o gasto pode variar, entre R$ 16,63 e R$ 22,17, conforme a tarifa de energia aplicada”, diz Priscila Arruda, pesquisadora do programa de Energia do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).

Considerando fornos mais potentes, a utilização do aparelho por uma hora, três vezes por semana, pode representar um consumo médio mensal de até 60 quilowatts por hora (kWh), segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Tal valor pode chegar a representar 40% da conta de luz, visto que o consumo médio de energia elétrica residencial no Brasil gira em torno de 150 kWh/mês.

Por que o forno elétrico gasta tanto?

Cozinha projetada pelos arquitetos Diana Żurek e Gutek Girek do Furora Studio — Foto: ONI Studio
Cozinha projetada pelos arquitetos Diana Żurek e Gutek Girek do Furora Studio — Foto: ONI Studio

Segundo o MME, o forno elétrico opera por meio de resistências que aquecem o ar interno. Quando o aparelho é acionado, a corrente elétrica passa por essas resistências, que se tornam incandescentes e geram calor. O processo, semelhante ao utilizado em equipamentos como chuveiros elétricos, ferros elétricos e aquecedores, exige alta potência e, por isso, se utilizado muitas vezes e por períodos prolongados, o forno elétrico pode aumentar bastante o consumo de energia residencial.

Além do fator operacional, outros pontos podem fazer o forno elétrico encarecer ainda mais a conta de luz, como a potência, o tamanho e o tempo de uso. “Os modelos de fornos elétricos de bancada e de embutir mais comuns no mercado brasileiro apresentam alta potência, geralmente entre 1.500 e 2.000 W. Quanto maior a potência do aparelho, maior tende a ser o consumo de eletricidade. O mesmo acontece em relação ao tamanho”, explica Priscila.

A pesquisadora lembra ainda que fornos com isolamento térmico ineficiente também representam maior gasto na conta de luz. Isso porque eles perdem mais calor para o ambiente externo, o que faz o aparelho consumir mais energia para manter a temperatura interna constante.

Como reduzir o consumo do forno elétrico

Evitar abrir a porta do forno elétrico enquanto ele está ligado e aproveitar o uso do aparelho para preparar mais de um prato, são algumas das estratégias para diminuir o gasto de energia do eletrodoméstico.

Vale ainda descongelar os alimentos antes de levá-los ao forno, bem como manter o aparelho limpo para garantir melhor desempenho.

O que observar na hora de comprar um forno elétrico

Projeto do arquiteto Bruno Moraes, esta cozinha reúne forno elétrico e cooktop  — Foto: Guilherme Pucci
Projeto do arquiteto Bruno Moraes, esta cozinha reúne forno elétrico e cooktop — Foto: Guilherme Pucci

Já na hora de comprar um forno elétrico é importante levar em conta a potência, o tamanho e as funcionalidades do aparelho que melhor atendam às necessidades na cozinha. Modelos com maior capacidade, ou maior potência, ressalta Priscila, tendem a consumir mais energia, mas é possível buscar por equipamentos mais eficientes, que tenham:

  • Termostato para regular automaticamente a temperatura interna, ligando e desligando o aquecimento conforme necessário para mantê-la estável — o que reduz o consumo de energia;
  • Função de convecção, cuja capacidade de circular o ar quente cozinha os pratos de forma uniforme;
  • Isolamento térmico eficiente, incluindo vidro duplo, borracha de vedação, porta com trava e manta térmica, que ajudam a manter o calor no interior do forno e evitam desperdício de energia.

Sobre o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), que indica ao consumidor os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro da categoria, ele ainda não contempla os fornos elétricos.

Porém, de acordo com o MME, o Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), responsável pela implementação da Política Nacional de Eficiência Energética, publicou recentemente a atualização de sua agenda regulatória, que incluiu o trabalho de regulamentação de fornos elétricos. Assim, diz o Ministério, espera-se que em 2027 sejam iniciados os trabalhos para que os fornos elétricos passem a receber o selo.

expresso.arq com informações de Gladys Ferraz

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.
Ops! Captcha inválido, por favor verifique se o captcha está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.